Acho que já podemos admitir que Demolidor: Renascido é uma série ruim
O episódio “Arte pela Arte” de Demolidor: Renascido foi uma grande decepção. Após uma dobradinha de episódios que reacendeu a esperança de que a temporada finalmente deslancharia, o que foi entregue ao público não passou de um roteiro preguiçoso e mal estruturado.
O episódio recorre ao didatismo extremo e a sequências sem peso dramático, tornando-se uma narrativa sem sentido que finge ser violenta e pesada, mas que, na realidade, se resume a uma trama cansada e repetitiva. Além disso, desperdiça linhas narrativas e, mais grave ainda, um personagem com grande potencial.
Entre os momentos mais inverossímeis, destaca-se a aparição conveniente do Demolidor no esconderijo de Muse logo após a saída da polícia e sua entrada pela janela do consultório sem ser notado por ninguém. Mas o pior erro do episódio foi a construção da Dra. Heather Glenn. Ela parece ser a única psicóloga de Nova York, atendendo tanto Wilson Fisk e Bastian Cooper (Hunter Doohan) quanto sendo namorada de Matt Murdock. Essa coincidência forçada só evidencia a falta de direção da temporada. Que parece perdida entre preservar a essência da série original e se adaptar às mudanças da nova produção. Personagens como Foggy e Karen foram descartados sem cerimônia, substituídos por coadjuvantes pouco desenvolvidos. Como, por exemplo, a sócia de Matt e a própria Heather, cuja principal função foi servir de “dama em perigo” em uma sequência de ação apressada.

A grande revelação sobre Muse foi frustrante, sem qualquer impacto real. A cena no consultório de Heather, repleta de diálogos expositivos que explicam de forma redundante o passado do vilão, foi mal executada. Além disso, a luta final, com uma resolução previsível, eliminou Muse de maneira anticlimática, desperdiçando um antagonista que poderia ter um aproveitamento muito melhor. Para completar, a identidade do Demolidor continua sendo um problema. É inacreditável que Heather e a futura Tigressa Branca não o tenham reconhecido, mesmo com sua máscara sem disfarce convincente e as lentes vermelhas idênticas aos seus óculos.
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A introdução de Fisk no episódio chegou a trazer um momento promissor, com um sorriso sugestivo que poderia indicar uma virada interessante. No entanto, essa possibilidade acabada rapidamente soterrada pelas inconsistências do roteiro. A cena em que Fisk reinterpreta os eventos da ação, ignorando completamente que a vítima de Muse estava viva e poderia desmentir sua versão, é um dos muitos exemplos de furos narrativos que comprometem a credibilidade do episódio.

No fim, a expectativa para Demolidor: Renascido se transforma em frustração. A temporada falha em construir uma narrativa sólida e coerente, apostando em soluções fáceis e conveniências artificiais. Mesmo analisando o episódio sob a perspectiva da “arte pela arte“, sua estética não compensa a falta de substância. A única ressalva positiva fica por conta dos figurinos de Muse e Demolidor, além da atuação sempre competente de Vincent D’Onofrio. Porém, até mesmo o epílogo, ambientado em um cenário que remete ao restaurante de “O Poderoso Chefão”, carece de qualquer charme ou construção dramática, encerrando um episódio que poderia ter sido muito mais impactante.
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