76º Festival de Cinema de Berlim reúne produções de diferentes países e mantém papel central no calendário do cinema mundial
O Festival de Cinema de Berlim, conhecido como Berlinale, volta a ocupar posição estratégica no circuito global do audiovisual. Realizado anualmente em fevereiro, o evento reúne centenas de filmes e atrai profissionais da indústria, imprensa especializada e público de diversos países. Ao longo de onze dias, Berlim se transforma em um dos principais centros de debate e circulação cinematográfica do mundo.
Criada em 1951, em um contexto marcado pela Guerra Fria, a Berlinale se consolidou como um festival atento a questões sociais, políticas e culturais. Desde então, o evento mantém uma programação ampla, que contempla diferentes formatos, gêneros e linguagens. Ao mesmo tempo, funciona como um espaço de encontro entre cinema autoral, produções comerciais e novos realizadores.
Dentro de uma programação diversa, a seleção oficial costuma concentrar títulos que ganham atenção ao longo do ano. A competição principal, as mostras paralelas e as sessões especiais ajudam a mapear tendências do cinema contemporâneo. Ao mesmo tempo, revelam obras de diferentes regiões do mundo, muitas delas em estreia internacional.

Neste contexto, a edição atual do Festival de Berlim apresenta uma lista de filmes internacionais que integram sua programação. A seguir, reunimos dez produções de diferentes países que participam da Berlinale e ajudam a entender o panorama do cinema global exibido no evento.
Veja abaixo 10 dos principais filmes internacionais que estão na programação do evento:
No Good Men

Naru é a única cinegrafista de uma emissora de TV em Cabul. Por isso, ela desenvolveu uma visão crítica sobre o ambiente em que vive. Para ela, não existem homens bons no Afeganistão. No entanto, essa convicção começa a ser testada. Pouco antes do retorno do Talibã ao poder, Naru acompanha um repórter em uma cobertura externa. Durante a apuração, surge uma relação de proximidade entre os dois. Aos poucos, a atração cresce. Assim, a personagem passa a questionar suas certezas.
Ao mesmo tempo, o filme insere essa história pessoal em um contexto político instável. A narrativa acompanha a rotina da imprensa local em um período de transição e tensão. Dessa forma, o enredo articula vida profissional, sentimentos e insegurança social. Dirigido por Shahrbanoo Sadat, o longa combina drama íntimo e retrato social. A diretora também atua no filme, ao lado de Anwar Hashimi. A produção é uma coprodução entre Alemanha, França, Noruega, Dinamarca e Afeganistão.
O filme terá estreia mundial como obra de abertura da Berlinale 2026. Com isso, passa a integrar a programação oficial do Festival de Berlim, ampliando sua visibilidade no circuito internacional.
Heysel 85

O filme parte de um fato histórico que marcou o futebol europeu. Em 1985, a final da Taça dos Campeões Europeus no Estádio Heysel, em Bruxelas, foi interrompida por uma explosão de violência. O episódio resultou na morte de 39 pessoas e teve repercussão internacional.
Nesse contexto, a narrativa acompanha dois personagens centrais. De um lado, está a filha do prefeito da cidade. Do outro, um jornalista que cobre o evento. Ambos são diretamente afetados pela tragédia. Assim, o enredo se desenvolve a partir de perspectivas distintas, mas interligadas.
À medida que os acontecimentos avançam, os personagens enfrentam conflitos internos. Por um lado, surgem as exigências do dever profissional. Por outro, entram em cena a lealdade familiar e a responsabilidade moral. Dessa forma, o filme constrói uma reflexão sobre escolhas feitas em situações extremas.
Além disso, a obra examina o papel das instituições e da imprensa diante de eventos traumáticos. O foco não está apenas no episódio esportivo. O filme amplia o olhar para as consequências humanas, políticas e sociais do desastre. A direção é de Teodora Ana Mihai. O elenco inclui Violet Braeckman, Matteo Simoni, Josse De Pauw, Fabrizio Rongione e Paolo Calabresi. O longa terá estreia mundial em 2026.
Die Blutgräfin (A Condessa Sangrenta)

