Depois de um “promissor recomeço” com Superman, James Gunn dá continuidade ao novo Universo DC com Supergirl, longa dirigido por Craig Gillespie (Cruella e Eu, Tonya) e roteirizado por Ana Nogueira a partir da HQ Supergirl: Woman of Tomorrow, de Tom King e Bilquis Evely. A expectativa era alta. Afinal, a história original é considerada uma das melhores fases da personagem nos quadrinhos, e Milly Alcock já havia despertado curiosidade em sua breve participação no filme anterior.

O resultado, porém, é um filme que entretém, mas nunca alcança o potencial da obra que adapta. Entre uma direção excessivamente confortável, um roteiro que prolonga artificialmente seus conflitos e uma identidade visual que parece emprestada de outras produções, Supergirl acaba sendo apenas uma aventura mediana. A boa notícia é que Milly Alcock faz de Kara Zor-El uma personagem muito mais interessante do que o próprio filme.

Uma direção que prefere repetir do que arriscar

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Crédito: Divulgação Warnes Bros.

Craig Gillespie demonstra competência para conduzir as cenas de ação, mas raramente imprime personalidade ao longa. Desde que James Gunn assumiu a DC Studios, era natural esperar uma unidade estética entre os filmes. O problema é que Supergirl parece interessado demais em repetir a fórmula de sucesso de Guardiões da Galáxia e do próprio Superman.

Alienígenas caricatos, criaturas extravagantes, humor constante, trilha sonora marcante e grandes explosões aparecem em sequência, como se o filme tivesse receio de desacelerar. Sempre que surge uma oportunidade para aprofundar Kara emocionalmente, a direção rapidamente corta o momento com uma piada ou uma nova cena de ação.

Essa escolha faz o longa perder identidade. Em vários momentos, a sensação é de estar assistindo a uma mistura de Guardiões da Galáxia, Thor: Ragnarok, Star Wars e Mad Max, sem que Supergirl encontre uma personalidade própria.

Um roteiro que cria problemas para justificar a jornada

A maior fragilidade está no roteiro. A motivação que coloca Kara e Ruthye na estrada espacial funciona como ponto de partida, mas rapidamente perde força. O conflito principal parece simples demais para sustentar quase duas horas de duração e, por isso, a narrativa cria desvios, encontros e obstáculos que muitas vezes soam artificiais.

Em vez de aumentar a tensão, essas escolhas tornam a aventura repetitiva. A sensação constante é de que a história está andando em círculos apenas para alcançar o tempo de um blockbuster. Quando finalmente chega ao confronto final, boa parte do impacto emocional já se perdeu.

Também pesa o fato de que o roteiro aborda temas como trauma, vingança e culpa de maneira bastante superficial. As ideias estão presentes, mas raramente são exploradas com a profundidade que mereciam.

Milly Alcock salva o filme

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Crédito: Divulgação Warnes Bros.

Um bom motivo para assistir a Supergirl é Milly Alcock. A atriz traz segurança em sua interpretação, equilibrando sarcasmo, vulnerabilidade e impulsividade com enorme naturalidade. Sua Kara é imperfeita, emocionalmente quebrada e muito diferente da imagem clássica da heroína, mas por isso mesmo que a torna interessante.

É impossível não perceber que Alcock está atuando em um filme melhor do que aquele que realmente existe. Ela convence até quando o roteiro não ajuda.

Eve Ridley funciona bem como Ruthye, embora sua personagem siga caminhos bastante previsíveis. Já Matthias Schoenaerts interpreta um antagonista competente, mas genérico, sem o carisma necessário para se tornar memorável. Jason Momoa claramente se diverte como Lobo, mas sua participação parece existir mais para preparar o futuro da franquia do que para servir à narrativa.

Visual competente, mas sem identidade

Visualmente, Supergirl também decepciona. Craig Gillespie aposta em um universo dominado por ferrugem, poeira e tons terrosos, tentando criar um faroeste espacial. A proposta poderia funcionar, mas a repetição dos cenários faz o filme parecer visualmente limitado. Falta variedade, falta cor e, acima de tudo, falta imaginação para um universo repleto de possibilidades.

Os efeitos especiais cumprem seu papel, assim como as cenas de ação, mas poucas delas permanecem na memória depois que os créditos sobem.

Vale a pena assistir “Supergirl”?

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Crédito: Divulgação Warnes Bros.

“Supergirl” está longe de ser um desastre. É um filme divertido, tem boas cenas de ação e apresenta uma protagonista excelente. O problema é que tudo ao redor dela parece funcionar no piloto automático.

Craig Gillespie entrega uma direção segura, mas sem personalidade. Ana Nogueira adapta uma das melhores histórias da personagem sem conseguir traduzir toda sua força emocional para as telas. E o roteiro prolonga um conflito que poderia ser resolvido muito antes, comprometendo o ritmo da narrativa.

No fim, fica a sensação de que a verdadeira estreia da Supergirl no novo Universo DC ainda está por vir. Porque Milly Alcock claramente merece um filme muito melhor do que este.

Crédito da capa: Divulgação Warnes Bros.

“Supergirl” (Supergirl) (Estados Unidos, 2026, 1h 50min) – Ficção científica/Ação
Direção: Craig Gillespie
Roteiro: Ana Nogueira, Jerry Siegel, Joe Shuster
Elenco Principal: Milly Alcock, David Corenswet, Eve Ridley
Produtor: James Gunn, Peter Safran
Produção: DC Studios
Fotografia: Rob Hardy
Música: Claudia Sarne
Classificação: 14 anos
Distribuição: Warner Bros.

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Crédito: Divulgação Warnes Bros.

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