RPG de sobrevivência coloca o jogador no papel de um vampiro que precisa reconstruir seu castelo, recrutar seguidores e dominar um mundo sombrio em constante ameaça

Disponível em acesso antecipado no Steam, “Vampires: Bloodlord Rising” é um ambicioso RPG de sobrevivência que aposta na atmosfera gótica, progressão de longo prazo e na fantasia clássica de se tornar um verdadeiro senhor vampiro. Desenvolvido pela Mehuman Games em parceria com a Toplitz Productions, o título combina exploração noturna, construção de base, gerenciamento de servos e combate sobrenatural em um mundo aberto marcado por tensão constante.

Desde os primeiros minutos, “Vampires: Bloodlord Rising” deixa claro que não quer ser apenas mais um survival com skin sombria. O título aposta em uma fantasia de poder bem específica: você não é um sobrevivente comum, você é um vampiro tentando reconstruir um império. E essa diferença conceitual importa.

O jogador assume o papel de Dragos, um vampiro recém-desperto que encontra a região de Sangavia tomada por fanáticos, criaturas hostis e vilarejos desconfiados. A sobrevivência depende diretamente do sangue, recurso essencial para manter habilidades ativas, recuperar forças e até se transformar em morcego para atravessar grandes distâncias. Aqui, alimentar-se não é escolha estética, é mecânica central.

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Fantasia vampírica clássica

O jogo entende muito bem o apelo da fantasia vampírica clássica. Transformar-se em morcego, manipular magia sombria, sugar sangue para sobreviver, tudo isso está ali, mecanicamente integrado ao loop de gameplay. O sangue não é só recurso estético, é economia, combustível e risco. Ficar sem ele muda o ritmo da exploração e do combate.

O problema é que, apesar da premissa poderosa, o design ainda flerta demais com estruturas genéricas de survival crafting. Coleta de madeira, mineração básica, crafting progressivo, são sistemas competentes, mas pouco ousados. Em vários momentos, a experiência lembra outros títulos do gênero, e não algo verdadeiramente moldado pela identidade vampírica.

Há potencial para que o jogo abrace mais a assimetria moral e estratégica de ser predador em vez de sobrevivente. Hoje, ele ainda oscila entre essas duas propostas.

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Combate: impacto, mas pouca sofisticação

O combate é funcional, mas ainda carece de refinamento. Ele mistura ação direta com habilidades sobrenaturais, exigindo posicionamento, controle de grupo e administração cuidadosa de estamina e recargas. Confrontos podem escalar rapidamente, especialmente contra inimigos de elite, reforçando a ideia de que imortalidade não significa invencibilidade. As habilidades têm peso visual interessante, especialmente os ataques mágicos, mas o feedback de impacto poderia ser mais satisfatório. Falta aquele “clique” visceral que faz cada golpe parecer decisivo.

Os inimigos, por sua vez, cumprem papel mecânico, mas raramente surpreendem em comportamento. A IA tende a padrões previsíveis, e os confrontos mais difíceis são definidos por números (dano e resistência) mais do que por estratégia real.

Progressão e Construção de castelo

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A progressão é estruturada por uma árvore de habilidades arcanas que permite especializações distintas, incentivando estilos de jogo variados. Embora sólida em conceito, essa estrutura ainda demonstra sinais de ajustes típicos de um título em desenvolvimento.

Ainda assim, há mérito na progressão. A árvore de habilidades permite especializações distintas, o que abre espaço para builds mais agressivas ou focadas em controle e mobilidade. Se bem expandido, esse sistema pode se tornar um dos pilares mais interessantes do jogo.

A construção de castelo funciona como espinha dorsal da experiência. O jogador ergue muralhas, instala estações de criação, organiza recursos e recruta seguidores para executar tarefas como coleta e fabricação. Aos poucos, a jornada deixa de ser apenas sobrevivência e passa a envolver domínio e administração estratégica. A sensação de erguer muralhas, organizar estações de produção e estruturar um verdadeiro covil vampírico é satisfatória. O espaço deixa de ser apenas abrigo e passa a representar status e domínio territorial.

O recrutamento de servos adiciona uma camada estratégica relevante. Delegar tarefas cria um ciclo menos exaustivo e reforça a fantasia de comando, algo essencial para um “Bloodlord”. Esse sistema ainda precisa de melhor interface e clareza nos fluxos de produção, mas estruturalmente é sólido. É onde o jogo deixa de ser genérico e começa a ser autoral.

Atmosfera e Co-op

Visualmente, o mundo é convincente. Florestas enevoadas, vilarejos decadentes e iluminação noturna criam um clima consistente de fantasia gótica. A ambientação funciona melhor que muitos sistemas.

A trilha sonora, embora discreta, contribui para essa sensação de isolamento e ameaça constante. O jogo entende que vampiros não são espetáculos exagerados, são presença, sombra, tensão.

O jogo também oferece modo cooperativo para até quatro jogadores, com mundos persistentes e progresso compartilhado. A divisão de funções, construção, exploração e combate, altera significativamente o ritmo da experiência, tornando o início mais gerenciável e estratégico.

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Vale a pena jogar “Vampires: Bloodlord Rising”?

Visualmente, “Vampires: Bloodlord Rising” aposta forte na ambientação. Florestas enevoadas, arquitetura gótica e iluminação sombria evocam o imaginário clássico de vampiros. Ainda assim, como título em acesso antecipado, ele apresenta problemas claros de polimento. Interface pouco intuitiva, tutoriais limitados e pequenos bugs quebram a imersão. Nada catastrófico, mas suficiente para lembrar que o projeto está em construção.

Mesmo assim, o potencial é evidente. O jogo não reinventa o gênero, mas combina elementos conhecidos como sobrevivência, construção de base e narrativa guiada em uma proposta coesa para fãs de fantasia sombria. É um título que exige paciência, mas recompensa quem estiver disposto a crescer junto com seu desenvolvimento.

A questão central é: a equipe vai aprofundar o que o torna único ou apenas ajustar números e balanceamento? Se investirem em sistemas políticos, influência territorial, manipulação social e decisões morais, o jogo pode sair da sombra de outros survivals e ganhar identidade própria. Se não, corre o risco de permanecer competente, porém esquecível.

Dessa forma, Vampires: Bloodlord Rising” é um projeto ambicioso com base sólida, mas ainda em busca de maturidade. Ele acerta na atmosfera e na fantasia de poder, encontra força real na construção de castelo, mas precisa ousar mais para se diferenciar dentro de um gênero saturado.

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