No livro “Uma mulher anda sobre as águas”, a poeta e escritora Cecília Rogers convida o leitor a mergulhar em uma nova criação do mundo. Guiada por uma perspectiva feminina, sensível e simbólica, a obra revisita esse momento. Assim, dividida em cadernos que lembram os dias da gênese, a obra constrói um universo em que a mulher deixa de ocupar o lugar passivo da narrativa bíblica e assume o papel de protagonista. “Aqui não existe a mulher moldada da costela de Adão. Ela é dona de si, com uma nova gênese, solar e livre”, afirma Cecília.

Na apresentação do livro, a poeta Jussara Salazar ressalta a força dessa figura feminina. Esta atravessa os poemas como uma Lilith moderna, capaz de gerar ninfas que nascem como flores aquáticas. A água, aliás, é o grande símbolo da obra, surgindo como metáfora de transformação, resistência e renascimento.

Cecília apresenta com influências que vão de Herberto Helder e Sophia de Mello Breyner Andresen às deusas míticas, aos arcanos do Tarô e às matriarcas silenciadas pela História. “Ela dirá: no princípio era o verbo, e o verbo era Mulher”, anuncia a autora, que escreveu o livro em seis meses, com mentoria da escritora Mell Renault.

Para Cecília, a obra representa um ato de libertação e um chamado para resgatar o papel da mulher na criação. “Escrever este livro foi como acender uma luz interna, rompendo velhas amarras”, diz.

O lançamento

Durante a Flip 2025, a autora então lançará “Uma mulher anda sobre as águas” na Casa Gueto, em Paraty. Por fim, a premiada Monique Malcher define a obra como “um milagre poético”, que transforma o silêncio em potência e oferece uma nova forma de saciar a sede feminina por liberdade e protagonismo.

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