O lançamento de Call of Duty: Black Ops 7 chegou ao mercado cercado de expectativa, e também de polêmicas, especialmente por ter sido lançado apenas um ano depois do título anterior, em mais um ciclo acelerado da franquia. Apesar do hype inicial, o jogo rapidamente se tornou alvo de diversas polêmicas. Entre os principais pontos negativos estão os problemas na campanha single player, falhas recorrentes no multiplayer, bugs diversos e uma série de decisões de design que dividem a comunidade.

Para piorar a recepção, o jogo chamou atenção pelo uso de Inteligência Artificial generativa em elementos visuais, como artes promocionais, recompensas e telas internas. Mas será que mesmo com esse tanto de polêmica, o novo jogo conseguiu trazer algo de inovador para a franquia?

Tivemos a honra de receber da Activision um código para avaliação da versão de Call of Duty®: Black Ops 7 – Vault Edition para Playstation 5 para realizamos este review. As desenvolvedoras são Treyarch e Raven Software.

Call of Duty®: Black Ops 7 – Vault Edition traz o pacote Cross‑Gen de Call of Duty®: Black Ops 7, BlackCell (Temporada 1), 4
Inclui: Battle Pass, 20 Saltos de nível, 1.100 CP e muito mais. Além disso tem a Coleção de Operador, 4 skins de Operador: Harper, Karma, T.E.D.D. e Reaper EWR‑3, Mastercraft Collection, Cinco armas Mastercraft, Pacote Ultra GobbleGum para Zumbis, 8 GobbleGums de Ultra raridade e Token de Desbloqueio Permanente para Black Ops 7.

Modo Campanha

Call of Duty Black Ops 7 foto gameplay
Crédito: Activision / Gameplay

O jogo acontece no ano de 2035 e o mundo está à beira do caos, devastado por conflitos violentos e guerra psicológica após os eventos de Call of Duty®: Black Ops 2 e Call of Duty®: Black Ops 6. Raul Menendez retorna com um aviso arrepiante transmitido pela televisão. Enquanto sua ameaça ecoa pelo mundo, a Guild, uma gigante global da tecnologia, jura intervir e proteger a humanidade.

Em busca de suas próprias respostas, David Mason lidera uma equipe de elite do JSOC em uma missão secreta na extensa cidade mediterrânea de Avalon. Lá, eles descobrem uma trama sofisticada que não apenas mergulhará o mundo no caos, como também os arrastará para seus próprios passados ​​assombrosos.

Surpreendentemente, a campanha de BO7 abandona a típica guerra realista e se joga mais no terror “bio-químico, com zumbis e terror psicológico”. Isso dá ao jogo uma cara nova, mais próxima de horror cooperativo do que estilo “guerra moderna”. Assim, o jogo dá uma virada de chave e agrada quem estava enjoado do padrão de tiro desde o primeiro Modern Warfare. A sensação é de que o jogo foi mais para o lado de jogos de terror como Resident Evil, mas mantendo a jogabilidade frenética do COD. Talvez essa seja o maior ponto positivo do jogo.

Campanha problemática: online, sem pausa e sem checkpoints

O maior problema de Black Ops 7, na minha opinião, é a campanha ser 100% online, sem possibilidade de pausar. Isso irrita quem prefere jogar no seu ritmo. Se você precisar de sair da sessão devido a uma emergência, terá que começar a missão novamente. Para quem joga solo, é pior ainda. A falta de substituindo companheiros prejudica muito a jogablidade. Temos somente o protagonista falando sozinho, quebrando a imersão.

Multiplayer e modo Zumbis seguem fortes

Call of Duty Black Ops 7 foto gameplay 3
Crédito: Activision / Gameplay

Outro ponto positivo em Black Ops 7 é que o multiplayer tradicional e o modo Zumbis mantêm o mesmo brilho. Com novos mapas, variedade de armas e dinamismo, o jogo continua garantindo a adrenalina clássica da franquia.
Além disso, o sistema de progressão compartilhado entre campanha, multiplayer e Zumbis me agradou bastante, trazendo recompensas e skins que podem ser utilizadas entre os modos.

O SBMM (matchmaking por habilidade) era o padrão do CoD. Você entrava numa partida e o “supercérebro” da Activision te jogava contra gente mais ou menos do seu nível. Isso deixava tudo equilibrado. Quem odiava o SBMM dizia que você nunca sabia se realmente era bom, porque o sistema te segurava numa zona de conforto eterna. Jogou bem? Era puxado pra cima. Jogou mal? Caía. E você nunca tinha uma noção clara de onde estava na “pirâmide alimentar” dos jogadores.

Mudanças nas regras

Este ano, a Treyarch mudou a regra: os lobbies onde a habilidade quase não importa viraram o padrão, mas o SBMM ainda existe escondido ali no menu, pra quem quiser. O problema? A maioria dos jogadores nem sabe disso, o que explica muita gente achando que “ficou ruim do nada”.

Jogando nos dois modos, a diferença é grande. Sem SBMM, às vezes você cai num lobby cheio de jogadores fracos que você atropela sem piedade. Mas, na maior parte do tempo, você vira o jogador fraco tentando fazer alguma coisa. O lado bom é que dá para alternar entre os dois estilos. O lado ruim é que o modo sem SBMM como padrão tem causado mais desistências e frustrações, já teve partida que terminou com seis contra um. Clássico caos CoD. No fim das contas, não acho que permitir um modo sem SBMM seja realmente um erro. O problema foi tornar isso o padrão.

Call of Duty Black Ops 7 foto gameplay 2
Crédito: Activision / Gameplay

Vale a pena jogar Call of Duty: Black Ops 7?

Ao fugir da guerra tradicional e abraçar o mundo do terrror com zumbis, o jogo pode dividir o público. Alguns fãs mais antigos podem achar que BO7 abandonou o que fez Call of Duty ser relevante como as guerras modernas, conflito realista e a narrativa de ação. particularmente eu gostei do investimento no terror. Foi uma tentativa de fugir do padrão e não fazer mais do mesmo. Entretanto se você comprou o jogo esperando algo “clássico”, pode se sentir traído pela direção de arte e narrativa.

Nas minhas partidas, percebi alguns bugs na câmera em terceira pessoa e falhas de interface. A sensação ao jogar é de que o jogo foi feito sem refinamento em algumas partes. Como se a Activision tivesse que lançar uma nova versão do jogo a cada ano, tipo efeito jogos de futebol. Alguns modos alternativos fogem do foco e parecem mais uma adaptação do que uma expansão criativa. Talvez se BO7 fosse lançado como um spinoff ao invés de uma continuação direta da franquia, funcionasse melhor.

Por fim, Call of Duty: Black Ops 7 é um jogo bom, mas fica aquele sentimento de que poderia ser melhor. O Uso de IA, o lançamento 1 ano após o BO6, que foi o melhor da franquia e a obrigatoriedade de jogar online fizeram com que o jogo perdesse um pouco de seu brilho. Talvez em atualizações futuras isso seja corrigido, mas como a primeira impressão que vale, a experiência não foi tão positiva quanto o esperado.

Imagem da capa: Activision / Divulgação