Filme vencedor do Globo de Ouro Italiano 2025 de Melhor Trilha Sonora tem estreia inédita no 20º Festival de Cinema Italiano no Brasil

O 20º Festival de Cinema Italiano no Brasil traz para o público um longa inédito que é uma verdadeira obra cinematográfica. Dirigido por Gabriele Salvatores, o filme De Nápoles à Nova York (“Napoli-Nova York“) apresenta a realidade de imigrantes em meio ao imaginário infantil.

O roteiro acaba sendo um verdadeiro achado, visto que foi escrito há 80 anos por Federico Fellini (1920-1993) e Tullio Pinelli (1908-2009). A história contada através do olhar das crianças traz um aspecto diferente para um filme repleto de críticas sociais.

Enredo que prende a atenção do telespectador

A história começa com um resumo da ambientação do filme, realizado com quebra da quarta parede. Logo em seguida, descobrimos que aconteceu um desabamento que deixou a pequena Celestina (Dea Lanzaro) órfã, tendo apenas a irmã mais velha que foi embora para os Estados Unidos. E é exatamente assim que temos o nosso ponto de partida na história.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, entre as ruínas de uma Nápoles devastada pela miséria, a pequena tenta sobreviver com a ajuda de Carmine (Antonio Guerra), um garoto que também vive sozinho. Numa noite, os pequenos embarcam como clandestinos em um navio rumo a Nova York, com o sonho de viver com a irmã de Celestina. Porém, eles não fazem ideia de como a vida de um imigrante é difícil.

Salvatores faz um belo trabalho ao escolher retratar uma história cheia de críticas sociais de forma mais “mágica”. Temas como a dos imigrantes, o papel da mulher na sociedade e preconceito são representados na visão das crianças, mas sem perder a sua importância. Além disso, devemos lembrar que o manuscrito da obra cinematográfica tem 80 anos, porém, os assuntos retratados são pertinentes para os dias atuais.

Vivendo uma difícil realidade com uma visão “mágica” do mundo

Carmine e Celestina embarcam clandestinamente no navio porque o garoto ajudou o americano George (Omar Benson Miller) a vender um filhote de tigre e não recebeu a comissão prometida. Quando a embarcação parte, eles descobrem que não há volta e, provavelmente, nunca mais vão retornar para Nápoles, eles se escondem. Talvez, podemos dizer que esse é o fim do primeiro ato do filme.

O início da jornada deles rumo à Nova York é difícil, mas retratado de maneira leve. Mesmo quando as crianças são descobertas a bordo no navio, eles não demonstram medo. Domenico Garofalo (Pierfrancesco Favino) acaba sendo o salvador deles em relação ao capitão do navio, intercedendo pelos jovens clandestinos. O comissário, mesmo que com um semblante mais bravo, acaba cedendo ao encanto dos pequenos.

A partir da descoberta, Carmine e Celestina começam a transitar pelo navio, ajudando os tripulantes e fazendo amizades. Em meio a momentos trágicos, há também cenas que trazem um sorriso para o rosto do telespectador. Assistir ao filme com a percepção das crianças traz um peso diferente para a história, deixando situações dramáticas mais leves.

Finalmente, chegamos ao último ato: a cidade de Nova York. As crianças descobrem que o “sonho americano” não é bem aquilo que esperavam e acabam se perdendo um do outro no meio do caminho. Garofalo é quem acaba ajudando os pequenos, com ajuda de esposa, e um amor genuíno vai crescendo dentro deles.

Napoli-New York, filme inédito do 20º Festival de Cinema Italiano
Napoli-New York, filme inédito do 20º Festival de Cinema Italiano. Crédito: Divulgação.

Vale a pena assistir “De Nápoles à Nova York”?

O filme é leve, mas, ao mesmo tempo, traz temáticas pesadas e que geram debates importantes. Ele faz com que o telespectador fique apreensivo, mas também embarque na imaginação das crianças. Para dizer a verdade, nem parece que tem 124 minutos. É o tipo de filme que você pode assistir em qualquer época da vida, ele vai te impactar de alguma forma.

É uma história que mistura a imaginação com realidade. Você vê o desespero de Celestina ao ver o destino da irmã sendo traçado na sua frente. Entende porque Carmine protege tanto a amiga ou porque Garofalo quer adotar as crianças e o que isso significa para ele e a esposa. A trama é tão bem amarrada, que, no final, tudo faz sentido.

“De Nápoles à Nova York” (ou Napoli-New York) é um longa inédito disponível no 20º Festival de Cinema Italiano no Brasil,

Crédito imagem de capa: Divulgação

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