Autora satiriza colonização africana com história de fantasia

A Companhia das Letras apresenta a nova edição de “Raízes Loiras”, obra de Bernardine Evaristo que utiliza a sátira para confrontar o legado colonial. Publicado originalmente em 2008, o romance imagina uma história diferente: e se o continente africano fosse a potência global e os europeus tivessem sido colonizados e escravizados?

Neste cenário invertido, a África (a Grande Ambossa) é o centro econômico e político do mundo, enquanto a Europa é um território fragmentado e vítima de exploração. 

Assim, a trama acompanha Doris Scagglethorpe, uma menina inglesa raptada na infância e levada para o cativeiro na Grande Ambossa. Rebatizada como Omorenomwara, ela enfrenta a brutalidade do sistema escravocrata enquanto planeja uma fuga para retomar sua identidade e liberdade.

Com uma narrativa inteligente e engenhosa, a escritora inverte os papéis geográficos e raciais para expor a arbitrariedade da violência colonial. Dessa forma, “Raízes Loiras” não apenas revisita o passado, mas questiona as marcas profundas que esse sistema deixou nas estruturas sociais atuais.

Sobre a autora

Bernardine Evaristo é uma escritora de origem nigeriana que nasceu em Londres. Autora de livros de ficção e não ficção, retrata em suas obras a diáspora africana, passado, presente, geralmente por meio de fábulas e histórias de fantasia. Autora do premiado “Garota, mulher, outras” (2019), publicou também “Sr. Loverman” (2013) e “Manifesto” (2022). Vencedora do Prêmio Booker Prize. É presidente da Royal Society of Literature e professora de escrita criativa na Brunel University, em Londres. Em 2025, venceu o Women’s Prize Outstanding Contribution Award, na Inglaterra. 

Imagem de Capa: Companhia das Letras

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