Quando falaram que em 2026 teríamos o filme de Michael Jackson, eu tive dois sentimentos. O primeiro foi de alegria, porque cresci escutando suas músicas e assistindo aos clipes (tenho uma tia que é super fã dele). O segundo sentimento veio pela leva de filmes biográficos que tivemos recentemente, dos quais apenas dois eu realmente gostei: Rocketman (2019), sobre Elton John, e Better Man (2024), sobre Robbie Williams. Fica a dica para vocês.

Quando vi que parte da equipe envolvida no filme tinha ligação com Bohemian Rhapsody (2018), fiquei com receio de como seriam abordados os momentos marcantes do maior astro pop que o mundo já conheceu. E, no fim… a segunda preocupação foi a que se confirmou.

Infância de Michael e início do Jackson 5

O filme começa em 1966, quando Michael tinha cerca de 7 anos. Nessa fase, ele é interpretado por Juliano Krue Valdi, que está excelente no papel e é muito parecido com o artista em sua infância.

Nesse início, vemos os irmãos nos ensaios do que futuramente seria o Jackson 5. É mostrado como eles eram tratados: cobrados e até maltratados pelo pai, interpretado pelo excelente Colman Domingo, que, na minha opinião, entrega a melhor atuação do filme. Um detalhe marcante é que os filhos não o chamam de “pai”, mas sim de Joseph.

O filme demonstra que todos eram talentosos e funcionavam bem como grupo, mas, como sabemos, o destaque sempre foi Michael, que já cantava e dançava como ninguém.

Vemos também o início da carreira, contratos e conquistas como discos de prata, ouro e diamante. Eles passam por diversos shows pequenos até conseguirem a grande oportunidade que leva o Jackson 5 ao reconhecimento.

Ainda nessa fase, é mostrado, de forma mais tímida, o cuidado da mãe de Michael, interpretada por Nia Long, especialmente com ele.

Cena do Jackson 5 no filme "Michael" (2026)
Cena do Jackson 5 no filme “Michael” (2026). Crédito: IMDb

Agora é a vez de Michael Jackson!

O filme dá um salto no tempo, mostrando a família já em uma excelente condição financeira e todos como jovens adultos. Vemos Michael com seus gostos por animais considerados exóticos, como pavões e lhamas. Também é abordada sua primeira cirurgia no nariz, além das preocupações com sua condição de pele.

Mesmo com o crescimento dos filhos, Joseph ainda mantém total controle sobre a carreira deles. Mas Michael começa a querer algo diferente. É nesse momento que ele inicia o trabalho no álbum Off the Wall (1979), que foi um enorme sucesso. O filme dá a entender que esse seria seu primeiro álbum solo, o que não é correto, porque o primeiro disco solo foi Got to Be There (1972).

Com o sucesso de Off the Wall, Joseph decide colocar os filhos novamente em turnê com o Jackson 5. Durante esse período, acontece um acidente grave com Michael, deixando fãs preocupados com sua saúde.

Michael se torna o astro pop

Após tudo o que passou, Michael decide assumir o controle de sua vida e carreira. Em seguida, ele lança – para muitos, inclusive para mim – o melhor álbum de sua carreira e talvez o maior da música pop: Thriller (1982).

Esse álbum revolucionou a indústria musical no mundo inteiro. Michael quebrou recordes que permanecem até hoje, e isso é mais uma falha do filme, que não apresenta números ou a real dimensão desse sucesso.

O filme mostra bem como Michael sempre esteve à frente de seus projetos, tanto nas músicas quanto na produção e nas ideias para os clipes, incluindo Thriller, que é considerado por muitos o melhor videoclipe de todos os tempos.

Michael, filme biografico de Michael Jackson | Crédito: Reprodução
Michael, filme biografico de Michael Jackson | Crédito: Reprodução

Conclusão final

O encerramento do filme foca na saída de Michael do Jackson 5 e no início definitivo de sua carreira como Rei do Pop. Como já foi divulgado, essa biografia será dividida em duas partes.

O filme passa longe de demonstrar a real grandeza de Michael Jackson, que permanece até hoje. Por outro lado, a qualidade musical é excelente: o som é alto, limpo e muito bem trabalhado, o que melhora bastante a experiência. Não será surpresa se você se pegar cantando ou até dançando na poltrona.

Sinto que o filme suaviza demais as agressões e humilhações que Michael sofreu do pai. Além disso, praticamente não aborda o racismo enfrentado por ele e seus irmãos ao longo da carreira.

Outro ponto que me incomodou bastante foi a ausência de legendas nas músicas. Em um país onde poucas pessoas falam inglês fluentemente, isso faz muita diferença, ainda mais em um filme com tantas canções.

Espero que a segunda parte dessa biografia traga melhorias significativas.

Michael estreia nesta quinta-feira, 23 de abril, nos cinemas brasileiros.

Ficha Técnica

Michael
EUA, 2026, 125 min.
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: John Logan
Elenco Principal: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Juliano Valdi e Nia Long
Produção: Graham King, John Branca e John McClain
Direção de Fotografia: Dion Beebe
Classificação: 12 anos
Distribuição: Universal Pictures Brasil

Imagem de capa: IMDb