Imagine a sensação de receber uma ligação informando que não só sua filha foi sequestrada, mas também que, para salvá-la, você precisa sequestrar o filho de alguém. Essa é a premissa de A Corrente, de Adrian McKinty.

Ao longo das 378 páginas, o thriller conta a história de pais desesperados que fazem de tudo para salvar seus filhos, até que um incidente muda toda a cadeia da Corrente.

A Corrente

Rachel é uma mulher comum, uma mãe como muitas outras ao redor do mundo. Em uma manhã, após deixar Kylie, sua filha de 13 anos, no ponto do ônibus, ela recebe uma ligação de um número desconhecido. Uma mulher avisa que Kylie foi sequestrada e que Rachel precisa sequestrar outra criança e pagar um resgate para ter a filha de volta.

A mulher em questão também é uma mãe que teve o filho sequestrado, e a segurança do garoto depende do sucesso de Rachel em cumprir sua parte. Assim, Rachel se torna mais um elo da Corrente, um esquema que faz com que os próprios pais se tornem sequestradores e realizem todo o trabalho sujo, enquanto aqueles por trás do plano enriquecem sem esforço.

No entanto, apesar de estar desesperada para resgatar a filha, Rachel passou por muito mais do que os criadores da Corrente podem imaginar. Em uma sucessão de eventos, ela pode ser justamente aquilo que eles mais temiam.

O poder do amor

A Corrente é um thriller eletrizante em que o amor de uma mãe é colocado à prova mais de uma vez. O livro trabalha muito bem o conflito moral: não existe escolha correta, apenas a menos cruel. A cada decisão tomada por Rachel, o leitor se vê diante da mesma pergunta, até onde você iria para salvar quem ama?

Ao mesmo tempo, a narrativa constrói uma tensão constante ao mostrar que ninguém ali é realmente inocente depois de entrar no esquema. A Corrente não sequestra apenas crianças, mas também a consciência de cada pai envolvido, transformando vítimas em cúmplices e deixando claro que escapar pode ser ainda mais perigoso do que obedecer. O esquema transforma qualquer pessoa em algo que ela nunca quis ser e o desespero se faz presente o tempo inteiro.

O mais angustiante é perceber que Rachel nunca realmente tem escolha. A cada passo ela só tenta continuar viva e manter a filha viva também, e isso muda completamente a forma como a gente enxerga tudo. Não dá vontade de julgar, a narrativa deixa claro que a verdadeira violência está na existência da Corrente, não nas escolhas dos pais.

Impressões sobre o livro

Suspense é meu gênero favorito e esse não decepcionou em nada. O livro começa com um ritmo acelerado e, apesar de diminuir em alguns momentos, consegue manter bem o clima de tensão. Já no primeiro capítulo o leitor consegue sentir o desespero de Rachel e até onde ela é capaz de chegar para salvar a própria filha.

As reviravoltas da trama, apesar de serem um pouco óbvias, funcionam e completam o arco da leitura de uma maneira que é impossível não se ver preso às páginas, quase sentado na beirada do sofá, tão desesperado quanto Rachel.

O livro amarra todas as pontas e deixa o leitor com aquela sensação inquietante de que a história poderia acontecer no mundo real, e talvez seja isso que mais assusta.

Imagem de capa: Amazon