Celebrado no dia 12 de outubro, o Dia das Crianças traz a oportunidade perfeita de resgatar uma das formas de lazer que atravessou gerações: as histórias em quadrinhos. Elas nos trazem narrativas repletas de personagens carismáticos, ilustrações divertidas e que unem humor e aventuras. As HQs conquistam não só o público mais velho, mas também quem está iniciando no universo da leitura. Assim como transformam cada página em um novo aprendizado.
Para além da diversão, as histórias em quadrinhos desempenham um papel significativo quando falamos no processo de alfabetização infantil. Eles se apresentam de maneira lúdica e acessível. Isso porque, sua forma de unir textos curtos, ilustrações e diálogos facilita a compreensão entre palavras e imagens. Além de estimular a interpretação e ampliar o vocabulário.
Esse processo consegue proporcionar a interação com histórias divertidas, que cativam o público, incentivam a criatividade e a imaginação. Com isso é possível despertar o interesse pelos livros e fazer da leitura um hábito prazeroso desde o início da infância. Dentre os diversos títulos espalhados pelo Brasil e pelo mundo, separamos três clássicos que seguem prendendo a atenção das crianças: Turma da Mônica, O Menino Maluquinho e Peanuts.
Turma da Mônica: a diversão que faz parte da infância brasileira

Mauricio de Sousa deu vida aos personagens que estão entre os mais conhecidos quando se fala em quadrinhos no cenário nacional. Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão foram o centro de diversas histórias ambientadas no bairro do Limoeiro. Os protagonistas de Maurício entretêm crianças no mundo todo com brincadeiras, aventuras entre amigos, desafios e situações que fazem parte do cotidiano infantil.
Mauricio de Sousa teve suas primeiras tiras publicadas em 1959, com Bidu e Franjinha. Em 1963, Mônica teve sua primeira participação e, em maio de 1970, a Editora Abril lançou uma revista mensal com a personagem como protagonista. E o sucesso da turma persiste por décadas. De acordo com o Itaú Cultural, a Mauricio de Sousa Produções (MSP) já vendeu mais de 1 bilhão de gibis.
Muito além de apenas diversão, as histórias abordam de forma consciente temas importantes, como amizade, respeito às diversidades, bullying e boa convivência. As produções abrangem diferentes formatos e níveis de leitura, conseguindo assim se conectar com todos os públicos, desde os que estão iniciando a alfabetização até os que já preferem acompanhar narrativas mais extensas.
O Menino Maluquinho: imaginação, brincadeiras e desafios

O Menino Maluquinho ganhou o coração de milhares de leitores durante gerações, com apenas uma panela na cabeça e uma imaginação sem limites, ele cultivou a criatividade em diversas crianças. Criado pelo escritor Ziraldo, o personagem teve sua primeira aparição em um livro publicado em 1980. E com o passar do tempo O Menino Maluquinho teve sua história adaptada para vários formatos, inclusive as histórias em quadrinhos.
A obra nos mostra um menino cheio de energia e que adora brincar. Enquanto faz de situações cotidianas suas aventuras, ao longo de suas histórias ele ensina aos pequenos o valor da imaginação, da amizade e incentiva a autenticidade na infância.
A primeira vez que O Menino Maluquinho apareceu em quadrinhos foi em 1987, quando apareceu na “Revistinha do Ziraldo”. Porém o universo do personagem só foi lançado nos em quadrinhos em outubro de 1989, quando seu primeiro gibi solo foi publicado.
As histórias contadas por Ziraldo misturam humor e situações familiares, o que pode gerar uma conexão entre adultos e crianças. É uma boa opção para incentivar as crianças a criarem suas próprias histórias e relembrar brincadeiras antigas.
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Peanuts: Charlie Brown e Snoopy conquistam o mundo
Saindo um pouco do cenário nacional, temos outra série que conquistou o mundo infantil, Peanuts, do cartunista norte-americano Charles M. Schulz.
Tudo começou com uma tira publicada em outubro de 1950, onde Schulz apresentou ao mundo Charlie Brown e seu universo, incluindo Snoopy, Lucy e Linus. Como resultado do sucesso conquistado durante décadas, a série saiu de apenas tiras em jornais para conquistar seu espaço em livros, coleções, animações e muito mais.
Segundo a página oficial de Peanuts, a história era inicialmente publicada em apenas sete jornais norte-americanos e agora se tornou um fenômeno mundial, estampado não apenas em jornais como em diversas outras mídias.

As tirinhas de Schulz mostram situações cotidianas, inseguranças, amizades, sonhos e os obstáculos durante o crescimento. Assim como seu trabalho mostra que o humor nem sempre precisa estar atrelado a uma grande aventura, muitas vezes ele pode surgir em simples conversas e no contraste de personalidade dos personagens.
Por conta do seu formato mais curto, ele pode ser de grande interesse para aqueles que estão iniciando na leitura. Bem como o raciocínio e os questionamentos abordados na história podem chamar a atenção de crianças maiores e também de adultos.
O alcance das HQs infantis: o que os números mostram?
No cenário nacional podemos considerar a Turma da Mônica como uma das HQs com maior número de leitores. Segundo a ONU Brasil os personagens de Maurício de Sousa já possuem mais de 1,2 bilhões de HQs e livros vendidos. Suas histórias não só atravessam gerações, como também contam com uma média mensal de 2,5 milhões de gibis comercializados. Mônica, sua personagem principal teve sua estreia nas bancas com uma tiragem de 200 mil exemplares.
Já quando falamos do contexto internacional, voltamos nossa atenção para a série francesa Asterix, que foi criada em 1959 por René Goscinny e Albert Uderzo. De acordo com informações do Guinness World Records, a série teve 320 milhões de exemplares vendidos no mundo todo, sendo eles traduzidos para 111 idiomas e dialetos.
E nesse Dia das Crianças escolher a história adequada para cada idade pode ser a forma correta de incentivar a criatividade e estimular a imaginação. Isso porque, durante a fase de alfabetização, conseguimos por meio da união entre palavras, diálogos e ilustrações ajudar a instigar a curiosidade. Assim como auxiliar a desenvolver a capacidade de interpretação e a expandir o vocabulário, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada criança. Seja com narrativas ilustradas, ou contadas em voz alta, as HQs contribuem para o desenvolvimento da linguagem, se tornando uma porta de entrada para leituras maiores e para a descoberta do prazer de ler, uma página de cada vez.
Imagem de capa: Reprodução / Pexels
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