Última temporada da série mostra os 50 anos finais da família Buendía

A segunda temporada de Cem Anos de Solidão estreia na Netflix em agosto e adapta a segunda parte do romance de Gabriel García Márquez.  Dividida em duas partes, os primeiros sete episódios estreiam no dia 5, enquanto o oitavo e último episódio da saga dos Buendía será disponibilizado no dia 26.

A nova temporada abrange os acontecimentos dos capítulos 11 a 20 da obra de García Márquez, onde Macondo passa por profundas tensões políticas e pela chegada da Companhia Bananeira. A instalação da multinacional norte-americana traz o chamado “progresso”, mas transforma Macondo em um cenário de exploração e violência. 

Assim, Macondo afunda na decadência e a maldição da família Buendía se concretiza. O ponto alto da trama é o Massacre das Bananeiras, fato histórico verídico da história recontado por García Márquez no livro.

A família Buendía e a resistência dos operários 

Líder da greve contra a Companhia Bananeira, José Arcadio Segundo sobrevive ao fuzilamento das tropas. Depois, ele acorda em um trem repleto de cadáveres descartados no mar como “bananas de refugo”. José Arcadio consegue retornar a Macondo. No entanto, ele encontra uma população alienada pela narrativa oficial do Estado, que nega o massacre e insiste que “nada aconteceu”. Dessa forma, Gabriel García Márquez retrata com maestria o apagamento histórico da tragédia. 

Os capítulos finais também trazem o desfecho dos outros personagens. A velhice de Úrsula, que esconde a cegueira da família, a reclusão do Coronel Aureliano Buendía em sua oficina, assim como os dias finais de Amaranta. Portanto, os Buendía encerram sua história condenados à solidão.

Cem Anos de Solidão - Jose Arcadio Buendia
Imagem da primeira temporada de Cem Anos de Solidão | Crédito: Netflix

García Márquez retoma o realismo fantástico quando Macondo é castigada por uma chuva torrencial que dura quase cinco anos. A chuva destrói as plantações, apagando qualquer vestígio da Companhia Bananeira, o que aparece na obra como uma punição divina.

A história real por trás da releitura de García Márquez

Um dos episódios mais marcantes e dolorosos da história da América Latina, o Massacre das Bananeiras foi o assassinato de trabalhadores da United Fruit Company (a Companhia Bananeira) nos dias 5 e 6 de dezembro de 1928. Os operários em greve protestavam por melhores condições de trabalho. Eles foram mortos pelo exército colombiano após o movimento ser declarado subversivo, temendo uma intervenção militar dos Estados Unidos.

Desse modo, o final de “Cem Anos de Solidão” funciona como um retrato fiel das transformações vividas pelos países latino-americanos a partir da década de 1920. Países que foram marcados pela chegada da modernização e por conturbadas tensões políticas que geram consequências até os dias de hoje.

Imagem de capa: Netflix

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