A história acompanha a Condessa Sangrenta e sua criada em uma jornada marcada por deslocamentos e conflitos. Inicialmente, o objetivo é encontrar o elixir vermelho da vida. Ao mesmo tempo, elas buscam um livro considerado uma ameaça direta ao reino dos vampiros. Assim, a narrativa se estrutura a partir de uma missão que coloca em risco o equilíbrio desse universo.
No entanto, a travessia não acontece sem obstáculos. Durante o percurso, diferentes personagens passam a persegui-las. Entre eles estão um inspetor de polícia e dois especialistas em vampiros. Além disso, surgem figuras improváveis, como um sobrinho vegetariano e seu terapeuta. Dessa forma, o filme cruza investigação, fantasia e situações de confronto.
Dirigido por Ulrike Ottinger, o longa reúne Isabelle Huppert, Birgit Minichmayr, Thomas Schubert, Lars Eidinger e André Jung no elenco. A produção é uma coprodução entre Áustria, Luxemburgo e Alemanha. Com estreia mundial prevista para 2026, o filme se insere no circuito internacional apresentando uma narrativa que combina mitologia vampírica, deslocamento e choque de perspectivas.
O Batedor de Carteiras

A narrativa acompanha Harry, um batedor de carteiras experiente que tenta sobreviver em uma Nova York marcada por mudanças sociais e urbanas. No cotidiano das ruas, ele segue cometendo pequenos furtos. No entanto, tudo se altera quando, por acaso, ele rouba um pen drive de alto valor estratégico. A partir desse erro, a rotina do personagem entra em colapso.
Em seguida, Harry percebe que o objeto pertence a uma família criminosa organizada. Diante disso, ele passa a enfrentar uma corrida contra o tempo. De um lado, precisa localizar os verdadeiros donos do pen drive. De outro, tenta escapar das consequências do roubo. Assim, o filme constrói uma trama baseada em perseguições, decisões rápidas e riscos constantes.
Dirigido por Noah Segan, o longa conta com John Turturro no papel principal. O elenco inclui ainda Steve Buscemi, Giancarlo Esposito, Will Price e Tatiana Maslany. Produzido nos Estados Unidos, o filme tem estreia internacional prevista para 2026. A história se insere no gênero do suspense criminal, explorando sobrevivência, moralidade e violência urbana.
The Weight

Ambientado no Oregon em 1933, o filme acompanha Samuel Murphy durante a Grande Depressão. Separado à força da filha, ele é enviado para um campo de trabalhos forçados marcado pela violência. Nesse contexto, Murphy tenta resistir à perda da família e às condições extremas impostas pelo sistema. A narrativa apresenta, desde o início, um cenário de repressão e sobrevivência.
Em seguida, o diretor do campo, Clancy, oferece a Murphy uma possibilidade de liberdade condicional. A proposta, porém, envolve um acordo arriscado. Murphy precisa contrabandear uma grande quantidade de ouro por cerca de 100 milhas de território hostil. Assim, o personagem é lançado em uma jornada pela natureza selvagem, onde o perigo é constante e as escolhas têm consequências diretas.
Ao longo do percurso, o filme explora os limites físicos e morais do protagonista. Murphy, um veterano marcado por cicatrizes de guerra, precisa decidir até onde está disposto a ir para reencontrar a filha. Dirigido por Padraic McKinley, o longa é estrelado por Ethan Hawke e Russell Crowe, com Julia Jones, Austin Amelio e Avi Nash no elenco. A produção, dos Estados Unidos e da Alemanha, tem estreia internacional prevista para 2026.
Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra

Um homem vindo do futuro chega a uma lanchonete em Los Angeles durante uma noite comum. Aparentemente deslocado no tempo, ele carrega uma missão urgente. Seu objetivo é impedir uma ameaça global ligada a uma inteligência artificial fora de controle. Para isso, ele precisa agir rapidamente e sem chamar atenção.
Em seguida, o cenário limitado da cafeteria se torna central para a narrativa. O protagonista passa a observar os clientes presentes. Entre pessoas frustradas e insatisfeitas, ele identifica perfis específicos. Cada um possui uma habilidade ou experiência essencial para o plano. Assim, a missão se forma a partir de escolhas precisas feitas em poucas horas.
Ao longo da noite, o grupo improvisado precisa decidir se aceita o risco. A trama avança ao combinar ficção científica e tensão em tempo real. Dirigido por Gore Verbinski, o filme conta com Sam Rockwell, Juno Temple, Haley Lu Richardson, Zazie Beetz e Michael Peña no elenco. A produção alemã tem estreia europeia prevista para 2026.
O Testamento de Ann Lee

