Thrillers ambientados em espaços confinados costumam funcionar justamente porque transformam situações cotidianas em pesadelos psicológicos. Em “Down: O Elevador da Morte”, Maryus Vaysberg aposta nessa fórmula ao colocar um casal recém-casado preso em um elevador com um snehor misterioso que parece saber muito mais sobre eles do que deveria. A proposta é intrigante e, durante os primeiros minutos, o filme consegue despertar curiosidade e construir uma atmosfera de desconforto que sugere algo maior por trás daquela situação aparentemente banal.

O problema surge quando a narrativa começa a revelar suas cartas. Em vez de aprofundar o suspense psicológico, o roteiro passa a depender excessivamente de reviravoltas e coincidências, diluindo boa parte da tensão construída no início.

Claustrofobia bem explorada

Maryus Vaysberg conseguiu trabalhar bem as limitações do cenário. A direção utiliza enquadramentos fechados, iluminação fria e movimentos de câmera discretos para reforçar a sensação de aprisionamento. O elevador deixa de ser apenas um ambiente e se transforma em um personagem da história, sufocando os protagonistas e o espectador.

O diretor também consegue manter um ritmo relativamente ágil, evitando que a repetição visual comprometa o interesse. Entretanto, quando a trama exige maior impacto dramático, a direção parece perder o controle do tom. Algumas cenas beiram o exagero e acabam diminuindo a credibilidade da narrativa, tornando difícil levar certos acontecimentos a sério. Tem algumas cenas bem sem noção, impossíveis de acontecer dentro de um elevador.

Down o elevador da morte foto 1
Crédito: Divulgação

Roteiro: uma montanha-russa irregular

O maior problema de “Down: O Elevador da Morte” está em seu roteiro. A ideia central possui potencial para um suspense intenso, mas a execução opta por caminhos previsíveis e soluções fáceis. Conforme os segredos dos personagens são revelados, a história abandona a sutileza e passa a acumular revelações cada vez mais forçadas.

O suspense funciona melhor quando o filme mantém o mistério. Quando chega a hora das explicações, porém, muitas delas parecem artificiais e pouco convincentes. É um daqueles casos em que o conceito é mais interessante do que as respostas oferecidas pela narrativa.

Além disso, algumas motivações dos personagens mudam de forma abrupta, criando a sensação de que determinadas decisões existem apenas para mover a trama adiante.

Desempenhos que não sustentam o drama e visual interessante

Down o elevador da morte foto 2
Crédito: Divulgação

O elenco entrega boas atuações, mas nada marcante. Os protagonistas conseguem transmitir o desespero inicial da situação, porém encontram dificuldades para sustentar a carga emocional exigida pelas revelações mais dramáticas.

O destaque acaba ficando com o antagonista, cuja presença em cena gera desconforto e mantém parte da tensão viva mesmo quando o roteiro vacila. Sua interpretação é a que melhor compreende o tom quase perturbador que o filme tenta construir.

Infelizmente, a química entre os personagens centrais nem sempre convence, o que enfraquece conflitos que deveriam ter maior peso emocional.

Visualmente,“Down: O Elevador da Morte” faz um trabalho competente dentro de suas limitações. A fotografia aproveita bem os espaços apertados e a visão de uma Rússia rica com arranha-céus. enquanto a trilha sonora contribui para criar uma sensação constante de ameaça. A montagem também ajuda a manter o filme em movimento, especialmente nos momentos em que o roteiro perde força.

Por outro lado, a produção nunca alcança um nível visual ou técnico que a diferencie de outros thrillers independentes do gênero.

Vale a pena assistir “Down: O Elevador da Morte”?

“Down: O Elevador da Morte” impressiona pela sensação de tensão que cria do que pela história que escolhe contar. Maryus Vaysberg demonstra habilidade para criar tensão em um ambiente limitado, mas o roteiro não consegue sustentar o mesmo nível de qualidade até o final. O resultado é um filme que prende a atenção por algum tempo, mas que perde força justamente quando deveria entregar suas maiores emoções.

Para fãs de thrillers claustrofóbicos e histórias de sobrevivência, há elementos suficientes para justificar a sessão. Porém, quem procura um suspense realmente inteligente ou surpreendente provavelmente sairá da experiência com a sensação de que o filme desperdiçou uma boa ideia.

“Down: O Elevador da Morte” está disponível no Adrenalina Pura+ a partir de 25 de junho.

Crédito da capa: Divulgação

Down: O Elevador da Morte (Down) (Russia, 2025, 1h 31min) – Drama/Suspense
Direção:  Maryus Vaysberg
Roteiro:  Maryus Vaysberg
Elenco Principal:  Egor Bulatkin, Anfisa Chernykh, Igor Mirkurbanov, Julia Melnikova, Evgeniy Pushkarev, Nina Aleksandrova
Produtor:  Vadim Vereshchagin, Maria Vaysberg
Fotografia: Semen Kretov, Grigory Veksler
Música:  Ilya Truskovsky
Classificação: 16 anos

Down o elevador da morte
Crédito: Divulgação

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