Sabe aquele filme que te deixa reflexivo durante muito tempo? O longa O Caso dos Estrangeiros (“I Was a Stranger“), distribuído pela Paris Filmes, é um filme que conta a história de diferentes pessoas que buscam apenas uma coisa: sobreviver. Uma produção atemporal, que faz com que você pense sobre o mundo em que vivemos.
Na trama, uma médica síria perde tudo e decide fugir com sua filha. Durante o caminho, o destino delas vai cruzando com o de pessoas que também buscam sair da zona de guerra. São histórias diferentes, com propósitos e escolhas, que vão se completando.
Enredo separado em partes, mas que se complementam
A história começa mostrando uma mulher, usando uniforme azul e caminhando por um hospital, escutando conversas de médicos e pacientes. A escolha não foi aleatória e, conforme a trama vai seguindo, descobrimos o motivo.
Fugindo um pouco do estilo convencional, o longa escolhe contar a história através de cinco atos – cinco personagens principais – que se complementam. Na verdade, cada ato dessa história é como se fosse uma trama independente, mas eles acabam se unindo um ao outro em certo momento.
Começamos conhecendo o drama de uma médica síria. Ela salva vidas – seja de “inimigos” ou não -, mas a vida dela dá uma virada de chave quando perde a família no dia do seu aniversário. Sendo assim, ela decide fugir de Aleppo com a filha, com medo da guerra e suas consequências. No momento desesperador de cruzar a fronteira dentro do porta-malas de um carro, acontece a mudança para o segundo ato, ou seja, novo personagem.
Conhecemos um soldado em conflito com a própria consciência. Ele tem desavenças com o pai sobre o lado “certo” da guerra e dá para ver, através da intensa atuação de Yahya Nagayni, que existe um conflito interno dentro dele ao presenciar a captura e morte de um jovem. Então, chega a parte do primeiro cruzamento de histórias: ele é o soldado que para o carro onde estão escondidas mãe e filha. O ato acaba quando ele é pressionado a tomar uma decisão na frente do seu chefe.
As histórias de cada personagem podem parecer sem um final no princípio, mas tudo se encaixa conforme os minutos vão passando. Um trabalho interessante de Brandt Andersen no roteiro.

Apreensão a todo instante… e um desfecho emocionante
Após conhecermos dois personagens principais, o telespectador já está completamente envolvido na trama. Não há tempo para respirar, mas as reflexões sobre o valor da vida começam a surgir.
Somos apresentados a um contrabandista, que “ajuda” as pessoas a fugirem em botes para outros países. O homem, interpretado brilhantemente por Omar Sy, quer salvar o filho – que se mostra ter algum problema de saúde. Ele vai a um campo de refugiados e oferece a saída para pessoas que vivem ali. Entre essas pessoas, há um poeta com a família. Além disso, descobrimos o destino do soldado, da médica e da filha.
O poeta tem, talvez, uma das histórias mais envolventes em quesito de ação. Ele e sua família pagam para ter um lugar no bote do contrabandista, mas existe toda uma apreensão em relação ao fato de “eles vão conseguir chegar no local a tempo?”. O desespero da mãe em salvar a vida dos filhos é comovente. E, por fim, temos o último “ato”: um capitão dividido entre o dever e a compaixão. Ele vai ser o responsável por encontrar o bote com sua equipe e tentará salvar todos os refugiados.
Lembra da cena do início, em um hospital? Então, ela faz parte do desfecho. A história é tão bem amarrada que, mesmo com um final triste – e trágico -, descobrimos o que aconteceu com cada personagem principal. O uniforme da médica não era para exercer a profissão, mas para trabalhar como faxineira no hospital. Esse pequeno momento mostra que, mesmo conseguindo salvar a própria vida, as pessoas que fogem da guerra nunca mais serão as mesmas. O mundo que elas conheciam foi deixado para trás e elas precisam recomeçar do zero. Não deixa de ser uma crítica social.
Vale a pena assistir “O Caso dos Estrangeiros”?
Sim! Esse é o tipo de filme que faz com que o telespectador fique envolvido e reflexivo sobre o mundo em que vivemos. Podem se passar anos, mas – infelizmente – ele vai continuar atual. Apesar de ser ficção, ele conta histórias que retratam a realidade de muitas pessoas.
O diretor acertou nas escolhas de mostrar o desespero e o medo dos personagens durante as cenas de maior tensão, como na cena em que mãe e filha estão escondidas no porta-malas do carro. Os posicionamentos da câmera e iluminação – ou falta dela – trazem um clima angustiante para a produção. A fotografia também ajuda o telespectador a se inserir na história, com um tom mais sombrio.
“O Caso dos Estrangeiros” já está em cartaz nos cinemas brasileiros.
Ficha Técnica
O Caso dos Estrangeiros
EUA, 2026, 97 min
Direção: Brandt Andersen
Roteiro: Brandt Andersen
Elenco Principal: Omar Sy, Yasmine Al Massri, Jay Abdo, Ziad Bakri, Constantine Markoulakis e Yahya Nagayni
Classificação: 16 anos
Distribuição: Paris Filmes

Imagem de capa: IMDb
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