Quando anunciaram, em 2024, que seria feito um filme sobre um dos vilões do Batman e da DC, muita gente, inclusive eu, pensou: por que fazer um filme sobre um personagem de quem quase ninguém se lembra?

Corta para 2026. Depois de assistir ao filme, percebi que a DC aproveitou alguns elementos do personagem para criar, na minha opinião, um dos filmes mais sangrentos do universo dos super-heróis.

A história acompanha Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um ator em ascensão cuja vida muda drasticamente após um acontecimento trágico. Quando uma tecnologia experimental surge como uma possível chance de recomeço, ela também abre caminho para uma jornada marcada por transformações e vingança.

Um filme bem realista

Logo no início, o filme apresenta um logotipo simples, sem nada muito chamativo ou criativo, como estamos acostumados a ver em produções baseadas em histórias em quadrinhos.

Essa escolha já dá uma pista da proposta do diretor James Watkins. Mesmo fazendo parte de um universo de super-heróis, Cara de Barro busca uma abordagem mais realista e sombria, em uma linha que pode lembrar o que Todd Phillips fez em Coringa (2019).

Em vários momentos, Cara-de-Barro me fez lembrar de Coringa, principalmente pela forma como apresenta Gotham e a corrupção que existe na cidade. Há também uma cena que interpretei como uma possível homenagem ao personagem Coringa.

Matt Hagen é apresentado como um ator em ascensão e, ao mesmo tempo, como uma pessoa de bom caráter. O filme deixa claro que seu rosto é uma espécie de chave para o sucesso.

Também conhecemos Corey Bowery (Joshua James), seu melhor amigo, que também trabalha como ator. Os dois vão a uma boate para comemorar uma grande conquista de Matt.

É nesse lugar que uma sequência de acontecimentos começa a mudar a vida de Matt para sempre. Tudo começa com uma aproximação intensa de Mia (Joana Ribeiro), uma pessoa que, pelo que acontece depois, ele provavelmente preferiria nunca ter conhecido.

Por causa dessa aproximação com Mia, conhecemos Markos Szabo (David Dencik), ligado ao submundo do crime de Gotham. É nesse encontro que o filme deixa claro por que recebeu classificação indicativa para maiores de 18 anos no Brasil.

As cenas de violência são apresentadas de maneira bastante intensa e realista. Para quem não está acostumado com terror corporal e imagens fortes, algumas sequências podem ser difíceis de acompanhar.

Cara de Barro integra o universo de personagens da DC. Foto: Divulgação/DC.

Entre a transformação e a vingança

Após o encontro com Markos, Matt fica com o rosto desfigurado. Como mencionei, sua aparência era uma das principais ferramentas para alcançar o sucesso. Sem ela, ele se vê perdido e sem o apoio que esperava receber.

Quase sem esperança, Matt encontra um tratamento que promete devolver sua aparência anterior. É nesse momento que o filme apresenta a cientista Caitlyn Corr (Naomi Ackie) e John Borrelli (Max Minghella).

O tratamento envolve uma tecnologia experimental de regeneração da pele. Quando o procedimento começa, surgem cenas que me fizeram lembrar de A Substância (2024), tanto pelo desconforto que provocam quanto pelo uso do terror corporal.

Sentindo que já não é a mesma pessoa, Matt passa a buscar justiça contra aqueles que contribuíram para os piores momentos de sua vida. Essa busca, porém, acaba se transformando em uma vingança violenta e sangrenta.

Quem já viu o Cara de Barro em animações do Batman ou da Liga da Justiça, ou mais recentemente em Comando das Criaturas (2024), conhece sua capacidade de mudar de forma e assumir outras aparências.

Nesses momentos, algumas transformações lembram o T-1000, o androide de O Exterminador do Futuro 2 (1991). As mudanças físicas e a violência aproximam ainda mais o filme do gênero de terror.

Considerações finais

Com cerca de 1 hora e 48 minutos, Cara-de-Barro conta uma história simples, com elementos que já vimos em outros filmes de terror. Ainda assim, a produção consegue executar bem sua proposta.

As atuações são boas e convincentes, enquanto o CGI e os efeitos especiais entregam resultados satisfatórios. A conclusão segue por um caminho um pouco clichê, mas isso não chega a comprometer o resultado.

Para quem gosta de filmes de terror com bastante sangue e violência, Cara de Barro pode ser uma boa escolha.

Já para quem acompanha o universo da DC e do Batman, o filme oferece uma visão mais sóbria de Gotham, o que também pode despertar interesse. O filme não tem cenas pós-créditos. Portanto, quando as luzes da sala de cinema acenderem, você pode ir embora sem preocupação.

Foto de capa: Divulgação/DC.