Ancestralidade, reencontro e história não registrada em livros ou nas telas de cinema — até agora.

Em YÕG ÃTAK: MEU PAI, KAIOWÁ a diretora Sueli Maxakali busca por seu pai, Luiz Kaiowá, de quem foi separada com poucos meses de vida. O documentário, com câmera estática, captura as tentativas de Sueli de contatar o pai por ligações de celular até o reencontro real. Além disso, mostra os Maxakali se estabelecendo na Aldeia-Escola-Floresta, em Minas Gerais — assim como os modos de vida dos Kaiowá e a situação atual de Luiz Kaiowá.

Cada cena traz um conhecimento imersivo sobre o modo de viver dos dois grupos, que juntos conseguem escrever parte da história do Brasil.

Sinopse

O documentário YÕG ÃTAK: MEU PAI, KAIOWÁ com direção de Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna.

A obra retrata a busca de Sueli Maxakali e Maísa Maxakali por seu pai, Luiz Kaiowá, de quem foram separadas durante a ditadura militar no Brasil. O filme acompanha a jornada da cineasta para reencontrá-lo, além de evidenciar as lutas enfrentadas pelos povos indígenas Tikmũ’ũn e Kaiowá em defesa de seus territórios e modos de vida.

Em tempos de ditadura

Luiz Kaiowá / Imagem: Divulgação

A ditadura militar separou diversas famílias brasileiras. Algumas histórias mais elitistas foram contadas, mas aqui o o relato vem de uma família de povos originários que teve seus destinos cruzados pelos horrores do regime.

A cada minuto do filme, conhecemos mais sobre essa família e como ocorreu a separação. Sueli e o próprio Luiz relatam como, desde cedo, ele e sua família desbravaram o país, passando por São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse período, Luiz e sua família foram levados à força para Minas Gerais por agentes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Ele viveu por mais de 15 anos entre os Tikmũ’ũn (Maxakali), onde nasceram Sueli e sua irmã Maísa. No entanto, quando Sueli estava com apenas dois meses de vida, Luiz foi redirecionado para o Mato Grosso do Sul e nunca mais retornou.

Luiz Kaiowá conta à filha que, durante a ditadura, trabalhou com tratores e presenciou muita violência dos militares contra os Maxakali. Um dos nomes mencionados por Luiz e por outras pessoas é o de Pinheiro, um militar responsável pelas ações da época.

Maxakali e Kaiowá

Imagem/ Divulgação

No início do documentário, conhecemos os Maxakali: o marido, os filhos e os netos de Sueli Maxakali, apresentados por ela em um vídeo gravado para o pai. Ao longo do filme, vemos as tentativas de Sueli de contatá-lo e de buscar informações sobre sua história com familiares mais velhos.Ao mesmo tempo, no Mato Grosso do Sul, com o auxílio de duas primas de Sueli, tentam falar com Luiz Kaiowá — que, a princípio, não queria aparecer nas gravações.

Em cada cena, os costumes dos Maxakali e dos Kaiowá apresentam suas músicas, danças, crenças e modos de vida em suas regiões. Até que o reencontro finalmente acontece. Acompanhamos os preparativos de ambos os grupos, com festividades, até Luiz ficar frente a frente com suas filhas, após décadas de separação.

Conforme os minutos passam, conhecemos mais sobre essa família marcada pela ditadura e sobre os povos indígenas do Brasil — principalmente os Maxakali, Kaiowá e Guarani. O destaque vai para o fato de ouvirmos a história sendo contada em seus idiomas originários, especialmente nas canções entoadas.

Vale a pena assistir YÕG ÃTAK: MEU PAI, KAIOWÁ?

O documentário é uma imersão na realidade dos povos indígenas, especialmente os Maxakali e Kaiowá. Nele, podemos conhecer um pouco de sua rotina, crenças e do desejo por terem sua existência respeitada — e, acima de tudo, por contarem suas próprias histórias. Dessa forma, vale a pena assistir e prestigiar o cinema indígena.

Por fim, YÕG ÃTAK: MEU PAI, KAIOWÁ estreia em 10 de julho, nos cinemas, com distribuição da Embaúba Filmes.

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