Desde que apareceram pela primeira vez em “Meu Malvado Favorito”, em 2010, os Minions deixaram de ser apenas coadjuvantes para se tornarem um verdadeiro fenômeno da cultura pop. Com seu idioma incompreensível, personalidade caótica e humor simples, os pequenos amarelos conquistaram crianças e adultos ao redor do mundo, estrelando filmes próprios, curtas-metragens e uma infinidade de produtos licenciados. Lógico, né? bichinhos fofinhos dão MUITO dinheiro.

É fácil entender por que eles dividem opiniões. Para algumas pessoas eles são apenas criaturas barulhentas, desastradas e exageradas. Para outras, principalmente as crianças, eles representam um humor universal, baseado em expressões, trapalhadas e comédia física que funciona independentemente do idioma ou da idade. E esse é o segredo de sua longevidade: os Minions seguem a tradição das pastelão como Charlie Chaplin, Os Três Patetas e até mesmo Mr. Bean, que faziam rir muito antes de o cinema depender de grandes diálogos.

Essa inspiração deixa de ser apenas uma influência para se tornar o próprio tema da história. O resultado é, sem exagero, um dos projetos mais criativos da franquia. Basta colocar os Minions diante de qualquer situação para que o desastre aconteça naturalmente. Em Minions e Monstros, essa essência permanece intacta, agora acompanhada por uma divertida homenagem aos monstros clássicos do cinema.

História, direção e roteiro

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Crédito: Divulgação Universal Pictures

Quando uma tribo de Minions chega à Hollywood dos primeiros anos do cinema, uma sequência de acidentes transforma os pequenos atrapalhados nas mais novas estrelas da indústria. Porém, a chegada dos filmes falados coloca um fim inesperado à carreira do grupo. Determinados a recuperar o sucesso, James e Henry decidem produzir o maior filme de monstros já feito. O plano, no entanto, sai completamente do controle quando criaturas reais são libertadas, dando início a uma aventura repleta de confusões.

Pierre Coffin entende perfeitamente o que faz os Minions serem tão populares e não tenta reinventar a fórmula. A direção aposta no humor físico, no ritmo acelerado e no caos característico dos personagens, enquanto aproveita a ambientação na Hollywood da era do cinema mudo para prestar uma divertida homenagem aos primórdios da sétima arte. As referências a clássicos do cinema e a figuras como Charlie Chaplin e Buster Keaton enriquecem a experiência sem parecerem forçadas.

O roteiro também sabe exatamente que o objetivo é divertir. Não há grandes reviravoltas ou uma trama complexa, mas isso nunca foi um problema para a franquia. Confesso que ri bastante durante a sessão. Os Minions continuam transformando qualquer situação em um desastre hilário, com piadas visuais que funcionam muito bem tanto para crianças quanto para adultos. Algumas piadas até pra frente demais considerando o público infantil.

Minha única ressalva é que a parte envolvendo os monstros demora um pouco para ganhar protagonismo. A primeira metade dedica bastante tempo à ascensão dos Minions em Hollywood, e o elemento fantástico acaba ficando em segundo plano. Felizmente, quando as criaturas finalmente entram em cena, o filme encontra seu equilíbrio e entrega momentos criativos, divertidos e um desfecho que faz valer a espera.

Dublagem brasileira é um dos grandes destaques

A dublagem nacional é um dos grandes trunfos de Minions e Monstros. Gravada no estúdio Delart, no Rio de Janeiro, a versão brasileira reúne alguns dos nomes mais queridos da dublagem, entregando interpretações cheias de personalidade e que potencializam o humor do filme. Philippe Maia dá voz ao diretor Max, Rodrigo Antas interpreta o carismático Goomi, enquanto Wendel Bezerra e Manolo Rey completam o elenco com atuações igualmente inspiradas.

Os Minions, é claro, continuam com a voz inconfundível de Pierre Coffin, responsável por preservar o icônico “minionês” que se tornou uma das marcas registradas da franquia. O resultado é uma dublagem divertida, bem dirigida e que mantém o excelente padrão das produções da Illumination, funcionando perfeitamente tanto para crianças quanto para adultos.

Quando os monstros finalmente entram em cena

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Crédito: Divulgação Universal Pictures

Se existe um ponto que realmente me incomodou, é justamente aquele prometido pelo próprio título. A parte envolvendo os monstros demora mais do que deveria para acontecer.

Grande parte do primeiro ato está dedicada à ascensão dos Minions em Hollywood, algo extremamente divertido e, honestamente, uma das melhores partes do filme. No entanto, quem entra na sessão esperando uma aventura focada nas criaturas pode sentir que a história leva tempo demais preparando o terreno.

Quando Goomi aparece, a narrativa finalmente mergulha no universo dos monstros. O simpático personagem é uma divertida releitura de Cthulhu, a lendária entidade criada por H. P. Lovecraft. Nos contos do autor, Cthulhu é uma criatura cósmica gigantesca, de cabeça semelhante à de um polvo, asas e poderes capazes de levar qualquer pessoa à loucura apenas com sua presença. Em Minions e Monstros, porém, essa figura aterrorizante ganha uma versão muito mais fofa, atrapalhada e carismática, funcionando como uma brincadeira inteligente com um dos maiores ícones da literatura de horror.

A partir daí, a ação cresce, as referências ao cinema fantástico ficam ainda mais evidentes e o filme entrega alguns de seus momentos mais criativos e divertidos. Ainda assim, fiquei com a sensação de que esse universo poderia ter sido explorado por mais tempo, já que as homenagens aos monstros clássicos são um dos aspectos mais interessantes da produção.

Visual impecável e referências para fãs de cinema

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Crédito: Divulgação Universal Pictures

Tecnicamente, Minions e Monstros mantém o elevado padrão da Illumination. A qualidade da animação impressiona pelas expressões faciais, pela fluidez dos movimentos e pelo excelente uso das cores e da iluminação.

Outro grande acerto está nas inúmeras referências ao cinema de monstros. O curta brinca com criaturas que marcaram gerações e transforma essas inspirações em parte da própria narrativa. Para quem gosta do gênero, a experiência fica ainda mais divertida ao reconhecer pequenas homenagens espalhadas pela produção.

Vale a pena assistir “Minions e Monstros”?

Sem dúvida. Minions e Monstros é muito mais do que um simples curta ou uma nova aventura dos personagens mais famosos da Illumination. É uma divertida homenagem à história do cinema, aos monstros clássicos e às origens da própria comédia visual.

Saí da sessão com um sorriso no rosto. Ri bastante das trapalhadas dos Minions, adorei as referências espalhadas e fiquei feliz em ver a franquia conseguindo se reinventar sem perder sua identidade. Fora a vontade que me deu de comprar um monte de bonequinho deles (rsrs).

A parte dos monstros demore um pouco para realmente engrenar, mas quando ela finalmente acontece, entrega diversão suficiente para justificar a espera.

Minions e Monstros estreia dia 01 de julho nos cinemas nacionais.

Crédito da capa: Divulgação / Universal Pictures

“Minions e Monstros” (Minions & Monsters) (Estados Unidos, 2026, 1h 29min) – Infantil e Família, Comédia, Aventura, Animação
Direção: Pierre Coffin
Roteiro: Pierre Coffin
Produtor: Christopher Meledandri, Bill Ryan
Produção: Illumination Entertainment
Música: John Powell
Classificação:  anos
Distribuição: Universal Pictures

poster minions e monstros
Crédito: Divulgação / Universal Pictures

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