Nova fase da série “Paradise” aposta em expansão pós-apocalíptica, porém enfrenta problemas de estrutura e excesso de tramas paralelas

A segunda temporada de “Paradise” abandona o formato fechado que marcou seu primeiro ano. A proposta muda. Sai o thriller político concentrado em um bunker, entra um drama pós-apocalíptico mais amplo. A série cresce em escala, no entanto, enfrenta dificuldades para sustentar essa expansão.

Criada por Dan Fogelman, a produção mantém o foco em relações humanas. Ainda assim, a nova temporada troca a coesão por ambição. O resultado é irregular: há momentos fortes, mas falhas estruturais que comprometem a experiência.

Expansão narrativa e perda de unidade

A nova temporada começa fora do bunker. A introdução de Annie, interpretada por Shailene Woodley, amplia o universo da série. O primeiro episódio aposta em uma narrativa isolada. Funciona, é criativo, e apresenta o impacto do apocalipse de forma direta. Em seguida, a trama retorna a Xavier (Sterling K. Brown). Ao mesmo tempo, o roteiro acompanha diversos núcleos. O bunker segue ativo. Conflitos políticos continuam. Sinatra, interpretada por Julianne Nicholson, ganha mais espaço. Outros personagens também avançam.

Review de Paradise
Enuka Okuma e Sterling K. Brown | Crédito: Reprodução/IMDB

No entanto, o excesso de histórias compromete o ritmo, porque são muitas linhas narrativas para serem abertas, bem explicadas e coerente com a história. Oito episódios não sustentam essa estrutura, personagens surgem e desaparecem. Annie é o principal exemplo, sua trajetória começa forte, mas depois se perde um pouco. A trama nos entrega uma boa personagem com um final coerente, gostando ou não dele. Mas ficou aquele gostinho de “quero mais”.

Além disso, apesar de a série nos apresentar alguns mistérios, a falta de um grande mistério central enfraquece a condução da narrativa. A resposta para “quem é Alex” vem, mas faltou impacto. A primeira temporada tinha um eixo claro, agora, a série se fragmenta. O enredo avança em várias direções. Nem todas chegam a um desfecho satisfatório.

Emoção em alta, coerência em queda

Apesar de algumas questões narrativas, a série mantém sua principal característica. O foco emocional segue presente. Relações humanas continuam no centro. O roteiro explora perdas, reencontros e sobrevivência. A estrutura com duas linhas temporais se repete. Passado e presente se conectam, em alguns momentos isso funciona. Revelações surgem de forma orgânica e pequenos detalhes constroem viradas relevantes. Ainda assim, o uso constante de flashbacks afeta o ritmo.

James Marsden
James Marsden em Paradise | Crédito: Reprodução/IMDB

Outro ponto é a construção de tensão. A temporada aposta em grandes reviravoltas. No entanto, levanta mais perguntas do que respostas. Isso gera frustração, pois parte das tramas não evolui, enquanto outras terminam sem conclusão, deixando possíveis respostas para uma 3ª temporada.

Problemas de lógica também aparecem. Decisões dos personagens nem sempre fazem sentido. Situações-chave carecem de explicação. Com o tempo, essas inconsistências se acumulam e o impacto geral diminui.

Produção e atuações sustentam a experiência

Mesmo com falhas no roteiro, a produção mantém qualidade técnica. A direção trabalha bem os ambientes, a fotografia reforça o clima pós-apocalíptico e a edição organiza múltiplas histórias de forma funcional. O elenco segue como ponto forte. Sterling K. Brown conduz a narrativa com consistência. Julianne Nicholson mantém presença em cena. E a participação de James Marsden também contribui para a continuidade do universo da série.

Além disso, a trilha sonora mantém a proposta da primeira temporada. Canções conhecidas são usadas de forma direta. Em alguns casos, reforçam o impacto emocional. Em outros, soam repetitivas.

Review da 2ª temporada de Paradise
Enuka Okuma e Cameron Britton | Crédito: Reprodução/IMDB

Vale a pena assistir “Paradise”?

A segunda temporada de “Paradise” assume riscos, amplia o universo, introduz novos personagens e expande o conflito. No entanto, não sustenta todas as ideias. A série perde foco e o excesso de tramas prejudica a coesão. Com isso, a narrativa se torna dispersa. Ainda assim, mantém momentos relevantes, principalmente quando retorna ao seu núcleo emocional.

No balanço geral, a temporada entrega uma experiência envolvente e funciona no impacto imediato, mas perde força na análise mais profunda. A ambição supera a execução.

Vale assistir para quem acompanhou a primeira temporada. A continuidade dos personagens sustenta o interesse. No entanto, o resultado final é menos consistente. A série continua relevante, mas perde parte da força inicial.

Imagem de capa: Anne Marie Fox/Disney