Entre glitter e gritos, selecionamos produções que transformam a folia em cenário perfeito para o horror

Carnaval é festa, máscara, excesso e multidão. Mas basta trocar o confete por uma trilha sonora tensa para perceber: a maior celebração brasileira tem todos os elementos de um grande filme de terror. Identidades escondidas, desconhecidos por todos os lados e a sensação constante de que algo pode sair do controle.

Para quem quer equilibrar o bloquinho com uma dose de adrenalina, reunimos filmes que combinam perfeitamente com a atmosfera da folia, seja pela estética, pela temática ou pela simples presença de uma máscara no meio da multidão.

Pânico

Pânico 1
Imagem: Reprodução

Dirigido por Wes Craven, Pânico reinventou o slasher nos anos 1990 ao combinar violência, metalinguagem e crítica às próprias regras do gênero. A trama acompanha um grupo de jovens que passa a ser perseguido por um assassino mascarado conhecido como Ghostface, que transforma clichês de filmes de terror em um jogo mortal. O grande trunfo do longa é sua máscara simples e icônica, facilmente replicável, reconhecível e, em um contexto de Carnaval, perfeitamente camuflada na multidão. A franquia já conta com diversos filmes lançados ao longo de quase três décadas, mantendo viva a ideia de que o verdadeiro terror pode estar escondido atrás de qualquer fantasia.

Onde assistir: Mercado Play e Prime Video.

Carnaval Sangrento

Carnaval Sangrento 2 capa
Crédito: Divulgação

Produção brasileira ambientada em plena folia, Carnaval Sangrento aposta na estrutura clássica do slasher: um grupo de jovens, um segredo do passado e uma figura misteriosa determinada a transformar a festa em massacre. O diferencial está justamente na ambientação, o Carnaval como cenário vibrante e caótico, onde a euforia coletiva dificulta perceber o perigo iminente. A franquia já conta com dois filmes, ambos disponíveis no YouTube, consolidando-se como uma curiosa e ousada tentativa de unir a estética da folia brasileira com o cinema de horror independente.

Onde assistir: Carnaval Sangrento 1 e Carnaval Sangrento 2

Prédio Vazio

Prédio Vazio foto 1
Imagem: Divulgação

Representando o terror nacional em uma vertente mais atmosférica, Prédio Vazio aposta menos no susto explícito e mais na construção de tensão psicológica. A narrativa acompanha personagens confinados em um edifício onde acontecimentos estranhos começam a se intensificar, criando uma sensação crescente de isolamento e paranoia. Ao contrário do caos barulhento do Carnaval, aqui o medo nasce do silêncio e da opressão espacial. O filme demonstra a força do horror brasileiro contemporâneo, investindo em atmosfera e desconforto emocional em vez de depender apenas de violência gráfica.

Onde assistir: Prime Video (Aluguel)

A Morte Te Dá Parabéns

A Morte Te Dá Parabéns capa
Imagem: Divulgação

Dirigido por Christopher Landon, o longa mistura slasher, comédia e ficção científica ao acompanhar uma estudante universitária que revive repetidamente o dia de seu assassinato, sempre ocorrido ao final de sua festa de aniversário. O conceito de looping temporal adiciona frescor ao subgênero e transforma a protagonista em peça central da investigação para descobrir quem está por trás da máscara do assassino. O sucesso do filme gerou uma continuação, consolidando-o como uma franquia moderna do terror comercial. A máscara do vilão, aliás, é tão marcante quanto carnavalesca, uma lembrança de que nem toda fantasia é inofensiva.

Onde assistir: Prime Video (Aluguel)

Halloween

Michael Myers Halloween
Imagem: Reprodução

Clássico dirigido por John Carpenter, Halloween apresentou ao mundo Michael Myers, uma das figuras mais emblemáticas do horror. No filme original, o assassino escapa de uma instituição psiquiátrica e retorna à sua cidade natal para perseguir novas vítimas durante a noite de Halloween. Dessa forma, sua máscara branca e inexpressiva tornou-se símbolo do mal silencioso e implacável. Além disso, a franquia se expandiu ao longo de décadas com diversas continuações, reboots e linhas do tempo alternativas. A ideia central que é um assassino que se mistura a pessoas fantasiadas em meio a uma celebração dialoga diretamente com a atmosfera carnavalesca, onde o anonimato é regra.

Onde assistir: Youtube

Terrifier

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imagem: Reprodução

Dirigido por Damien Leone, Terrifier trouxe de volta o terror gráfico e explícito ao centro do debate contemporâneo. O filme acompanha o palhaço Art, figura silenciosa e cruel que transforma a estética circense em espetáculo macabro. Com cenas intensas e exageradas, o longa conquistou notoriedade e deu origem a continuações, consolidando uma franquia que aposta no choque e na teatralidade da violência. A presença do palhaço como antagonista reforça a inversão típica do horror: assim, aquilo que deveria representar diversão passa a simbolizar ameaça, conceito que conversa diretamente com a dualidade festiva do Carnaval.

Onde assistir: Prime Video.

O Massacre da Serra Elétrica

O Massacre da Serra Elétrica foto 1
Crédito: Second Sight Films / Reprodução

Dirigido por Tobe Hooper, o clássico de 1974 redefiniu o horror rural ao acompanhar um grupo de jovens que cruza o caminho de Leatherface e sua família perturbadora no interior do Texas. Com estética quase documental e atmosfera sufocante, o filme constrói tensão a partir da vulnerabilidade e do isolamento. Além disso, a máscara feita de pele humana usada pelo vilão tornou-se um dos símbolos mais perturbadores do gênero, uma “fantasia” grotesca que transforma identidade em algo literal e macabro. A franquia se expandiu com diversas continuações e reinterpretações, mantendo viva a brutalidade crua do original.

Onde assistir: Mercado Play

Entre a Folia e o Medo

O Carnaval é uma das maiores expressões culturais do Brasil: celebração coletiva, música, fantasia, liberdade e aquele sentimento único de que, por alguns dias, o mundo funciona em outro ritmo. Surpreendentemente, o terror também trabalha com esses mesmos elementos, máscaras que escondem identidades, multidões onde qualquer um pode se misturar e a ideia de que o inesperado pode surgir a qualquer momento. No cinema, isso vira perseguição, suspense e sustos; na vida real, vira apenas mais uma boa história para contar depois.

Então curta o bloco, aproveite a festa e a maratona de filmes, mas com responsabilidade! Atenção aos seus pertences, cuidado com roubos e golpes, moderação na bebida e planejamento para voltar para casa em segurança. E claro… Evite encontrar qualquer “vilão” fora da tela, porque Ghostface, Michael Myers e Leatherface funcionam muito melhor no streaming do que no meio da multidão.

Foto da capa: Carnaval Sangrento. Crédito da capa: Divulgação