O Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo (USP) está lançando “Uma Casa no Bixiga: Yayá e os significados do patrimônio cultural”. O livro narra a história de Sebastiana de Melo Freire, a Dona Yayá, por uma nova perspectiva. A obra está disponível no Portal de Livros Abertos da USP.

Dona de uma fortuna considerada a maior herança já doada à Universidade de São Paulo desde o ano de seu falecimento, em 1961. Sebastiana de Melo Freire, a Yayá, teve uma trajetória marcada por episódios tristes. Yayá ficou órfã aos 12 anos e, aos 18 anos, perdeu seu irmão Manuel. 

Quando Yayá tinha 32 anos, apresentou os primeiros sinais de desequilíbrio mental e assim, por orientação de seu médico, Franco da Rocha, uma espécie de sanatório particular foi construído para ela. Yayá viveu em reclusão no bairro do Bixiga por 40 anos. Hoje, o local que se chama Casa de Dona Yayá, tornou-se um centro para estudos e pesquisas culturais.

O livro digital reúne artigos de arquitetos, historiadores, educadores, geógrafos, assim como integrantes de movimentos sociais do bairro do Bixiga. Além disso, conta com a participação especial da jornalista Helena Grant Marzano, cuja família viveu durante anos ao lado de Yayá. 

Desse modo, a obra busca desconstruir os mitos que existem em torno de Yayá, que sempre teve a imagem de uma mulher incompreendida na época. O livro mostra como Yayá vivia antes de ficar doente, mostrando o dia a dia dos anos 1920, assim como viagens ao Rio de Janeiro, Poços de Caldas e Europa, onde permaneceu em meio à Primeira Guerra Mundial. 

Minha Saudosa Georgina, Graças a Deus nossa viagem tem sido boa e sentimos certamente Saudades das pessoas que no Brasil ficaram. O mar é lindíssimo nos encanta. (…) amanhã devemos chegar em Lisboa que alegria ver a terra quantos dias meu Deus só Céu e água. Esperamos em Deus chegar à Cherbourg com o mar da mesma forma (mar de rosas) Adeus! Saudades muitas da Yayá.

Cartão postal, escrito por Sebastiana de Melo Freire para Georgina Grant e sem data especificada.

Imagem de Capa: Divulgação | Reprodução: Site A Vida no Centro