Documentário acompanha Davi Kopenawa em uma jornada entre a Amazônia e Brumadinho para refletir sobre a mineração, a destruição ambiental e a relação entre humanidade e natureza.
Maxita de Mariana Machado e Ana Maria Machado é um dos documentários participantes da 20ª CineBH (Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte). O longa acompanha o xamã Yanomani Davi Kopenawa e sua luta diária para combater o avanço do garimpo nas terras de seu povo. Durante o evento, o público pôde conferir a produção durante uma sessão no Cine Theatro Brasil e também no Itaú Cultural Play.
Antes de apresentar o cenário atual, ‘Maxita’ relembra que os conflitos em terras Yanomamis, a primeira invasão do garimpo é datada em 1975. Contudo, apesar da demarcação de terra em 1992, há uma nova onda de invasões durante os anos 2016 e 2022, devido ao interesse na grande quantidade de ouro existente no solo da região.
Muitos devem lembrar da reportagem emblemática de Sônia Bridi e Paulo Zero durante uma missão humanitária em uma aldeia Yanomami, em janeiro 2023. Por consequência, aquelas imagens que reverberaram no mundo, mostravam as condições em que aquele povo estava após terem tido contato com água contaminada com minérios do garimpo, enfrentarem surtos de malária e falta de comida.
A desinformação também contamina as aldeias
Nas imagens, gravadas por volta de 2022, Kopenawa demonstra preocupação com o avanço dos grupos de garimpeiros. Apesar de seus esforços, algumas integrantes de seu grupo ainda não enxergam a proximidade ou o tamanho do perigo, alguns até mantém contato com os grupos externos. Portanto, o xamã decide sair de Boa Vista (RR) e ir até Brumadinho (MG), ver com seus próprios olhos e registrar as consequências do desastre de 2019, envolvendo a mineradora Vale.
O líder indígena acredita que só levando as imagens até sua aldeia conseguirá convencê-los do perigo que os maxita watimapë, “os comedores de terra”, podem trazer para suas terras. Ao longo dessa jornada de combater a desinformação e evitar o contato entre seu povo e os criminosos, Kopenawa reencontra Ailton Krenak, um velho amigo e também uma liderança indígena mundialmente reconhecida.

Logo, Krenak relembra que seu povo vem da região do Vale do Rio Doce, onde antes havia uma floresta de mesmo nome. Com o avanço do garimpo e na mineração, a localidade passou a ser chamada de “Vale do Aço”, algo que o ambientalista critica pesarosamente por reduzir riqueza da região a um metal. O filósofo sabe na pele o perigo que os Yanomamis correm, já que os Krenak foram diretamente afetados pela tragédia em Mariana (MG), de 2015.
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Vale a pena assistir ‘Maxita’?
Sim, vale a pena. É preciso nos aprofundar cada vez mais nas demandas dos povos originários. Isso porque, sua proteção é nosso dever enquanto cidadãos do mundo e pode garantir a nossa sub-existência por mais algumas décadas. O garimpo ilegal é conhecido por manter um ecossistema de exploração e violência nas regiões em que ocupa. Dessa forma, ambientalistas e líderes indígenas temem o aumento da extinção de mais povos originários e o avanço das crises climáticas com a ocupação desenfreada.
Todos anos, milhares de pessoas morrem numa guerra ainda mais desenfreada do que o tráfico de drogas. Basta lembrar do caso do britânico Dom Phillips e do funcionário da Funai (Fundação Nacional do Índio) Bruno Pereira. A dupla foi assassinada por ribeirinhos durante uma expedição no Vale do Javari, enquanto o jornalista buscava entrevistar moradores para um livro sobre a Amazônia. Lutar pelos povos originários do Brasil também é uma causa dos centros urbanos. Afinal, o que será de nós quando a água potável e o ar puro acabarem? Maxita ainda não tem data de estreia definida.
Imagem de capa: Reprodução / Olhar de Cinema
Maxita
Brasil / Bélgica, documentário, 2026, 65min
Direção: Mariana Machado e Ana Maria Machado
Produção: Mariana Machado e Ana Maria Machado
Montagem: Affonso Uchôa
Fotografia: Ana Galizia, Cassandra Mello, Carol Quintanilha, Fred Rahal, Mariana Machado, Lucas Campos e Luis Oliveira
Som: Som Direto: Maru Arturo, João Tito e Fabrício Lins – Desenho de Som: Henrique Staino e Bruno Vasconcelos
Produtora: SALTO filmes
Distribuidora: Murmúrio Filmes
Elenco: Davi Kopenawa, Ailton Krenak, Claudio Yanomami, Gerson Blane Yanomami, Laura Yanomami, Daryssa Yanomami, Noemia Yanomami, Joseca Mokahesi Yanomami, Anita Yanomami, Suzana Yanomami, Lourdes Yanomami, Dalcirene Yanomami, Sheila Yanomami e Dionara Yanomami

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