Série da HBO Max aposta em ampliar o olhar sobre a comunidade com novas tramas envolvendo cultura e a expansão das milícias no poder público
Mais de 20 anos depois de chegar aos cinemas e arrebatar o mundo, o universo de “Cidade de Deus” continua rendendo novas histórias. Dois anos depois de estrear no catálogo da HBO Max, a série “Cidade de Deus: A Luta Não Para” retorna com novos episódios em 8 de novembro.
Durante a coletiva de imprensa promovida pela HBO Max, o elenco e a equipe criativa por trás desta segunda temporada entregaram detalhes sobre o que está por vir nesta nova etapa da trama. A série expande a trama para 2005, cerca de 21 anos após os acontecimentos do filme, e aproveita essa época marcante para mergulhar nos conflitos pessoais e dedicar mais tempo para as relações de cada personagem, indo além da ligação com o crime organizado.
Nesse ínterim, o diretor Aly Muritiba explicou que o público irá reencontrar alguns personagens em novas etapas de suas vidas. Ao mesmo tempo em que veremos mais da cultura da Cidade de Deus, a série também promete retratar a expansão das milícias no Rio de Janeiro.
Segunda temporada promete expandir o universo da comunidade
A cultura da Cidade de Deus estará no cerne da trama nesta temporada. Enquanto Buscapé (Alexandre Rodrigues) investe na rádio comunitária, Cintia (Sabrina Rosa) trabalha como um elo entre personagens através do centro comunitário. Amanda (Emilly Amaral), personagem inspirada na judoca Rafaela Silva, também ganha mais destaque na trama através do esporte.
Outra personagem que estará nos holofotes nessa temporada será Leka (Luellem de Castro). Segundo o diretor, a ativista cultural irá iniciar uma nova trajetória como empreendedora e a partir disso lutará para afastar membros da comunidade do tráfico.
“Quem vive nas comunidades ou quem vai às comunidades sabe que isso acontece e é muito bonito que isso aconteça(…) Esses núcleos que se relacionam com a vida em comunidade, e que não tem, necessariamente, a ligação direta com o crime, estão presentes na segunda temporada de maneira muito forte, isso é visto de maneira mais frontal, mais clara, mais límpida”, disse o diretor Aly Muritiba.
Ainda assim, veremos conflitos internos de outros personagens, como Cenoura (Matheus Nachtergaele), com a relação com o tráfico. Após passar um período na prisão, Cenoura retornará à comunidade determinado a se afastar da criminalidade. Ainda assim, ele se verá sem outro caminho a não ser imergir nesse mundo novamente.
“Não se faz dele um herói, nem se fez dele um herói na época do primeiro filme. Ele é um cara envolvido com crime, mas ele é um cara que tem sua ética. Ele é, nessa temporada agora, trazido de volta a pedido da comunidade para tentar aplacar a violência dos meninos. E é ele que vai tentar, vamos dizer assim, tomar essa violência e ensinar algum tipo de ética da bandidagem”, explicou Nachtergaele.
Leia mais: Como “Cidade de Deus” saiu dos cinemas e virou série?

“Cidade de Deus: A Luta Não Para” aborda expansão das milícias no Rio de Janeiro
Enquanto a série expande a vida na comunidade, a trama também promete entregar um thriller político. Para isso, colocará três personagens emaranhados no mundo da política carioca: Berenice (Roberta Rodrigues), Jerusa (Andréia Horta) e Cabeção (Kiko Marques).
Eleita vereadora do Rio de Janeiro, Berenice iniciará o mandato na ALERJ com o objetivo de enfrentar os interesses que conectam a política à atuação das milícias na cidade. Porém, descobrirá de perto como o crime organizado se infiltrou no âmbito político carioca.
Além dela, a trama também expande os dilemas de Jerusa. A advogada segue em sua jornada pessoal de vingança, enquanto trabalha como uma articuladora que forma um elo entre a milícia e o Estado. Outrora policial corrupto, Cabeção agora age como um agente do crime organizado dentro do sistema, como Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Segundo Kiko Marques, o público pode esperar um “acerto de contas” com o personagem.
Produzida pela O2 Filmes, a série dá continuidade à história apresentada no longa de 2002. Embora não conte com Fernando Meirelles por trás das câmeras, o cineasta participa do projeto como produtor junto a Andrea Barata Ribeiro, que produziu o filme.
A primeira temporada acompanha os desdobramentos de um novo período de novas disputas na comunidade, cerca de 20 anos após os acontecimentos do longa. O desafio para esse segundo ano do projeto, de acordo com o elenco e a equipe criativa, é aprofundar as tramas de cada personagem ao mesmo tempo que retrata uma nova articulação do crime no Rio de Janeiro.
Créditos de capa: Ali Karakas
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