Começou ontem, em Belo Horizonte, a segunda edição da Bitita – Festa da Palavra. O evento homenagea a autora mineira Carolina Maria de Jesus, no Palácio das Artes entre os dias 19 e 22 de março. 

Idealizado por Luciana Salles, gestora cultural e ex-diretora cultural da Fundação Clóvis Salgado, o evento carrega no nome o apelido de infância de Carolina. Assim, com uma programação diversa, a festa tem o objetivo de difundir a literatura e ressaltar a essência de autora. Segundo o poeta Renato Negrão, Carolina está diluída em toda a programação.

O primeiro dia

A abertura do evento contou com a participação de Luciana Salles, o poeta Renato Negrão, Lucas Amorim, diretor do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, e Cristiana Kumaira, Diretora de Comunicação da Cemig, empresa patrocinadora do evento. Os quatro então discutiram sobre o evento como um todo e a escolha da programação. A conversa girou em torno da importância de reivindicar Carolina Maria de Jesus como autora mineira.

Após a abertura, os visitantes puderam acompanhar uma visita guiada à exposição “A primeira vez que voei foi na pág. 35”, de Maré de Matos. A artista comandou a experiência explicando seu processo de criação e a ideia por trás de suas obras. De acordo com Maré, um pensamento atravessa todas elas: “nada é tão íntimo que não seja público, nada é tão público que não seja íntimo.”

O encerramento do primeiro dia contou com frases, imagens e poemas projetados no jardim interno do Palácio.

Impressões sobre o evento

Os visitantes podem esperar uma programação completa que de fato carrega Carolina Maria de Jesus em cada ação. A exposição de Maré foi, sem dúvida, o ponto alto da noite. Com obras atuais, que falam sobre o poder da palavra e a característica transformadora da literatura, diversos questionamentos são levantados, como a racionalidade, a celebração da oralidade e a importância do pensamento crítico.

As projeções formam um show à parte e é impossível não ser tocado pelas afirmações feitas pelas frases. No entanto, um ponto negativo precisa ser falado. A sinalização da festa não ficou clara, sendo complicado encontrar o local exato, já que outras exposições e eventos estavam sendo realizados no Palácio. Ainda assim, a falta de informação não prejudicou a experiência e nem mesmo a chuva foi capaz de apagar o brilho das projeções que abrilhantaram a abertura.

Imagem de capa: Reprodução Instagram Bitita

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