No filme “O Bom Professor”, acompanhamos Julien (François Civil), um professor de literatura acusado injustamente de assédio. Assim, vemos o professor buscando formas para desmentir as denúncias, entretanto, o boato rapidamente se espalha, gerando um caos que afeta toda a escola. Desse modo, as desconfianças vão crescendo e Julien enfrenta uma batalha desesperadora para proteger sua reputação e provar sua inocência.
Nesse sentido, “O Bom Professor” mostra a história saindo da escola e atingindo outras partes da vida de Julien, como seu casamento e relações com amigos. Dessa forma, conseguimos perceber como as acusações falsas podem atingir diversas pessoas e também como boatos são espalhados de formas rápidas e avassaladoras.
Confira o trailer do filme:
Uma discussão séria, mas caí no preconceito
Nesse sentido, “O Bom Professor” traz uma discussão sobre assédio e acusações falsas, entretanto, não consegue contar uma história sem cair em questões problemáticas. Com isso, o longa-metragem tem falhas que deixam um assunto sério parecer brincadeira, e cada nova cena parece que a história piora. Assim, em diversos momentos da história, os personagens questionam porque Julien não conta que é gay para “acabar” com as acusações.
Entretanto, isso só mostra um preconceito maior tanto para as pessoas LGBTs quanto para as vítimas reais de assédio. Visto que, não existe nenhuma afirmação que pessoas gays não possam assediar mulheres ou vice-versa, e isso acaba trazendo um estigma errado para a discussão. Dessa forma, o filme parece querer discutir um problema sério e prejudicial, mas acaba ficando na homofobia.
Sendo assim, a forma que o filme é conduzido tem pontos muito complicados e seguem apenas para um lado da história. Não conseguimos ter um olhar mais aprofundado sobre o assunto, e não vemos consequências reais para o problema. O longa mostra Julien sofrendo e com impactos na sua vida, mas todos parecem superficiais e sem chegar no real problema.
Personagens bons e interessantes
Mesmo com a problemática de cair num preconceito, e parecer não tratar da melhor forma o assunto do assédio. O filme consegue nos trazer boas atuações e personagens interessantes. Assim, Julien é o que se destaca e François tem momentos muito certeiros para o seu personagem, e consegue carregar uma dramaticidade que ajuda a observar a discussão.
Além disso, Leslie (Toscane Duquesne) não tem muitas falas, mas toda sua atuação está nas expressões e como está lidando com tudo. Em certos momentos, Toscane entrega sua performance pelo olhar e a até seu caminhar ajudam na carga emocional da atriz. Sendo assim, você percebe o quanto ela também está abalada com tudo, e como isso também interfere na sua vida desde o tratamento das pessoas até mesmo quando o irmão está em cena com ela.
Além disso, outros personagens também chamam a atenção, e são pontos cruciais para a história. Bem como, ajudam a ter outros pontos de vista na narrativa, mas que são relevantes para acabar tornando problemática toda a discussão. Assim, muitos personagens acabam caindo no preconceito no ambiente, e poderia ser um bom ponto para observar a trama, mas acaba deixando o filme somente com um ar problemático para o assédio e também para as pessoas LGBTs.
Vale a pena assistir O Bom Professor?
O longa traz uma discussão válida e perfeitamente necessária, entretanto, você precisa entender que ele acaba caindo em outros preconceitos. Dessa forma, o filme tem muitas problemáticas sérias e que giram no mesmo ponto, assim não deixando fluir do melhor jeito para o telespectador. Com isso, a discussão sobre assédio e acusações falsas acaba caindo por uma parte preconceituosa muito problemática.
Nesse sentido, o olhar precisa ser muito crítico com a discussão e também entender como as acusações são feitas em diversos países. Além disso, as atuações são um ponto bem alto do filme e ajudam ao telespectador a seguir no filme, François e Toscane carregam bem e ajudam a melhorar o mundo.
Sendo assim, “O Bom Professor” tem uma visão narrativamente ruim para contar a história que se propôs, mas é uma forma de visualizar como assédio e acusações falsas podem estar em diversos ambientes.
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