Nascida no dia 9 de janeiro de 1908, Simone de Beauvoir é ainda um dos maiores nomes da literatura mundial e um dos pilares do feminismo, como o conhecemos hoje. Fruto de uma família conservadora, católica e burguesa, ela cresceu em meio às expectativas de que cumpriria o papel que a sociedade espera de uma mulher. Simone sempre pensou por si própria e abandonou a fé católica ainda jovem.
Desde cedo ela se interessou pelos estudos, especialmente em filosofia, área em que se formou. Graduada pela Sorbonne, Simone foi a mulher mais jovem a ter a agrégation em filosofia. Sendo este um dos exames mais rigorosos da França, ela ficou em segundo lugar e Jean-Paul Sartre em primeiro. Assim se iniciou o vínculo afetivo e filósofo entre os dois.
À frente de seu tempo, Simone recusou-se a se casar e fazer parte da monogamia tradicional, mantendo assim uma relação aberta que contemplava outros relacionamentos amorosos. Simone manteve a relação até o fim da vida de Jean e construiu sua própria trajetória intelectual, sem se deixar ofuscar pela fama do filósofo. Beauvoir acreditava firmemente que cada pessoa deve viver conforme a própria cabeça, independentemente do julgamento, e recebeu duras críticas por suas escolhas afetivas. As críticas se deram principalmente por seu impeto em romper os padrões morais impostos às mulheres.
O impacto de Simone de Beauvoir no feminismo

Considerada uma das fundadoras do feminismo, uma de suas obras mais emblemáticas, “O Segundo Sexo”, analisa a condição feminina por diferentes óticas visando mostrar que a mulher foi construída como “o outro” quando comparada ao homem. Simone afirmou que “não se nasce mulher: torna-se”.
Na obra, ela deixa claro que a opressão feminina não acontece por um fator biológico e sim social, em que são delimitados comportamentos, expectativas e destinos para a mulher. O livro foi censurado, sofreu ataque da igreja e críticas violentas. Ainda assim, se tornou um dos textos mais influentes do feminismo moderno, sendo ainda hoje debatido.
Simone mantinha uma relação crítica com o próprio feminismo. A ideia de “essência feminina” era rejeitada pela autora que se opunha a correntes do movimento que visavam exaltar a suposta natureza da mulher. Seu modo de ver era claro. Ela acreditava que a libertação feminina passa pela independência econômica, liberdade sexual, o acesso ao trabalho, à educação e a recusa dos papéis impostos pela sociedade.
A autora também foi uma militante ativa e assinou o Manifesto das 343, que defendia a legalização do aborto na França. Além disso, ela participou também de debates políticos sobre os direitos das mulheres, injustiça social e colonialismo.
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Os livros que construíram seu legado
A obra de Simone de Beauvoir é multifacetada e vasta. Em “A Velhice” ela denuncia a forma como os idosos são marginalizados, pontuando que, assim como o gênero, o envelhecimento também é vítima das relações de poder. “A Velhice” é um dos pioneiros na discussão acerca do etarismo e mostra como Simone sempre teve interesse nos grupos invisibilizados pela sociedade.
Já no campo da ficção, suas obras abordam dilemas morais, escolhas existenciais e relações afetivas. “Os Mandarins” , vencedor do Prêmio Goncourt, aborda intelectuais frases no pós-guerra em meio ao conflito de vida pessoal, militância política e desencanto.
Além das ficções, Simone também gostava de escrever livros autobiográficos onde colocava a sua própria vida em análise. “Memórias de uma Moça Bem-Comportada” aborda a infância e juventude da autora, mostrando como foi o seu processo de rompimento com a moral burguesa. Já “A Força das Coisas” fala sobre sua vida adulta, relações amorosas, atuação política e sua trajetória intelectual.
Com o passar do tempo, sua escrita passou a ser mais dura e íntima. Em “Uma Morte Muito Muito Suave”, ela fala sobre a morte da mãe, discorrendo sobre cuidado, finitude e sofrimento. “A Cerimônia do Adeus” traz um registro dos últimos anos de Sartre, abordando o envelhecimento, a perda e o luto.
Simone de Beauvoir faleceu em 1986. No entanto, sua voz segue viva como um dos símbolos mais potentes do feminismo. Até hoje, suas obras permanecem atuais e indispensáveis, pois carregam um legado construído a partir da coragem de desafiar normas, questionar desigualdades e, acima de tudo, escolher o próprio caminho, mesmo quando o mundo insistia em impor outro.
Imagem de capa: Reprodução
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