A narrativa acompanha a trajetória de Ann Lee, líder religiosa que fundou o movimento dos Shakers no século XVIII. Em um contexto marcado por desigualdades sociais e de gênero, ela passa a defender princípios de igualdade e vida comunitária. Aos poucos, sua figura ganha relevância entre seguidores que veem na proposta uma alternativa ao mundo ao redor.
Em seguida, o filme mostra como essa crença coletiva se transforma em uma busca concreta por uma utopia social. Ann Lee assume o papel de guia espiritual, enquanto enfrenta resistência externa e tensões internas. A história se constrói a partir do contraste entre devoção, sacrifício e o desejo de criar uma nova forma de organização social.
A proposta narrativa utiliza música e movimento como elementos centrais. Esses recursos ampliam a dimensão emocional e simbólica da trajetória da personagem. Dirigido por Mona Fastvold, o filme é estrelado por Amanda Seyfried, Lewis Pullman, Thomasin McKenzie, Matthew Beard e Christopher Abbott. A produção dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Sacarina

A história acompanha Hana, uma estudante de medicina dedicada à rotina acadêmica e à vida pessoal. No entanto, esse equilíbrio se rompe quando ela decide aderir a uma tendência extrema de emagrecimento. A prática envolve a ingestão de cinzas humanas. A partir daí, o cotidiano da personagem começa a mudar de forma gradual.
Em seguida, Hana passa a ser perseguida por uma presença sinistra ligada à origem das cinzas. O terror se manifesta de maneira constante e afeta sua saúde mental, seus estudos e seus relacionamentos. Assim, o filme conecta o horror psicológico a temas como pressão estética, culpa e limites éticos da obsessão pelo corpo.
Dirigido por Natalie Erika James, o longa é uma produção australiana de 2025 e marca sua estreia europeia. O elenco reúne Midori Francis, Danielle Macdonald, Madeleine Madden, Robert Taylor e Showko Showfukutei. Dessa forma, o filme se insere no cinema de terror contemporâneo ao abordar medos sociais por meio de uma narrativa sobrenatural.
Sleep No More (Monster Pabrik Rambut)

Em um futuro marcado pela exploração do trabalho, pessoas são levadas a jornadas exaustivas para garantir sobrevivência e estabilidade familiar. Nesse contexto, o sono passa a ser tratado como um obstáculo. Assim, trabalhadores sacrificam o descanso para manter a produtividade e cumprir dívidas impostas pelo sistema.
Ao mesmo tempo, a narrativa acompanha irmãos forçados a trabalhar em uma fábrica de cabelo para quitar a dívida da mãe. Durante a rotina industrial, eles presenciam acontecimentos estranhos envolvendo outros funcionários. Gradualmente, uma figura sombria surge e passa a tomar posse dos corpos daqueles que ultrapassam os limites físicos e mentais.
Dirigido por Edwin, o filme é uma coprodução entre Indonésia, Singapura, Japão, Alemanha e França, terá sua estreia mundial no evento. O elenco reúne Rachel Amanda, Lutesha, Iqbaal Ramadhan, Didik Nini Thowok e Sal Priadi. Dessa forma, a obra utiliza o horror como ferramenta para discutir exploração laboral, exaustão humana e perda de autonomia.
LEIA MAIS: “O Beijo da Sereia” | Prime Video anuncia data de estreia de novo K-Drama
Árru

Maia é uma pastora de renas do povo sami que vive no norte da Escandinávia. Ela enfrenta a ameaça de um projeto de mineração que pode comprometer suas terras ancestrais. Desde o início, o conflito envolve disputas territoriais, impactos ambientais e a preservação do modo de vida tradicional.
Enquanto os protestos contra a mineração ganham força, Maia precisa lidar com tensões internas na comunidade. Ao mesmo tempo, traumas familiares antigos voltam à superfície. Esses acontecimentos influenciam suas escolhas e ampliam o peso da decisão que se aproxima.
Dirigido por Elle Sofe Sara, o filme é uma coprodução entre Noruega, Suécia e Finlândia, com estreia mundial no evento. O elenco inclui Sara Marielle Gaup Beaska, Simon Issát Marainen, Ayla Gáren Nutti e Mikkel Gaup. Assim, a narrativa articula conflito social, memória familiar e resistência indígena.
Imagem de capa: 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim/Reprodução
📲 Entre no canal do WhatsApp e receba novidades direto no seu celular e Siga o Geekpop News no Instagram e acompanhe conteúdos exclusivos.