“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, novo longa sobre a vida de William Shakespeare, chega aos cinemas brasileiros em 15 de janeiro
Mais de 400 anos após sua morte, William Shakespeare segue sendo um dos maiores escritores da literatura mundial. Autor de clássicos como Romeu e Julieta e Hamlet, o dramaturgo tem um catálogo amplamente conhecida, mas sua vida pessoal permanece cercada de lacunas. Esse mistério em torno de sua trajetória desperta, até hoje, a curiosidade do público.
Livros e obras audiovisuais exploram a história do autor britânico na tentativa de preencher esses vazios. É o caso de Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (2026), longa dirigido por Chloé Zhao. O filme aborda o luto vivido por Shakespeare e Agnes, sua esposa, após a morte do filho Hamnet, ainda na infância. Aliás, a produção estreia no Brasil no dia 15 de janeiro.
Com poucos registros oficiais disponíveis, essas obras se apoiam em pesquisas históricas, interpretações acadêmicas e, muitas vezes, em rumores. Além disso, algumas produções recorrem à ficção para criar versões alternativas da vida de Shakespeare, misturando fatos e fantasia. A seguir, confira alguns filmes que retratam o escritor inglês sob diferentes perspectivas.
A tragédia familiar de Shakespeare
“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” é o título mais recente a explorar a vida pessoal do escritor britânico. A trama acompanha o núcleo familiar de Shakespeare, mostrando sua convivência com a esposa e seus filhos. O autor surge como um pai amoroso, especialmente com Hamnet (Jacobi Jupe), seu único filho homem. Porém, devido às exigências do trabalho, também é uma figura ausente na casa.
Após a morte do filho, aos 11 anos, Shakespeare se afasta da família e mergulha ainda mais na escrita. O luto torna-se uma possível fonte de inspiração para a criação de “Hamlet”, uma de suas obras mais emblemáticas.
O longa opta por retratar a intimidade do escritor, sem grande ênfase em seus feitos profissionais. Assim, apresenta um homem sensível, inteligente e sonhador, que se transforma em alguém mais pessimista após a tragédia familiar.
Outra obra que explora a paternidade de Shakespeare é A Pura Verdade (2018). Na trama, o dramaturgo (Kenneth Branagh) se aposenta e volta a viver ao lado de sua família. Ao retornar para casa, o escritor tenta reconstruir laços desgastados com a esposa e as filhas.
A produção foge do retrato idealizado ao mostrar um Shakespeare envelhecido, melancólico e perdido após abandonar os palcos. Longe da figura genial e intocável, o autor aparece arrependido de escolhas pessoais e em conflito com o próprio legado.

O poeta apaixonado
Já Shakespeare Apaixonado (1998) retrata a vida amorosa do escritor. No longa, o dramaturgo é um jovem galã, com uma lista longa de ex-amores. Durante um bloqueio criativo, ele busca uma nova musa e acaba se apaixonando por Lady Viola (Gwyneth Paltrow).
Shakespeare (Joseph Fiennes) é retratado como romântico, impulsivo e emocionalmente instável, dependente de suas paixões para criar. O poeta aparece como um personagem inconsequente, endividado e pouco confiável profissionalmente, atrasando entregas e mentindo para seus financiadores. Além disso, o filme sugere seu distanciamento da família, já que ele demonstra pouco envolvimento com os filhos que vivem com a ex-esposa.
O filme faz amplo uso da liberdade poética para criar ao criar personagens fictícios e situações inexistentes na biografia real do autor. Segundo pesquisadores, a mocinha nunca existiu na vida real, e não há registros de que o autor tenha se separado de sua esposa, Anne Hathaway. Assim, o roteiro fantasia a origem de “Romeu e Julieta”, sugerindo que o romance entre Shakespeare e Viola teria sido principal inspiração da história.
LEIA MAIS: “Águias da República” | Conheça o novo thriller político sobre o Egito
A teoria da fraude
Na contramão das obras citadas anteriormente, Anônimo (2011) explora a controversa teoria de que Shakespeare (Rafe Spall) não seria o verdadeiro autor de seus textos. Na narrativa, o Conde de Oxford, Edward de Vere (Rhys Ifans), aparece como o gênio por trás de clássicos como O Mercador de Veneza e Macbeth.
Nesse retrato, Shakespeare é mostrado como um ator analfabeto, incapaz de escrever os textos que lhe são atribuídos. Constantemente bêbado e ridicularizado, ele aceita assumir a autoria das obras em troca de dinheiro e prestígio. Assim, o subverter o consenso histórico, o filme apresenta uma versão radicalmente distinta do escritor, o que provoca estranhamento e debate entre o público e especialistas.

Seja por abordagens intimistas ou teorias de conspiração, os filmes dizem mais sobre o tempo em que foram produzidos do que sobre a vida de Shakespeare. No fim, essas obras não buscam respostas definitivas; elas apenas reafirmam o enigma da vida do escritor, provando que sua figura permanece aberta a reinvenções e disputas narrativas séculos após sua morte.
Imagem de capa: Agata Grzybowska/Focus Features
📲 Entre no canal do WhatsApp e receba novidades direto no seu celular e Siga o Geekpop News no Instagram e acompanhe conteúdos exclusivos.