Brasil brilha na Berlinale 2026 com animação, dramas e documentários

O Festival de Cinema de Berlim, conhecido como Berlinale, anunciou a presença de diversos filmes brasileiros na programação da 76ª edição. A seleção reforça a potência e a diversidade do cinema nacional, mostrando ao público internacional narrativas que transitam entre diferentes estilos e temáticas.

Ainda mais, os longa-metragens brasileiros serão exibidos em seções que valorizam narrativas inovadoras, debates sociais e experimentação estética, como Generation, voltada para jovens cinéfilos; Panorama, que destaca tendências contemporâneas, obras ousadas e extraordinárisa; e Forum, dedicada à produções que trazem reflexões sobre a linguagem cinematográfica. 

Confira os títulos brasileiros anunciados: 

Feito Pipa

Estrelado por Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos, Feito Pipa conta a história de Gugu, um menino de 11 anos, sonhador e apaixonado por futebol. Ele vive com a avó Dilma, professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa, sem se preocupar com os julgamentos dos moradores da cidade.

Porém, a relação do garoto com seu pai Batista é complicada, marcada pela ausência e por afetos não ditos. Avó e o neto moram sozinhos ao lado da barragem de Araújo Lima, que, após anos de seca, começa a revelar as ruínas de uma antiga cidade submersa, despertando lembranças que mudam a vida da família. 

O filme tem direção de Allan Deberton, com produção de Deberton Filmes e pela Biônica Filmes. Além disso, tem coprodução com a Warner Bros. e distribuição nacional da Paris Filmes

Se Eu Fosse Vivo… Vivia 

“Se Eu Fosse Vivo... Vivia”
“Se Eu Fosse Vivo… Vivia” | Crédito Berlinale/Reprodução.

Dirigido por André Novais de Oliveira, a trama se passa na década de 70 e conta a história de Gilberto (Norberto Novais Oliveira) e Jacira (Conceição Evaristo). Eles se conhecem em Contagem, cidade de Minas Gerais. O casal forma uma dupla carismática e gentil, prometendo envelhecer juntos.

Após 50 anos, a vida do casal é abalada quando Jacira é internada, levando Gilberto a vivenciar experiências perturbadoras e até então desconhecidas. 

Isabel 

O drama acompanha Isabel (Marina Person), uma sommelière frustrada na alta gastronomia. Ela sonha em deixar o seu atual emprego em um restaurante tradicional para abrir seu próprio bar de vinhos, onde terá total liberdade criativa.

Ela busca por um investidor, porém seus planos não avançam como o esperado. Então Isabel precisa tomar a difícil decisão: abandonar o seu sonho ou arriscar tudo para ter uma carreira independente. 

O 3º longa de Gabe Klinger é uma coprodução da França e Brasil, com roteiro assinado pelo diretor em parceria com Marina e gravado na cidade de São Paulo. 

Quatro Meninas

Ambientado em 1885, a trama acompanha Tita, Lena, Francisca e Muanda, jovens negras escravizadas que sonham com a liberdade. Uma reviravolta coloca suas vidas em risco, levando-as a planejar uma fuga do internato onde vivem. No entanto, suas senhoras descobrem o plano e insistem em ir junto com elas. A produção cinematográfica tem direção de Karen Suzane, com roteiro de Clara Ferrer e produção de Marcello Ludwig Maia.

A Fabulosa Máquina do Tempo

A Fabulosa Máquina do Tempo é um documentário de Eliza Capai feito em parceria pela Globo Filmes e Globo News. Gravado em Guaribas, no sertão do Piauí, acompanha meninas que crescem suspensas entre os passados difíceis de suas mães e sonhos fantásticos do futuro. 

A obra aborda questões sociais complexas, como alcoolismo, casamento precoce e desigualdade de gênero. Em outras palavras, traz um período em que homens ainda ocupavam posições de poder, sendo desproporcional em comparação às mulheres. 

Papaya 

Papaya entra para a história como o primeiro longa-metragem em animação ao ser selecionado para o festival. A animação infantil tem direção e roteiro de Priscilla Kellen, com distribuição da Boulevard Filmes

Acompanha uma pequena semente de mamão na Floresta Amazônica. Apaixonada por voar, ela precisa estar sempre em movimento para não criar raízes e ser livre, assim como sua mãe. Após descobrir um terrível segredo, ela precisará enfrentar desafios e alguns mistérios da natureza para alcançar seus sonhos. 

Papaya

Papaya é a primeira animação a participar da Berlinale | Crédito: Mostra de Cinema infantil/Reprodução.

A participação do Brasil na Berlinale consolida o reconhecimento internacional de sua produção audiovisual. Apesar disso, a seleção destaca o cinema nacional como um espaço de inovação, reflexão e diversidade de vozes. O evento acontece entre os dias 12 e 22 de fevereiro de 2026.

Imagem de capa: MUBI/Reprodução