Escrito pelo médico cirurgião plástico e autor, José Roberto da Costa Pereira, “Overdone: A beleza que mata” retrata uma sociedade tomada pelo culto à beleza. O botox deixou de ser uma alternativa e passou a ser um passo quase obrigatório na busca pelo corpo perfeito.
Ao longo das páginas, conhecemos Roberto. Conhecedor da toxina botulínica, ele se torna um homem ressentido pelas escolhas que fez e pela sociedade em si. Assim, Roberto decide que a melhor coisa a se fazer é destruir a humanidade usando aquilo que ela mais preza: a vaidade.
Overdone: A beleza que mata
Roberto Dias é um homem perturbado pelos traumas do passado. Com uma mente brilhante, ele fica cada vez mais chocado com os rumos da sociedade no que diz respeito à estética. Em um mundo em que todos buscam a perfeição, Roberto enxerga esse fato como um culto, como uma celebração ao que não importa de fato.
Assim, ele traça um perigoso plano para transformar a beleza artificial em uma arma fatal. Usando a toxina botulínica, Roberto cria o maior atentado bioterrorista da história. Para isso, ele reúne um tipo de peso ao redor do mundo para garantir que a humanidade seja liquidada.
Em todos os países participantes, ele escolhe pessoas ligadas à ciência e que não têm nada a perder. Aqueles que também se sentem ressentidos pelos rumos que tomamos, pessoas com motivações tão fortes quanto às dele e com a capacidade de dar início ao fim da humanidade.
A motivação de Roberto Dias
Roberto é um personagem dúbio. Ao mesmo tempo em que critica a sociedade por sua necessidade exacerbada de procurar por procedimentos estéticos, ele também não deixa a própria vaidade de lado. Ainda que seja bem inteligente e articulado, ele também é um personagem complicado de gostar. Machista, egocêntrico e ressentido pelas escolhas do passado, ele tem motivações questionáveis.
Na realidade, o motivo por trás de todo o plano é pouco trabalhado ao longo da narrativa. Roberto fala muito sobre curiosidades, expõe seus conhecimentos em diversas áreas e o atentado acaba ficando em segundo plano em alguns momentos. No entanto, ele não esconde sua vaidade durante todas as etapas.
Na primeira parte do livro, Roberto defende suas ideias com unhas e dentes, mas, por mais que ele passe boa parte do livro defendendo seus ideais e criando um grande plano, ele também passa a questionar se está correto. Porém, ele se sente poderoso a cada conquista.
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Impressões sobre o livro
“Overdone: A beleza que mata” não é uma leitura fácil. Roberto é um personagem muito inteligente, porém ele faz questão de demonstrar esse conhecimento contando fatos que não agregam muito à história. Viajando por diversos destinos, ele sempre encontra uma forma de inserir curiosidades sobre o local, no entanto, essas se estendem por muito tempo e acaba ficando cansativo acompanhar a jornada, já que ela fica em segundo plano durante esses momentos.
Roberto ainda é um personagem com falas questionáveis. A forma como descreve algumas personagens é extremamente machista. Vale ressaltar também que, entre os participantes do plano, a única pessoa que parece estar nervosa e faz com que ele se preocupe é uma mulher. Apesar de ter um final que deixa bem claro o futuro da operação, o livro também deixa espaço para uma continuação.
Imagem de capa: Reprodução Amazon
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