O título do filme pode soar familiar, assim como a história contada na tela, mas essa produção tem um toque brasileiro. O longa brasileiro Quarto do Pânico, que fez sua estreia no Festival do Rio em 2025, chega para o público através do Globoplay e Telecine. A história é um remake do filme homônimo de David Fincher, lançado em 2002, e aborda temas importantes, como luto e segurança. Além disso, o suspense é recheado de cenas de ação e de tensão.

A trama mostra o drama de uma mãe e uma filha, que vivem um pesadelo ao se depararem com um assalto dentro da própria casa. Se na obra original Jodie Foster e Kristen Stewart deram vida para as personagens femininas, agora temos Isis Valverde e Marianna Santos dando vida a dupla que tenta sobreviver ao terror de uma madrugada presas em um quarto do pânico.

Enredo de tirar o fôlego desde o primeiro instante

Os primeiros minutos de tela são capazes de deixar o telespectador entretido com a história, apesar de ser um remake de uma produção bastante conhecida. Os acontecimentos do primeiro instante dão o tom para o filme, que se inicia de forma dramática e eletrizante, com uma cena que retrata um pouco do cenário brasileiro.

Diferente do filme de Fincher, aqui temos a perda física do pai da família. Não há traição ou a forma como a protagonista lida com o fato do ex-marido a ter trocado por uma mulher mais jovem. Na versão da diretora Gabriela Amaral Almeida, temos uma mulher vivenciando o luto e os traumas do fatídico dia que o marido morreu.

A dinâmica entre Mari (Isis Valverde) e Bel (Marianna Santos) mostra o quão freágil está a relação de mãe e filha logo nos primeios instantes de interação. A menina não quer se mudar para uma casa nova – com um quarto do pânico, um espaço secreto onde os moradores podem se esconder em caso de perigo -, enquanto a mulher deseja um local onde possa se sentir segura.

É aquele ditado: não julgue o livro pela capa. Apesar de se mostrar uma casa super segura, com câmeras e um esconderijo, as duas acabam vivendo momentos de terror quando a casa é invadida logo após a mudança. Três homens entram de madrugada, em busca de algo de extremo valor. O problema é que o que eles querem está dentro do quarto, onde mãe e filha acabam se escondendo.

Cena do filme "Quarto do Pânico" (2025). Crédito: Divulgação/ Assessoria de Imprensa Palavra
Cena de “Quarto do Pânico” (2025). Crédito: Divulgação/ Assessoria de Imprensa Palavra

Mudanças que trazem a história para um cenário mais conhecido do público

Apesar de se basear no roteiro do longa de 2002, Fabio Mendes consegue fazer alterações que encaixam perfeitamente no contexto brasileiro atual. A primeira questão é a apresentação de um casal interracial e a trágica morte do homem em um assalto. A alteração nesse quesito da trama dá um ar dramático e tenso logo nos primeiros instantes, que ditam o ritmo da história. O telespectador consegue se conectar mais com Mari, que é brilhantemente interpretada por Valverde.

Os momentos que seguem após a invasão dos criminosos vividos por André Ramiro, Marco Pigossi e Caco Ciocler conseguem ir aumentando gradualmente a tensão do telespectador. Vemos uma clara desigualdade de classe entre os assaltantes, visto que o personagem de Pigossi claramente é de uma classe social mais alta em relação aos companheiros. Inclusive, cada um dos homens possuem uma motivação para estar ali, cometendo o crime e ameaçando a vida de Mari e Bel. Isso torna eles humanos e interessantes, principalmente o personagem de Ramiro, que aceitou participar para ter dinheiro para salvar a vida do filho.

O terror vivido pelos personagens nos 98 minutos do filme conseguem deixar o telespectador preso a trama, além de criar uma linha de tensão até o último segundo. Tanto que você pode terminar nos últimos instantes torcendo para que o final seja um pouco diferente da versão original – como de fato ocorre.

Temos o pai da protagonista, vivido por Leopoldo Pacheco, tendo um destaque importante. É ele quem acompanha filha e neta na visita à casa e, posteriormente, vai ao encontro delas durante o assalto. São pequenos detalhes que divergem do original, mas que trazem um toque que surpreende quem está assistindo.

André Ramiro, Marco Pigossi e Caco Ciocler em cena de "Quarto do Pânico" (2025)
André Ramiro, Marco Pigossi e Caco Ciocler em cena de “Quarto do Pânico” (2025). Crédito: Divulgação/ Assessoria de Imprensa Palavra

Vale a pena assistir “Quarto do Pânico”?

Pode parecer estranho assistir a um filme brasileiro que é uma releitura de um longa internacional bastante conhecido, mas esse vale a pena. Desde o primeiro instante você consegue se conectar com a história e as mudanças fazem com que você queira descobrir se o desfecho será o mesmo.

O elenco faz um belo trabalho de atuação, principalmente a jovem Marianna Santos na pele da filha de Mari. Além disso, a química entre todos os personagens encaixa na medida certa, sem exageros. A direção acertou na escolha dos takes, das lentes utilizadas, dos ângulos das câmeras e das luzes em cena – especialmente quando temos foco no azul, verde e vermelho. Sem falar da trilha sonora, que complementa o que está sendo apresentado em tela no tom ceto.

“Quarto do Pâncio” já está disponível no Globoplay e Telecine. Faz sua estreia nos canais fechados no Telecine Premium neste sábado (14), às 22h, e será exibido novamente no domingo (15), no Telecine Pipoca, às 20h.

Ficha Técnica

Quarto do Pânico

Brasil, 2025, 98 min.

Gênero: Ação, Suspense

Direção: Gabriela Amaral Almeida

Roteiro: David Koepp, Fabio Mendes

Elenco: André Ramiro, Caco Ciocler, Isis Valverde, Leopoldo Pacheco, Marco Pigossi, Marianna Santos

Direção de Fotografia: Fabrício Tadeu

Classificação: 16 anos

Distribuição: Telecine

Imagem de capa: Divulgação/ Assessoria de Imprensa Palavra