Alerta: a matéria a seguir fala de Gisèle Pelicot, que foi vítima de vários tipos de violência. Se você é sensível a esse tipo de leitura, não prossiga, ou prossiga com cautela.
“Hino à vida” tem previsão de lançamento nacional em 24 de fevereiro de 2026
Desde já, o lançamento de “Hino à vida”, autobiografia de Gisèle Pelicot, desponta como um dos acontecimentos literários mais importantes de 2026. O livro carrega um peso histórico: a narração da mulher que transformou a discussão sobre violência sexual.
Em 2024, Gisèle Pelicot assumiu publicamente sua identidade no processo contra o ex-marido e os cinquenta homens acusados de violentá-la. Esse gesto de coragem mobilizou e emocionou milhões de pessoas ao redor do mundo. Então, agora ela conta com sua própria trajetória em um testemunho por justiça e dignidade.
O lançamento da obra será em fevereiro de 2026 pela editora Companhia das Letras e já está disponível para pré-venda.
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A voz de Pelicot

“Hino à vida” propõe ser uma mistura de memórias com um manifesto, com uma escrita profunda e humana. Gisèle Pelicot reconstrói sua jornada da infância ao casamento de cinco décadas, passando pelo momento que mudou sua história: o telefonema que deu início às investigações sobre os abusos cometidos por seu então marido, Dominique Pelicot.
Gisèle narra como descobriu ter sido drogada e estuprada ao longo de anos. Além disso, o crime foi agravado pela participação de dezenas de homens, e como, diante do inimaginável, encontrou força para sobreviver, reivindicar justiça e recuperar a própria vida. Porém, o livro não se limita à reconstituição dos fatos. Ele oferece acolhimento, esperança e um ponto de virada no debate público sobre abuso, consentimento e vergonha.
Ao afirmar que “a vergonha precisa mudar de lado”, Gisèle desloca o eixo moral da discussão, retirando o peso que por tanto tempo recaiu sobre vítimas e apontando com clareza para os verdadeiros responsáveis.
“Hino à vida” representa uma vitória simbólica e concreta para a luta das mulheres no mundo inteiro. É um relato que reafirma a força de uma sobrevivente, cuja voz ecoa muito além das páginas.
O caso de Gisèle Pelicot
O caso de Gisèle Pelicot se tornou um marco na história recente da França e do mundo. Em 2024, ela renunciou ao direito ao anonimato e se apresentou publicamente como vítima de um esquema de estupro em massa orquestrado por seu ex-marido. Gisèle deu um passo que mudou não apenas sua vida, mas o modo como a sociedade enxerga crimes de violência sexual. Ao longo de uma década, ela foi dopada e abusada repetidas vezes, num crime que levou à condenação de 51 réus.
A decisão de colocar seu nome e seu rosto à frente do processo judicial comoveu milhões de pessoas e impulsionou um movimento global de solidariedade, indignação e mudança. Gisèle se tornou símbolo de coragem e transformou sua história individual em uma causa coletiva: combater o silêncio, enfrentar a culpa imposta às vítimas e reivindicar um novo entendimento sobre consentimento.
A publicação de “Hino à vida” sela esse percurso, não como encerramento, mas como continuidade. Ao compartilhar sua história com o mundo, Gisèle Pelicot reafirma que a justiça não nasce apenas nos tribunais, mas também na palavra dita, escrita e reivindicada. E é nesse gesto que reside sua maior inspiração: a convicção de que contar a verdade, mesmo quando dolorosa, é um ato capaz de transformar vidas, debates e futuros.
Créditos imagens de capa: Clément Mahoudeau / AFP e Companhia das Letras.
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