O filme “Sonhos de Trem” mergulha na vida de Robert Grainier (Joel Edgerton), revelando atuação, fotografia e narrativa que conectam passado e presente
“Sonhos de Trem“, dirigido por Clint Bentley, apresenta uma narrativa que explora memória, destino e mudanças históricas. O público acompanha Robert Grainier, um lenhador que trabalha para as companhias ferroviárias no início do século XX, enquanto enfrenta tragédias pessoais e reflete sobre seu lugar em um mundo em transformação.
O filme se apresenta como um drama histórico com elementos biográficos e poéticos. A narrativa se apoia na narração em off de Will Patton (Halloween), que confere uma onisciência quase divina, conduzindo a audiência entre passado e presente.
A vida de Robert Grainier é marcada por amor, perdas e solidão, enquanto o mundo ao seu redor se transforma rapidamente com a expansão das ferrovias e o impacto da imigração e do racismo. O filme combina ritmo contemplativo e atenção aos detalhes para explorar como experiências aparentemente banais se somam ao longo da vida.

Fotografia e atuação como pilares da narrativa
Desde os primeiros episódios, a fotografia de Adolpho Veloso (Mosquito) se destaca por refletir a passagem do tempo de forma irregular, passando de momentos de calma a tragédias devastadoras, reforçando a sensação de que a vida de Grainier se desdobra entre o íntimo e o histórico.
Joel Edgerton entrega a atuação mais complexa e introspectiva de sua carreira recente. Sua interpretação de Grainier é silenciosa, mas carregada de emoções contidas que permeiam desde pequenos gestos até olhares prolongados.
O personagem reflete sobre as injustiças que presencia e sobre o amor por Gladys (Felicity Jones). Além disso, ele lida com a criação da filha na cabana construída por ele, enquanto enfrenta perdas inevitáveis. Essa construção torna Grainier um protagonista humano e multifacetado, capaz de carregar o peso de sua história pessoal e coletiva.

Contexto histórico e diálogo com o gênero
A narrativa não se limita à vida de Grainier, mas também dialoga com o drama histórico e social. Ao longo dos episódios, a série explora a diversidade cultural entre os trabalhadores das ferrovias, incluindo imigrantes chineses que enfrentam perseguição racial, enquanto personagens secundários como Arn Peeples (William H. Macy) oferecem uma reflexão filosófica sobre trabalho, natureza e destino.
O equilíbrio entre tragédia e humor sutil cria uma dinâmica que remete a obras clássicas do gênero, como “First Cow – A Primeira Vaca da América“, de Kelly Reichardt. Assim, permitindo que a história se desdobre sem pressa, mas com intensidade emocional.
O roteiro de Bentley e Greg Kwedar adapta o livro de Denis Johnson sem se prender rigidamente ao material original, mantendo o espírito poético e melancólico da obra. A série explora fragmentos do cotidiano de Grainier, mostrando como pequenos eventos, cumulativamente, moldam nossa existência.
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Vale a pena assistir “Sonhos de Trem”?
Em resumo, “Sonhos de Trem” combina roteiro conciso, direção precisa, fotografia envolvente e atuação de destaque para contar a história de Robert Grainier e seu tempo. A ambientação é convincente, e o ritmo é cuidadosamente equilibrado entre contemplação e desenvolvimento narrativo.
Os personagens secundários acrescentam profundidade sem desviar o foco do protagonista. Para quem busca dramas históricos que explorem a vida individual como espelho da transformação social, a série entrega uma experiência memorável.
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