Finalmente chegou a hora de conhecer a Universidade de Briar! A 1ª temporada da série Off Campus: Amores Improváveis chegou ao Prime Video e provou mais uma vez o porquê de o streaming agora ser considerado a casa das adaptações.

Baseada no universo criado por Elle Kennedy, a série traz uma história repleta de romance, comédia, drama e hóquei no gelo. Com uma fórmula que remete às produções queridinhas dos anos 2000, a adaptação literária consegue manter a essência do livro, mesmo com as mudanças na trama. Não é à toa que a série está no Top 1 em diversos países do mundo, né?

Enredo com a essência dos livros

A 1ª temporada da série se baseou – em grande parte – nos acontecimentos do primeiro livro do universo escrito por Kennedy, “O Acordo”. A história foca no romance de “mentira” entre uma estudante de música, Hannah Wells (Ella Bright), e o astro do time de hóquei, Garrett Graham (Belmont Cameli).

A cena de abertura da série foi uma escolha acertada, com foco em mostrar que ambos viviam no mesmo ambiente, apesar de viverem em mundos opostos. E, assim como nos livros, temos o momento fatídico que muda tudo: quando Garrett recorre a Hannah para ajudá-lo em uma matéria de filosofia. No início ela recusa, mas o capitão do time de hóquei consegue convencê-la ao fazer uma oferta: ela ajuda ele com os estudos e ele ajuda ela a conseguir o cara que ela gosta.

Apesar de ser um clichê, o que diferencia a série é a forma como o casal desenvolve o relacionamento. Eles começam sendo estranhos, se tornam amigos que confiam um no outro e depois percebem que o sentimento é muito mais profundo. As questões e traumas pessoais deles os conectam de uma forma que envolve o telespectador.

A trama vai muito além do romance, mas retrata amizade e possui vários momentos divertidos (como a “morte” de Bernardo). O telespectador fica com a sensação de que os personagens são uma família, pois vivem momentos tristes e felizes juntos. Há brigas, momentos de tensão e situações cômicas, tudo isso na medida certa. Lembra muito as séries do início dos anos 2000, até mesmo na abertura e na escolha da trilha sonora.

Ella Bright e Belmont Cameli como os protagonistas da 1ª temporada de Off Campus
Ella Bright e Belmont Cameli como os protagonistas da 1ª temporada de Off Campus. Crédito: Divulgação/ Prime Video

Os traumas estão presentes

O trailer não mostrava um ponto importante presente nos livros: os traumas vividos por Garrett e Hannah. Mas eles foram retratados em cena de uma forma sensível e impactante.

Desde o primeiro episódio, o telespectador é apresentado a flashbacks sobre o passado dos protagonistas. Fica subentendido (para quem não leu o livro) que existe uma questão ali, que vai sendo desenvolvida e apresentada com mais elementos ao longo dos episódios.

A forma como abordam o abuso sexual sofrido por Hannah e o pânico que ela sente ao ver seu abusador, mesmo que seja por foto, faz com que o telespectador consiga sentir o que a personagem está vivendo. Ela já está na fase da superação, mas é impossível deixar o trauma para trás. Existe um duelo, porque Hannah quer resgatar a menina que ela era antes do crime, mas ainda se sente culpada pelo ocorrido.

Uma das cenas mais emocionantes da série é quando ela conta o ocorrido para a melhor amiga, Allie Hayes (Mika Abdalla), explicando o motivo por não beber em público. Além disso, temos a conversa que ela tem por telefone com a mãe, que mostra o apoio que ela tem dos pais em relação ao crime que sofreu. Talvez a cena que tenha a pior construção sobre o tema seja a que ela conta para Garrett, mas faz sentido por Hannah querer focar no que deseja sentir no presente.

Já a questão de Garrette é outra. Ele sofreu agressões do pai durante a infância e presenciou as agressões que a mãe sofria. Existe um receio dele nas comparações com o pai, que é uma lenda do hóquei, e essas questões surgem quando ele vai conversar com a namorada do pai dele após ver o pulso dela machucado. Também acontecem quando Hannah briga com ele por ter entrado em uma briga com o cara que a abusou. Tanto que esse último acontecimento é o motivo para o término deles no sétimo episódio, fato que é bem diferente do que ocorre nos livros.

Mudanças que fazem sentido

Como toda adaptação, há mudanças na história. Porém, o acerto é deixar a “espinha dorsal” do mesmo jeito que os fãs dos livros conhecem. Afinal, a produção quer agradar os fãs antigos, que amam os livros, e atingir fãs novos, que não conhecem a história. E, vamos concordar que existem situações das páginas que ficariam estranhas no audiovisual.

Existe a questão de Garrett convencer Hannah a ajudá-lo (que é mais rápida que na adaptação), o acordo do relacionamento falso para gerar ciúmes no Justin Khol (Josh Heuston) – que aqui é um músico e não um jogador de futebol americano como nos livros – , a construção de confiança entre Garrett e Hannah… Talvez a situação que teve mais impacto para os leitores tenha sido a forma como o término acontece. No entanto, o roteiro é construído de uma forma tão completa que faz com que a situação tenha sentido (e seja mais verídica com a realidade).

