O filme Um Pai para Lily (“Bob Trevino Likes It“) é uma produção que mistura drama e comédia. Distribuído pela Synapse Distribution, o longa tem como base fatos reais vivenciados pela diretora e roteirista da obra, Tracie Laymon.

Na história, acompanhamos a vida de uma jovem solitária que lida com a falta de amor paterno e que está sempre buscando agradar os outros. Um encontro inesperado com um desconhecido na internet acaba virando uma bela amizade e um caminho para a protagonista se redescobrir como pessoa.

A história do filme

Logo no princípio do filme, percebe-se que Lily Trevino, vivida por Barbie Ferreira, tem dificuldade de se impor em situações que a machucam emocionalmente. Ela sempre está disposta a agradar à outra pessoa e deixa de dizer aquilo que pensa. Não demorar para enxergar que essa situação tem ligação com a relação que ela possui com o pai, Robert Trevino.

Após a jovem estragar os planos do pai – mesmo que sem querer -, ele rompe laços com a garota. A partir dessa cena, fica mais fácil para o público entender que a garota possui muita dependência emocional, ficando perdida e cometendo loucuras quando não recebe notícias do progenitor.

Acaba sendo a partir de uma pesquisa na internet que ela encontra um certo Bob Trevino, interpretado por John Leguizamo. Sendo assim, Lily faz uma solicitação de amizade, acreditando que a pessoa é seu pai. Porém, logo descobrimos que era apenas uma pessoa com o mesmo nome, sem relação com ela.

A partir desse encontro inusitado, Bob começa a curtir as publicações da jovem. Inclusive, esse é o motivo para o nome original do filme Bob Trevino Likes It, pois ele curtia tudo que ela postava na rede social. E é assim que a amizade deles começa.

Barbie Ferreira como Lily em "Um Pai para Lily"
Imagem: Divulgação

Uma amizade inesperada

Se Lily tem na bagagem uma mãe que a abandonou e um pai negligente, Bob também carrega seu trauma: a perda de um filho. A amizade deles começa com Lily depositando no homem desconhecido toda sua dependência emocional, porque sente o carinho que ele tem com ela, como um pai possui com um filho. Porém, quando ela acaba sendo confrontada por conta dessa situação, tem uma crise de choro e vemos no excelente trabalho de Barbie Ferreira o quanto a jovem se agarrou a “chance” de ter uma nova figura paterna.

Com um roteiro leve e bem trabalhado, com diálogos simples e cheios de significado, fica fácil se afeiçoar aos personagens. Torcer pela amizade de Lily e Bob acaba se tornando algo natural para o telespectador. Além disso, assistir a forma como cada conversa entre eles faz com que os personagens evoluam emocionalmente acaba trazendo um pouco de reflexão pessoal para o telespectador.

Um bom exemplo disso é a cena logo no início do filme, que Lily vai pela primeira vez na terapia e acaba deixando a terapeuta em lágrimas com sua história de vida. Depois, quando ela retorna para dar um update sobre sua vida, a mulher sorri e fica feliz ao constatar sua evolução.

A verdade é que a amizade de Lily e Bob pode ser vista por muitos telespectadores como algo estranho, assim como os personagens secundários enxergam na história. Talvez o principal motivo seja a diferença de idade entre eles, não a forma como se conheceram. No entanto, Lily e Bob se completam e agregam na vida um do outro. Ambos não possuíam amizades e eram solitários, mas encontraram algo genuíno a partir de um encontro inesperado.

John Leguizamo como Bob Trevino em "Um Pai para Lily"
Imagem: Divulgação

Vale a pena assistir “Um Pai para Lily”?

“Um Pai para Lily” é um filme leve, mas que retrata assuntos reflexivos e importantes. A indiferença parental acaba sendo o principal, mas vemos também como o luto de um filho pode afetar a vida de uma pessoa. Durante uma hora e quarenta e um minutos, você embarca na história e fica curioso para saber mais sobre essa amizade que está nascendo.

Tracie Laymon fez um excelente trabalho na direção. Um bom exemplo é quebra da quarta parede na primeira cena de Lily na terapia. A escolha traz o público para dentro da história, pois é como se a protagonista estivesse relatando a vida para quem está assistindo à obra. Além disso, como a produção é baseada na vida dela, o toque final com a mensagem real que ela trocou com o amigo Bob deixa um quentinho no coração.

As atuações em geral são ótimas, mas o destaque vai para Ferreira e Leguizamo. Ambos conseguem passar a emoção com apenas o olhar, como as inseguranças e medos de Lily e a dor e preocupação de Bob. Uma das cenas tocantes e marcantes do longa é quando Lily e Bob visitam um abrigo de animais e o homem ajuda a jovem a superar um trauma de infância. Dá para ver na face dos atores tudo aquilo que os personagens estão sentindo, sem necessidade de muitas palavras.

Então, se você estiver querendo assistir a um filme sem muitos efeitos especiais e que retrata vida de pessoas comuns, esse longa é uma boa opção. A história tocante aborda temas importantes com suavidade e de forma fluida, envolvendo o telespectador.

Por fim, “Um Pai para Lily” estreia nesta quinta-feira, 01 de maio, nos cinemas brasileiros.

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