A magia do mundo de Oz sempre foi um convite ao esplendido, e esta nova adaptação tenta modernizar a clássica jornada da jovem Ellie. Isso mesmo que você leu, não é a Dorotty. E é justamente essa tentativa de misturar elementos contemporâneos com um universo essencialmente fantasioso, que o filme se perde entre o encantamento e a incoerência.

O Brilho da Imaginação

Visualmente, O Maravilhoso Mágico de Oz é um deleite para os fãs. A direção de fotografia de Mikhail Milashin capta paisagens deslumbrantes, explorando um CGI que, dentro de certos limites, é decente o suficiente para criar um mundo vibrante. As cores são vivas, os cenários são grandiosos, e a ambientação geral se esforça para levar o espectador a um universo encantado. Tem determinadas cenas que de fato arrancam um brilho da gente.

O trio clássico – Homem de Lata, Leão e Espantalho – funciona bem e carrega parte do carisma necessário para tornar a jornada envolvente. Todo o carisma que não existe no restante do elenco. Existe um toque de humor que, ainda que pontual, rende risadas genuínas. A tentativa de modernização do conto clássico também tem alguns méritos, trazendo uma atmosfera diferenciada quando comparado a outras adaptações mais tradicionais. Fiquei com a impressão de um filme meio steampunk, que casa bem com a proposta de Oz, mas nem tudo são flores, meu querido público.

O Maravilhoso Mágico de Oz

O Descompasso Entre Fantasia e Modernidade

Se a fotografia encanta, o roteiro decepciona. A história, escrita por Timofei Dekin, Roman Nepomnyashchiy e Aleksandr Volkov, é cheia de inconsistências e dá a impressão de que o filme está perdido dentro do próprio universo. A presença de elementos modernos, como o uso de celular dentro do mundo mágico, destoa completamente da essência da narrativa. O que poderia ser uma fábula atemporal acaba parecendo uma tentativa desconexa de ensinar uma lição de moral sobre o uso de tecnologia por crianças – algo que não se encaixa na história e soa forçado. É com toda sinceridade do mundo, uma das piores ideias que eu vi em um filme recentemente.

Ellie, a protagonista, não é interpretada com a força necessária para carregar o filme. Embora seja uma criança, sua atuação não transmite a emoção e a energia que a jornada exige. O elenco de apoio também é fraco, deixando buracos na narrativa que nem mesmo a direção consegue disfarçar. E isso claramente é um problema de direção, que não conseguiu tirar da atriz todo o potencial que ela deveria entregar. Ora, se é para competir com Judy Garland, precisa entregar pelo menos algo maior.

Falando em direção, Igor Voloshin parece não saber exatamente que tipo de história deseja contar. Em diversos momentos, a trama se arrasta ou se perde em soluções visuais que não são acompanhadas por uma estrutura narrativa coerente. A edição, por sua vez, não consegue dar ritmo adequado, resultando em uma experiência desastrosa. Uma pena, já que o filme tinha todo um potencial comercial, que aproveitaria o hype de Wicked, lançado no final de 2024.

Vale a pena assistir?

No final das contas, O Maravilhoso Mágico de Oz é um filme que tem visuais impressionantes e um elenco de personagens carismáticos, mas sofre com um roteiro fraco, atuações irregulares e escolhas narrativas duvidosas. Se você busca um entretenimento infantojuvenil descompromissado, pode encontrar algum encanto na produção. No entanto, para os fãs do clássico e para os adultos que esperam uma releitura mais coesa e respeitosa, a experiência pode ser decepcionante.

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