O livro foca na visão de Garrett e Hannah, mas na série vemos o desenvolvimento dos outros personagens, que vão ganhar seu próprio protagonismo no futuro. E, apesar de existirem momentos focados nesses outros personagens, a trama não tira o brilho do casal principal. A narrativa não fica cansativa e consegue criar uma expectativa para o telespectador terminar o oitavo episódio desejando ver uma nova temporada.

Logan (Antonio Cipriano), Dean (Stephen Thomas Kalyn), Tucker (Jalen Thomas Brooks) and Garrett (Belmont Cameli) em Off Campus: Amores Improváveis
Logan (Antonio Cipriano), Dean (Stephen Thomas Kalyn), Tucker (Jalen Thomas Brooks) and Garrett (Belmont Cameli) em Off Campus: Amores Improváveis. Crédito: Divulgação/Prime Video

Personagens além do casal protagonista

John Logan (Antonio Cipriano), o melhor amigo e colega de time de Garrett, ganha espaço durante a temporada e podemos identificar que ele possui sentimentos por Hannah, assim como nos livros. Além disso, podemos ver que ele trabalha duro para se manter na faculdade e também temos os embates interessantes com o melhor amigo, rendendo a cena emocionante em que ele tira Garrett do meio da briga com o abusador de Hannah.

Logan é irmão do meio, tendo Jules (Julia Sarah Stone) – personagem não-binária criada para a série – para ocupar o posto de caçula. Jules comanda uma página de fofoca do time de hóquei da Briar e é a pessoa responsável por tentar unir o irmão mais com a mãe, que está na reabilitação.

Em contrapartida, John Tucker (Jalen Thomas Brooks) talvez seja o protagonista dos quatro livros que menos teve desenvolvimento, mas serviu como alívio cômico na temporada. Por ser o mais jovem do grupo, ele sempre está tentando se provar e ganhar respeito do grupo de amigos.

O personagem coadjuvante que mais ganhou destaque (em relação aos livros) é Beau Maxwell (Khobe Clarke). Ele não é protagonista de nenhuma obra de Elle Kennedy, mas os roteiristas acertaram ao desenvolver a relação de Beau com os jogadores de hóquei, em especial com Dean Di Laurentis (Stephen Kalyn). É um ponto que pode ter mais destaque no futuro…

Surpresa! Tem mais história acontecendo além da principal…

O roteiro surpreende ao apresentar um outro romance além do que acontece entre Hannah e Garrett. Se existia uma ideia de que a adaptação de “Off Campus” seguiria o estilo “Bridgerton”, de que cada temporada seria focada em um casal, descobrimos que o terceiro livro, “O Jogo” já foi introduzido nesta temporada.

O relacionamento de Allie e Sean (Riley Davis) é apresentado como um romance de idas e vindas. O público entende um pouco a dinâmica da relação quando ela termina (mais uma vez) após ele não apoiar o sonho dela. Então, ela segue os passos que ele disse que ela faria até voltar para ele. Mas dessa vez é diferente, porque Dean aparece.

E, assim, temos o início da história do casal do terceiro livro. Dean e Allie ganham um episódio focado neles, cheio de cenas do livro que são protagonistas, como a cena da banheira, Mas isso não tira o foco total de Garrett e Hannah, que protagonizam a cena do “eu te amo” no mesmo episódio.

A introdução da trama de Allie e Dean é um acerto, porque gera uma curiosidade para o público, que fica desejando saber o que vai acontecer na próxima temporada. Eles ganham espaço na medida certa e geram uma curiosidade em quem assiste, porque o romance acontece escondido dos amigos.

Mika Abdalla e Ella Bright em cena da 1ª temporada de Off Campus.
Mika Abdalla e Ella Bright em cena da 1ª temporada de Off Campus. Crédito: Divulgação/ Prime Video

O que esperar da 2ª temporada de “Off Campus: Amores Improváveis”?

A temporada termina com uma briga generalizada no Malone’s, local em que Hannah e Allie trabalham. Esse tipo de final gera bastante expectativa para a próxima temporada. A segunda temporada já foi confirmada e as gravações estão previstas para iniciar nas próximas semanas. 

Hannah e Garrett continuaram presentes e podem render ainda muitas cenas ao lado dos amigos, porque tem muita coisa para desenvolver ainda do casal. Há algumas pontas soltas.

A música foi um tema presente nessa temporada, mas deve perder um pouco de espaço nas próximas. Porém, a trilha sonora foi um acerto, porque não teve grandes hits atuais, e deve seguir a mesma linha nas próximas temporadas. Com menção honrosa para mais músicas do One Direction, que foi citado no primeiro episódio e apareceu com um cover de “Kiss You”.

Se a série seguir com a essência dos livros, uma estética das produções dos anos 2000, e criar enredo para continuar introduzindo as demais histórias dos livros, tem tudo para ser sucesso. Não é à toa que a produção escolheu apresentar Hunter Davenport (Charlie Evans), um dos protagonistas do spin-off dos livros “Briar U”, logo na primeira temporada.

Os oito episódios da 1ª temporada de “Off Campus: Amores Improváveis” já estão disponíveis no Prime Video.

Imagem de capa: Divulgação/Prime Video

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