Clássico de Madeleine L’Engle se torna peça-chave da última temporada de Stranger Things
A aguardada última temporada de Stranger Things foi lançada nesta quarta-feira (26). Entre muitas novidades, o destaque do livro “Uma Dobra no Tempo” (1952), de Madeleine L’Engle, foi um dos pontos chaves durante a trama.
A obra aparece logo no primeiro episódio, no qual a personagem Holly Wheeler está lendo no café da manhã. Ao decorrer dos episódios, “Uma Dobra do Tempo” volta para acrescentar sentido à narrativa.
Conheça “Uma Dobra no Tempo”
Clássico infantojuvenil, “Uma Dobra no Tempo” foi publicado em 1962, sendo o primeiro livro da série de cinco volumes de Madeleine L’Engle. As obras acompanham Meg Murry, Charles Murry e Calvin O’Keefe, que se envolvem em uma jornada atravessando galáxias ao tentarem resgatar o pai dos Murrys, Dr. Alex.
Dessa forma, o enredo também apresenta a “Coisa Negra”, uma força maligna que está cobrindo planetas com negatividade e opressão. Logo, as crianças conhecem um trio de idosas sobrenaturais, Sra. Whatsit, Sra. Who e Sra. Which. Através delas, as crianças descobrem que o Dr. Murry está no planeta escuro “Camazotz”, local dominado pela Coisa Negra.
Assim precisam enfrentar as forças malignas para conseguir salvar Alex Murry e, consequentemente, os planetas dominados pela força maligna. A luta entre o bem e o mal está muito presente nos cinco volumes da obra. Sendo também reconhecida como um clássico de fantasia pela representação de guerra entre a luz e as trevas.
Aviso: A partir desse momento, o texto terá alguns spoilers importantes sobre o plot do Volume 1 de Stranger Things!
Como a leitura de Holly Wheeler complementa a trama?

Para iniciar a temporada do início do fim de Stranger Things, o roteiro destaca a personagem Holly (Nell Fisher), irmã mais nova de Mike (Finn Wolfhard) e Nancy Wheeler (Natalia Dyer). Durante o primeiro episódio, é revelado que ela está lendo o livro “Uma Dobra no Tempo”, bem como é desenvolvido sua personalidade e vida escolar.
A menção ao livro não foi apenas um detalhe de enredo, pois após a personagem ser sequestrada por Vecna (Jamie Campbell Bower), Mike faz ligação do desaparecimento com o “colega imaginário” com quem Holly dizia estar conversando. Holly chamava o amigo de “Sr. Fulano”, em inglês “Sr. Whatsit” – assim como no livro.
Logo, o irmão associa que o amigo imaginário podia ter outro nome. Posteriormente, é revelado que ele era Vecna, mas em sua forma humana de Henry Creel para manipular as crianças.
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Enquanto buscavam respostas sobre como resgatar a caçula Wheeler, Holly embarca em uma jornada curiosa e acaba encontrando Max Mayfield (Sadie Sink), que revela que ambas estavam presas em uma das memórias de Vecna. Para compreender a complexa realidade que Max descrevia, Holly recorre ao livro “Uma dobra no tempo”, usando-o como comparação para tentar decifrar o que estavam enfrentando:
“Henry [Vecna] é como It [vilão de Uma Dobra no tempo]; e você é meio que como o pai da Meg” – Holly Wheeler para Max
Semelhanças entre “Uma Dobra no Tempo” e “Stranger Things”
Além do uso narrativo durante o volume 1 da série, os enredos de “Uma dobra no tempo” e “Stranger Things” se cruzam em outros momentos importantes no plot central. Dessa forma, podem ajudar a compreender o que esperar do final de uma das maiores séries da Netflix.
O vilão do livro, por exemplo, controla mentes por meio do medo e da ilusão, distorcendo a verdade até que os personagens se esqueçam de quem realmente são. Assim como Vecna. Além disso, a personagem Meg Murry precisa resistir às manipulações do vilão lembrando quem ama e quem é. Sendo assim, é semelhante ao que Max enfrentou durante a quarta temporada, ao precisar se ancorar em memórias com o auxílio da música.
Ademais, ambas histórias são sobre jovens enfrentando forças malignas. De forma que o poder do amor e da amizade estão sempre no centro da narrativa.
O episódio 6, “A Fuga de Camazotz”, faz referência ao livro

Seguindo as referências, o episódio “A Fuga de Camazotz” se destaca pela clara referência ao livro. Em “Uma Dobra no Tempo”, Camazotz é consumido pela presença maléfica da Coisa Negra. Sendo assim, é um mundo onde reina a opressão, com todos se comportando como partes mecânicas de um sistema – sem individualidade ou liberdade.
Na trama da série, o título sugere que será focado na tentativa de saída de Max e Holly da realidade paralela onde estão. Dessa forma, também é esperado pelos telespectadores que as personagens desvendem o passado de Henry Creel através de suas memórias. Assim, as informações poderiam ajudar a derrotar o vilão.
O volume 2 da quinta e última temporada de Stranger Things chega na Netflix no dia 25 de dezembro, às 22h, com os episódios 5, 6 e 7.
A literatura em Stranger Things

Não é novidade a presença da literatura em Stranger Things, afinal a própria série tem inspiração de “The Montauk Project: Experiments In Time“, de Preston B. Nichols. Além disso, o universo fictício dos Irmãos Duffer se expandiu para uma trilogia de livros em 2019: Raízes do Mal, Cidades das Trevas e O Voo de Ícaro.
Nesse sentido, também é possível testemunhar os personagens lendo alguns livros ao decorrer das temporadas. Como, por exemplo, o livro manual do RPG dos meninos, “Dungeons & Dragons Player’s Handbook”, e “Anne de Green Gables”, obra que Jim Hopper lê para sua filha, Sara, em flashback na segunda temporada.
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Imagem de capa: Reprodução/Netflix