Para celebrar o Dia Nacional da Alfabetização, trouxemos o protagonismo para dentro de casa. Assim, em uma sessão repleta de memórias e afetos, conversamos com nossos redatores para relembrar suas primeiras leituras. Aquelas que despertaram o interesse pelas palavras e abriram as portas para o universo da literatura.
Cada um compartilhou o primeiro livro que leu e refletiu sobre como essa experiência influenciou sua trajetória como leitor. As respostas revelam lembranças, descobertas e o poder da leitura em transformar percepções, inspirar caminhos e assim formar identidades. Mais do que uma homenagem à alfabetização, a ação então reforça a importância de cultivar o hábito da leitura desde cedo e de reconhecer como as histórias que nos acompanham na infância moldam quem nos tornamos no futuro.
As primeiras leituras
As origens dessas leituras são diversas. Muitos começaram pelos gibis da “Turma da Mônica”, pelo encanto das bibliotecas da escola ou por projetos que incentivavam a levar livros para casa. Outros mergulharam em coleções que atravessam gerações, como Vaga-Lume, enquanto alguns encontraram o primeiro grande impulso em títulos juvenis de enorme circulação, como “Fazendo Meu Filme“, “Harry Potter”, “Percy Jackson” e “As Crônicas de Nárnia”. Há também quem guarde, com carinho, livros infantis recebidos de familiares, presentes que viraram peças afetivas de estante.
Se há um fio que costura essas histórias, é a descoberta de que ler pode ser companhia. Para uns, os livros foram abrigo em tempos de timidez e uma forma de fazer amigos no papel. Para outros, viraram válvula de escape no meio da rotina, um descanso da mente que, ainda assim, expande o mundo.
Houve quem dissesse que aprendeu a reconhecer quando insistir ou abandonar um livro, criando critério, paciência e autoconfiança leitora. E houve quem se apaixonasse pelo trabalho das frases, por ver como autores dão nome aos sentimentos e constroem parágrafos que tocam, provocam, acalentam.
O gosto literário com o passar do tempo
As preferências amadurecem e mudam, mas certos encontros ficam. Entre os favoritos citados aparecem Três, de Valérie Perrin, O Sol é Para Todos, de Harper Lee, A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, Eu e outras poesias, de Augusto dos Anjos, O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, O Ódio que Você Semeia, de Angie Thomas, além de crônicas de Lygia Fagundes Telles e clássicos queridos como O Pequeno Príncipe e O Cortiço.
Enquanto alguns de nossos redatores resgataram clássicos, outros escolheram paixões mais recentes ou de impacto pessoal, como Daisy Jones and The Six, Torto Arado, O Labirinto do Fauno e títulos que atravessam o noticiário e a história, como Conto da Aia e Quarto de Despejo.
Um livro para ler de novo como a primeira vez
Quando perguntados sobre qual livro gostariam de esquecer para ler de novo como se fosse a primeira vez, nossos redatores trouxeram uma lista que vai de clássicos a queridinhos contemporâneos: “Oração para Desaparecer”, “Como se fôssemos vilões”, a duologia Six of Crows, “Jogos Vorazes”, “Orgulho e Preconceito”, a série Napolitana de Elena Ferrante, “Sonho e Pesadelo”, “Jantar Secreto” e o mangá “Monster”. Em comum, ficou o desejo de reviver o assombro da virada, a surpresa do final e aquela sensação rara de ter o coração acelerado pela próxima página.
Quando a conversa vai para o que motiva a continuar lendo, as respostas apontam para um mesmo horizonte. Ler para aprender e ampliar vocabulário, para se reconhecer e entender o outro, para viajar sem sair do lugar, conhecer culturas que talvez nunca se visitem, pensar a própria vida com outras lentes. Alguns admitem que a rotina atrapalha, que há momentos em que nada flui, mas quase todos encontram uma saída: mudar o gênero, buscar um livro curto, guardar um título para a hora certa. A constância não vem de obrigação, e sim de desejo.
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Uma leitura obrigatória
E se existe um livro que todo mundo deveria ler ao menos uma vez, a diversidade de recomendações diz muito sobre a pluralidade da leitura. Aparecem indicações que conversam com a formação humana e com o nosso tempo: “Se Deus Me Chamar, Não Vou”, “As Veias Abertas da América Latina”, “Fama e Anonimato”, “O Retrato de Dorian Gray”, “Conto da Aia”, “Quarto de Despejo”, “O Ódio que Você Semeia”. Para os mais novos, boa parte dos nossos redatores insiste que “Percy Jackson” é uma porta de entrada certeira. Para o coração, “O Pequeno Príncipe” segue vivo, assim como a ternura das histórias que nos fizeram leitores.
No fim, a nossa matéria especial do Dia Nacional da Alfabetização é sobre o gesto de abrir um livro e permitir que ele nos abra de volta. Sobre bibliotecas de escola, estantes de casa, caixas de feira, livrarias de bairro, empréstimos entre amigos. Sobre a infância que reaparece a cada releitura e a vida adulta que aprende, com as páginas, a nomear o que sente. Ler é aprender a entrar e a sair de mundos. É um jeito de se tornar, aos poucos, quem a gente é.
Imagem de capa: Amazon
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