Um gato celestial, poderes estelares e travessias exigentes compõem uma aventura em que a dificuldade nem sempre se traduz em satisfação.

Desenvolvido e publicado pelo estúdio brasileiro Flying Frog Studios, Tom’s Last Adventure acompanha um gato celestial que precisa atravessar obstáculos para chegar ao seu novo lar. É um jogo de plataforma 2D de precisão brutal, com travessias que demandam reflexos, domínio dos comandos e disposição para morrer e tentar novamente. Um dash errado e você está morto.

Tom morreu 296 vezes para a construção dessa review.

O visual está entre os primeiros destaques do jogo. A paleta escura e o protagonista, um gato preto, despertam interesse pela proposta, especialmente para quem gosta de gatos. Entretanto, a simpatia pelo personagem dá lugar a uma jornada que exige persistência a cada passagem.

O teste foi realizado em dias e horários diferentes, para avaliar se o cansaço influenciava as tentativas. Mesmo com as pausas, a sensação de desgaste permaneceu.

Precisão e poderes estelares

Além do pulo e do dash, Tom conta com poderes que alteram suas possibilidades de movimento. A estrela branca revela caminhos escondidos no escuro, a azul oferece um salto extra no ar e a verde permite lançar uma esfera e se teleportar até ela. Espelhos espalhados pelo mapa também transportam o protagonista ou a esfera.

Essas habilidades precisam ser combinadas ao longo dos percursos. As passagens reveladas pela estrela branca ficam visíveis por poucos segundos, exigindo a memorização do caminho e a execução dos movimentos. Nos trechos testados, gastar o clarão sem conseguir atravessar significava reiniciar a tentativa para coletá-lo novamente.

Sala escura com plataformas estreitas, espinhos vermelhos e elementos verdes.
A sala reúne plataformas, espelhos e obstáculos no caminho de Tom. Imagem: captura de tela da autora.

No início, repetir as seções para aprender a resolvê-las foi divertido. Com passinhos de bebê, o progresso aparecia pouco a pouco. Entretanto, após várias mortes, essas sequências se tornaram cansativas, principalmente quando era necessário refazer ações já aprendidas para voltar ao obstáculo que ainda precisava ser superado.

No teclado, pulo, poder, dash e teleporte ficam distribuídos entre X, Z, C e V. A proximidade das teclas exigiu uma adaptação que se somou à dificuldade das fases. Durante o teste, houve trocas de comandos em momentos que pediam respostas rápidas: a intenção era pular, mas um dash enviado por engano levava Tom rumo ao rio vermelho da morte.

O jogo não oferece remapeamento de teclas. As únicas configurações disponíveis são os volumes da música e dos efeitos sonoros, deixando de fora a possibilidade de reorganizar os comandos para uma distribuição mais confortável.

LEIA TAMBÉM: Infinitevania, um metroidvania brasileiro cheio de personalidade e nostalgia

Quando passar traz mais alívio do que satisfação

Em Barony, um roguelike em que uma morte pode significar perder horas de progresso, a perda de uma tentativa é punitiva. Ainda assim, na experiência que serve de comparação para esta review, superar os desafios traz satisfação e vontade de começar novamente. Apesar das propostas diferentes, o contraste ajuda a explicar o que faltou nas tentativas de “Tom’s Last Adventure“.

Durante o teste, superar uma passagem frequentemente trouxe mais alívio por deixá-la para trás do que vontade de enfrentar a próxima. Aos poucos, a expectativa de descobrir um novo desafio deu lugar à preocupação com a próxima sequência de obstáculos que precisaria ser repetida.

A dificuldade faz parte da proposta do jogo. O desgaste apareceu quando repetir os movimentos deixou de motivar novas tentativas, mesmo depois de uma travessia bem-sucedida.

Visual e trilha sonora

Nos cenários, as silhuetas e o fundo escuro contrastam com o vermelho dos obstáculos e as cores dos poderes. Essa combinação está entre os acertos visuais e mantém uma identidade consistente ao longo dos trechos explorados.

A trilha sonora é outro ponto positivo. O piano traz uma música leve e calma, que contrasta com a tensão das travessias e as mortes constantes. Enquanto os movimentos exigem precisão, a música transmite tranquilidade.

Gato preto entre plataformas escuras, obstáculos vermelhos e poderes coloridos.
As silhuetas contrastam com as cores dos obstáculos e poderes. Imagem: captura de tela da autora.

Vale a pena jogar Tom’s Last Adventure?

Tom’s Last Adventure pode agradar quem gosta de precisão milimétrica e de repetir uma seção até decorar a sequência de pulos, dashs e poderes. A necessidade de memorizar e executar movimentos permite uma comparação com Geometry Dash, embora as propostas sejam diferentes. No teste, porém, acertar a execução não trouxe a mesma satisfação.

O visual e a trilha sonora foram os aspectos mais positivos. Já as travessias, apesar de divertidas no início, se tornaram cansativas com a repetição. Recomendaríamos o jogo a quem encontra diversão nesse processo de memorizar e executar cada movimento, mas sentimos falta de uma recompensa que mantivesse a vontade de continuar.

Tom’s Last Adventure pode ser adquirido na Steam e está disponível para Windows e Linux.

Imagem de capa: divulgação/Flying Frog Studios.