Como pode uma única voz conseguir ir contra o poder? Será que uma pessoa consegue mudar o mundo? Na verdade, é preciso entender que uma voz determinada consegue mover montanhas se o seu objetivo for nobre.

O filme acompanha a longa disputa judicial – que iniciou em 1998 e se estendeu por anos – entre um agricultor de canola, Percy (Walken) e uma gigante corporação global, a Monsanto. Acusado de cultivar em sua terra, sem licença, sementes geneticamente modificadas (transgênicos) da empresa, Percy vai ao tribunal em busca de justiça. Quando começa a reunir as provas para a sua defesa, descobre que, na realidade, está lutando por milhares de agricultores desprivilegiados em todo o mundo. Após se tornar um símbolo da luta contra as grandes corporações, Percy Schmeiser faleceu aos 89 anos, em 2020.

Assim como em Erin Brockovich, o filme mostra a força que as grandes corporações acham que detém sobre as pessoas e suas vidas. Mas nesse caso especifico, sobre como a Monsanto decidiu que a natureza também é sua propriedade. Percy Schmeiser era um agricultor, plantava Canola, uma planta da família das crucíferas (como o repolho e as couves) que tem várias utilidades, entre elas a de se fazer óleos. Entretanto, no que diz respeito a plantação, a Monsanto criou uma semente capaz de sobreviver a seus pesticidas. Bem conveniente, não?

A luta de Percy contra a gigante global se dá em um momento de sucesso de colheita. A global acusam Percy de roubar sua tecnologia, mesmo que sem querer, e querem reaver as sementes e seus frutos de colheita. A imposição do poder sobre o pequeno agricultor.

Esse filme mostra muito sobre como é necessário ter perseverança quando se decide lutar contra as injustiças. Nesse sentido, Christopher Walken entrega um personagem incrivelmente retraído, obvio, um senhor de idade, agricultor, que viveu a vida inteira plantando e colhendo, e da noite pro dia precisa se tornar garoto propaganda de um ideal, de uma causa. É possível ver o sofrimento nos gestos e no semblante que Walken dá a Percy.

Foto: Reprodução Synapse Distribution

Uma grata surpresa foi ver Christina Ricci tão bem no papel da ativista que ajuda Percy a ter voz perante o mundo. Ela está numa fase bem interessante da maturidade como atriz. Ainda que ande afastada dos grandes lançamentos, Ricci é uma atriz que detém muitas faces a mostrar. Uma pena ter tido pouco tempo de tela, mas o suficiente para deixar sua marca em um filme tão impactante.

Uma voz contra o poder é um filme emocionante, que mostra o poder que uma pequena voz pode ter quando fala em nome de vários outros sem voz. Mostra que é um fardo ter que lutar por quem não pode lutar, mas ao mesmo tempo mostra como é importante ter essas pessoas no mundo. Percy, faleceu no ano de 2020, ainda assim, se tornou uma inspiração e mudou a maneira como as empresas do agronegócio enxergam a relação das suas patentes com seus agricultores.

A fotografia belíssima, uma trilha sonora simples e objetiva, trabalham em conjunto do roteiro de Garfield L. Miller e Hilary Pryor. Enfim, Uma voz Contra o Poder é um filme necessário em tempos de tantas incertezas, e que serve não somente como alerta mas como inspiração.

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