A produção de Zelito Viana revisita a trajetória de Zuenir Ventura por meio de relatos de amigos, familiares e colegas de profissão
Conhecer a história de um jornalista também significa entender as pessoas e as convicções que moldaram sua trajetória. Em “Mestre Zu”, documentário dirigido por Zelito Viana, amigos, familiares e colegas de profissão revisitam a vida de Zuenir Ventura. Desse modo, entre histórias de redação, lembranças pessoais e episódios marcantes do país, a produção constrói um retrato que vai além das conquistas profissionais e revela o homem por trás de um dos nomes mais importantes do jornalismo brasileiro.
Com cerca de 70 minutos, o longa percorre diferentes fases da vida do jornalista. Assim, a narrativa combina depoimentos, entrevistas gravadas anteriormente e imagens de arquivo para recuperar experiências que marcaram sua carreira e sua vida pessoal. O resultado é um documentário que aproxima a memória individual da história recente do Brasil.
Uma vida contada por diferentes perspectivas
A narrativa segue uma ordem cronológica, o que facilita acompanhar os acontecimentos que moldaram a trajetória de Zuenir. Para reconstruir essa história, o documentário reúne relatos de pessoas que conviveram e trabalharam com ele. Além disso, algumas das entrevistas também permitem que o próprio jornalista participe dessa construção, compartilhando suas experiências e reflexões.
Dessa forma, a carreira ocupa um lugar central nessa retrospectiva. Ao longo de mais de seis décadas, Zuenir passou por importantes veículos da imprensa brasileira, como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Jornal do Brasil e O Globo, além das revistas O Cruzeiro, Veja, Época e IstoÉ. Além disso, na literatura, publicou obras fundamentais para compreender momentos da história brasileira, como “1968: O Ano que Não Terminou” e “Cidade Partida”.
No entanto, o documentário não se limita a enumerar realizações. Os depoimentos revelam um profissional que valorizava o aprendizado e mantinha a disposição para compartilhar conhecimentos. Seu espírito jovem e a relação próxima com colegas de diferentes gerações ajudam a explicar o apelido carinhoso de Mestre Zu.
Assim, a sua vida pessoal também ganha espaço. A relação com Mary Ventura, sua esposa há quase 64 anos, integra esse retrato e ajuda a revelar os vínculos que acompanharam sua trajetória. Além disso, o documentário também recupera sua origem humilde em Nova Friburgo, onde trabalhou em diferentes atividades para custear os estudos, e destaca a importância da mãe em sua formação.

O jornalismo de Zuenir Ventura
Uma das histórias mais marcantes envolve Genésio Ferreira da Silva, adolescente que testemunhou o assassinato de Chico Mendes, importante ambientalista brasileiro. Durante a apuração do crime, Zuenir soube que o garoto corria risco de vida e decidiu levá-lo para o Rio de Janeiro, onde permaneceu sob sua tutela até os 18 anos.
A decisão contrariava um princípio que o jornalista ensinava aos alunos: o repórter deveria manter distância da notícia. Naquele caso, porém, ele escolheu agir para proteger uma vida. Como relatou no longa, preferiu evitar uma morte a apenas noticiá-la. Desse modo, a história revela um conflito entre a distância profissional e a responsabilidade humana, que torna o retrato ainda mais significativo.
Ademais, o documentário também recupera episódios decisivos da história brasileira, como a prisão de Zuenir durante a ditadura militar, após o Ato Institucional nº 5 (AI-5), quando permaneceu detido por três meses. Desse modo, na parte final, um dos relatos destaca que ele continuou produzindo jornalismo mesmo aos 90 anos, demonstrando uma dedicação à profissão que atravessou décadas.
Essa trajetória confere ao filme um significado que ultrapassa a homenagem individual. “Mestre Zu” também é uma reflexão sobre a importância de continuar contando histórias, questionando o poder e defendendo a democracia, mesmo diante de ameaças autoritárias. Assim, ao acompanhar a vida de Zuenir, o documentário lembra que o jornalismo não se resume ao registro dos acontecimentos: também exige compromisso com a liberdade e disposição para enfrentar os desafios de cada época.
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Vale a pena assistir a “Mestre Zu”?
Sim. O documentário encontra sua força ao combinar memória afetiva e registro histórico, sem reduzir Zuenir Ventura às próprias realizações. Os relatos pessoais ajudam a compreender o homem por trás do jornalista, enquanto os episódios profissionais revelam as convicções que orientaram suas escolhas.
Para quem já conhece sua obra, o filme oferece novas perspectivas sobre uma história marcante. Para as novas gerações, apresenta não apenas a contribuição de Zuenir para a imprensa brasileira, mas também as razões pelas quais seu legado continua relevante.
Ao final, fica uma reflexão que ultrapassa a homenagem: o jornalismo não se resume a publicar notícias. Também significa compreender o país, questionar o poder e defender a democracia. A história de Zuenir Ventura lembra que, mesmo diante dos desafios, ainda vale a pena ser jornalista.
“Mestre Zu” estreia nos cinemas brasileiros em 22 de outubro de 2026.
Ficha Técnica
Mestre Zu
Brasil, documentário, 2026, 70min
Direção: Zelito Viana
Codireção: Luciana Savaget
Produção: Mapa Filmes do Brasil
Coprodução: GloboNews
Roteiro: Ana Madureira, Tereza Karabtchevsky e Ivan de Angelis
Produção Executiva: Vera de Paula
Produtora Associada: Elisa Ventura
Classificação: 12 anos
Distribuição: Bretz Filmes

Créditos da capa: Divulgação
Estagiária sob supervisão de Giovanna Affonso.
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