Netflix lançou o filme ‘Peaky Blinders: O Homem Imortal’ que continua a história da série na última sexta-feira (20)
Aviso de spoilers: a análise pode conter spoilers de momentos chave da obra
Peaky Blinders: O Homem Imortal estreou no dia 20 de março como o primeiro longa derivado de uma série produzido pela Netflix. Após o encerramento da 6ª temporada, a nova produção retoma a narrativa dos gangsters de Birmingham um década depois, nos anos 40, durante a Segunda Guerra Mundial. Desta vez, quem está a frente da gangue é Duke (Barry Keoghan), filho de Thomas Shelby.
Nessa retomada da história somos apresentados a um Tommy (Cillian Murphy) diferente. Considerando seu ano de nascimento como 1890, vemos agora o personagem com 50 anos. Seguido de todos os acontecimentos vistos anteriormente, a batalha contra Oswald Mosley (Sam Claffin), a perna da filha Ruby e, por consequência, o fim de seu casamento com Lizzie (Natasha O’Keeffe).
Assim, o líder dos Shelby decide se isolar por acreditar que vive uma maldição. Sua antiga casa vira um refúgio para sua cabeça enquanto decide escrever um livro sobre sua vida no meio das ruínas da construção, quase uma analogia para sua saúde mental. Além das visões que atormentam sua mente, sua única companhia é Johnny Dogs (Packy Lee), que se mantém ali como um fiel escudeiro. Os Peaky Blinders agora são liderados por Duke, seu filho cigano bastardo, então ele se afunda ainda mais em seus delírios.
‘Peaky Blinders: O Homem Imortal’ deixa lacunas abertas
O terceiro filho de Tommy surge apenas na sexta temporada, como um adolescente rebelde que comete pequenos delitos. Depois de passar um tempo com o pai e depois com Charlie (Ned Dennehy) e Curly (Ian Peck) no ferro-velho, parece que ele passa a entender a “missão” da família. O garoto se prova leal quando desmascara Finn como alguém não confiável para os Shelby.
Agora, Erasmus ‘Duke’ Shelby ressurge como um jovem adulto tão violento e impiedoso quanto seu pai e seu tio Arthur foram um dia. E por falar em Arthur, aqui temos uma outra questão além da falta de desenvolvimento da narrativa do sucessor dos Shelby. O irmão mais velho de Tommy não retorna em ‘Peaky Blinders: O Homem Imortal’, a forma para contornar sua ausência ficou imperdoável na minha concepção.
Arthur era um personagem crucial na construção dessa história. Assim como Pinky e o Cérebro, estava Arthur e Tommy. A saída que os roteiristas, ou Steven Knight, encontraram foi matar o personagem. Porém, a morte acontece antes desta nova narrativa, os espectadores recebem apenas uma versão estapafúrdia de sua partida, primeiro a mentira que Thomas conta para todos e depois o que de fato aconteceu. Eu não sei se a ausência de Paul Anderson (Arthur Shelby) no elenco se deu por conta de seus problemas com o abuso de substâncias nos últimos anos, mas a falta que ele fez foi gritante.
Outra coisa que me chamou atenção e me incomodou, foi um furo que Duke dá durante uma discussão com Ada (Sophie Rundle). O jovem menciona a morte de Arthur e de Polly (Helen McCrory), como se Ada não tivesse para quem denunciá-lo. Contudo, a matriarca da família faleceu no 1º episódio da 6ª temporada, quando ele ainda não havia surgido então seria impossível os dois terem se conhecido.
Ah, e uma última coisa que eu achei meio absurda: cadê o Charles? O filho do protagonista com sua primeira esposa, Grace, é mencionado de maneira bem remota e, supostamente, aparece apenas para o velório do pai. Depois de tantos episódios acompanhando seu crescimento, ele acabou esquecido na sala de roteiro.
Sessão nostalgia

Apesar dos pesares, ‘Peaky Blinders: O Homem Imortal’ é uma acalento para os fãs órfãos de um dos maiores sucessos da BBC e da Netflix. Para mim, de fato, Cillian Murphy tornou seu personagem imortal. Além dele, todo o elenco foi muito bem nessa produção, eu acredito mesmo que o problema foi o roteiro. Considerando a qualidade que a produção entregava ao longo dos seis episódios de cada temporada com quase um hora, o filme acabou ficando bem abaixo do esperado.
Sendo assim, meu coração ficou feliz de ver parte do elenco reunido. Eu não esperava que teria mais tantas baixas nessa produção, mas são os Peaky Blinders, não seria se não tivesse sangue derramado.
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Vale a pena assistir ‘Peaky Blinders: O Homem Imortal’?
Vale, afinal é o encerramento da história que muitos de nós acompanhamos por muitos anos. Não é a conclusão que eu acredito que os fãs esperavam, mas conclui uma sequência que marcou as produções de séries para streaming. Volto a dizer, o elenco está impecável, foi muito bom revê-los como aqueles parentes que você não encontra há muito tempo. Foi o bastante para “matar a saudade”. Mas não vá esperando uma produção digna de premiação, sem expectativas altas por aqui.
Por fim, Thomas Shelby e sua família vão deixar saudades. Existem rumores por ai que produções derivadas deste universo podem surgir. Eu espero que realmente surjam. Peaky Blinders: O Homem Imortal está disponível na Netflix.
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