A ficção científica, nas obras brasileiras, explora a distopia e crítica social, presente em 3% e “Medida Provisória

O lançamento da produção brasileira “Cansei de Ser Nerd”, estrelada por Fernando Caruso, nos revela a força do cinema nacional em temáticas como Sci-Fi. O filme, que une ficção científica, comédia romântica, suspense e cultura geek estreou no dia 28 de maio e trouxe a temática de volta as telas.
E assim, aos que assistem obras como essa, o desejo por mais obras que abordem ficção científica tende a aumentar. Por isso, separamos obras tanto do cinema quanto da TV que abordam o cenário disruptivo da ficção científica. Seja no modo tradicional e cheio de tecnologias ou no estilo distópico e fora do comum.

O Homem do Futuro (2011)

Wagner Moura em "O Homem do Futuro"
Wagner Moura no Sci-Fi “O Homem do Futuro” | Divulgação/Prime Video

A trama acompanha Zero/João, interpretado por Wagner Moura, que é um cientista brilhante, porém amargurado. Isso porque há décadas ele perdeu seu grande amor, Helena, durante uma festa. No entanto, tudo muda quando um de seus inventos lhe permite voltar no tempo e mudar seu destino. O que ele não imagina é que essas mudanças geram ainda mais confusão, que ele precisa consertar se quiser acertar as coisas.

O filme é um exemplar perfeito de Sci-Fi, tendo uma ideia “viajada”, mas que casa com bem com a proposta e entrega ótimas cenas na temática.  Além disso, a obra discute temas como arrependimento, escolhas pessoais e a própria viagem no tempo.

Onde assistir: Paramount+

Medida Provisória (2020)

Medida Provisória
Crédito: Divulgação

Em “Medida Provisória” conhecemos um Brasil levemente futurista, onde a ficção científica está na distopia que vemos aqui. O filme conta sobre uma medida provisória aprovada pelo governo que pretende reparar o passado escravocrata. No entanto, o movimento gera uma reação do Congresso que aprova uma medida que obriga cidadãos negros a se deslocarem para o continente africano. Nesse cenário, a vida do casal Capitú e Antonio, assim como a de André é afetada. E assim, o caos e protestos serão as bases para um futuro incerto.

No longa, o fator Sci-Fi fica por conta desse cenário de distopia ao qual somos apresentados. Os protagonistas, vividos por Taís Araújo, Alfred Enoch e Seu Jorge são a maior força do projeto. Bem como sua narrativa que, mesmo parecendo distante, nunca parece irreal, dada a realidade brasileira.

Onde assistir: Prime Video (aluguel)

O Último Azul (2025)

O Último Azul ganha trailer
Tereza desafia o futuro em O Último Azul, filme premiado em Berlim | Crédito: Guillermo Garza

Num cenário brasileiro distópico, o governo ordena que os idosos se mudem para colônias habitacionais distantes. E o motivo, supostamente, seria de maximizar a produtividade econômica nacional. No entanto, Tereza, de 77 anos, se recusa e decide embarcar em uma jornada pela Amazônia para realizar seu último desejo antes de expulsa. E assim ela segue numa viagem pelos rios e afluentes da região amazônica, sem imaginar o quanto essa decisão mudará sua vida.

A obra conta, através desse aspecto e ambiente distópico, sobre como o etarismo e o aspecto utilitarista da sociedade. Porém, o filme vai além e aborda a velhice como sendo algo a ser apreciado e vivido. Assim como também fala do direito ao sonho e apresenta uma Amazônia quase mágica, perante os olhos da protagonista. “O Último Azul” é protagonizado por Denise Weinberg e Rodrigo Santoro.

Onde assistir: Netflix

Bacurau (2019)

Bacurau de Kleber Mendonça Filho
Crédito: Arte França Cinéma e Globo Filmes

Em “Bacurau”, também nome da fictícia cidade brasileira no oeste de Pernambuco, os moradores lamentam a morte de Carmelita, a matriarca do local. Alguns dias depois isso, os moradores percebem a presença de drones passeando pelos céus. Algo que é seguido de estrangeiros que chegam na cidade com planos de exterminar a população local, bem como diversas ações e crimes brutais. Algo que une a população que, mesmo com suas diferenças, vê na defesa popular um caminho comum em prol de sua paz.

O aspecto ficção científica da obra de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles é representado pelos antagonistas da obra e suas tecnologias. Algo que é posto de encontro a uma união popular de Bacurau que, quando se vê acuada, precisa revidar a sua maneira.  E assim, temos uma obra atemporal, com direção e elenco perfeitos, onde a cidade ganha vida própria e seus moradores conquistam nossa simpatia.

Onde assistir: Netflix

Noites Alienígenas (2022)

Noites Alienígenas
Crédito: Divulgação

Noites Alienígenas” nos conta a história de três amigos de infância que, após uma tragédia em comum, acaba se reencontrando. Assim, num contexto trágico, o filme nos introduz a periferia da Amazônia urbana pelos olhos dos amigos Rivelino, Sandra e Paulo. Bem como nos apresenta as fronteiras entre cidade, floresta e os conflitos de uma sociedade em transformação. E, com tudo isso, vemos os impactos do aumento da criminalidade em diversas personas que conhecemos.

O filme é uma adaptação do livro homônimo de Sérgio de Carvalho, que também dirige o filme, que une misticismo a um contexto urbano próprio. E quanto ao Sci-Fi ele está presenta nas metáforas abordadas no filme. Um exemplo disso é a realidade quase de outro mundo que a região, no filme, nos conta. E assim, a obra une elementos narrativos variados para aprofundar sua trama.

Onde assistir: Globoplay

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Séries de ficção científica:

Onisciente (2020)

Série Onisciente da Netflix
Crédito: Imdb

Em “Onisciente” vemos um futuro em que cada cidadão é seguido 24 horas por dia e todos os dias da semana por um drone. Algo que reduz a taxa de criminalidade a um valor mínimo. No entanto, quando Nina descobre um assassinato que não foi relatado pelo sistema, ela deve ser mais esperta que seu drone para investigar.

A série, ao longo de seus episódios, desenvolve o drama e a ficção científica desse mundo em que a vigilância é constante. E assim, a obra nos provoca sobre valores da segurança pública e se o fim do anonimato seria realmente a solução. Por isso, temos a ótica de Nina, que serve para auxiliar nessa visão de ética, moralidade e o fator digital.

Onde assistir: Netflix

3% (2016)

Série 3% da Netflix
Crédito: Divulgação/Netflix

A produção se inicia em um ambiente pós apocalíptico chamado de “Continente”, um lugar repleto de pobreza e uma vida árdua. Porém, quando os jovens completam 20 anos, tem a chance de participar do “Processo”. Um método brutal e cheio de provas, onde apenas 3% de seus participantes devem chegar ao fim. E o objetivo é bem simples: migrar para o “Mar Alto”, uma utopia de abundâncias e oportunidades.

Sendo a primeira série brasileira da Netflix, a produção vai fundo no cenário de desigualdade social que esse mundo proporciona. Por isso, vemos uma interessante discussão sobre os limites para alcançar o sucesso, ética, política e mais. Cada personagem na série parece ter algo de interessante para contar, o que forma uma brilhante tela de ideias e narrativas.

Onde assistir: Netflix

E assim, seja na distopia moderna ou na ficção científica clássica, as produções brasileiras no gênero crescem com um DNA próprio. Algo que dá uma ótica própria as obras e nos torna ansiosos pelo sabor tão próximo a nossa realidade que essas obras transmitem.

Crédito da capa: Divulgação

Estagiário sob supervisão de Thiago Satiro.

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