Uma jovem destemida, inteligente e atenta a algumas das principais questões sociais do século XIX. Elogiada e admirada pelo Imperador D. Pedro II e por Machado de Assis, Narcisa Amália foi sem dúvida uma das mais brilhantes escritoras de seu tempo. Seus poemas exploram temas pertinentes ao público feminino e até hoje provocam reflexões necessárias.

Agora, seu único livro de poesias, “Nebulosas” (1872), se tornou leitura obrigatória na prova da FUVEST, o vestibular da Universidade de São Paulo (USP). A leitura do clássico torna-se obrigatória para o processo seletivo de 2026 da USP. Em “Nebulosas” a autora aborda não apenas temas femininos e a conexão com a natureza, mas também defende seu posicionamento firme a favor da Abolição da Escravatura.

Quem foi Narcisa Amália

Narcisa Amália de Campos foi a primeira mulher a exercer a profissão de jornalista no Brasil. Nasceu em 1852, em São João da Barra (RJ). Filha do poeta e educador Jácome de Campos e da professora Narcisa Inácia de Campos, recebeu uma sólida educação desde cedo. 

Narcisa Amália publicou seu primeiro poema, “À lua”, em 1872, no jornal O Parahybano. Nesse mesmo ano, lançou seu único livro de poesia, “Nebulosas”, que foi aclamado pela crítica. O livro ganhou elogios de D. Pedro II, que fez questão de conhecê-la pessoalmente. Um dos destaques de “Nebulosas” foi dar voz aos escravizados, sendo considerado um marco para a época.

Ela colaborou com diversos jornais e revistas de diferentes estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Pernambuco). Além disso, fundou o jornal quinzenal “A Gazetinha” em 1884, dessa forma, tornando-se a primeira jornalista profissional do país. Em seus artigos, ela defendia a educação feminina e combatia a opressão social contra as mulheres.

Entre outros de seus trabalhos destacam-se “Nelumbia”, um conto de fantasia e terror, publicado em periódicos entre os anos de 1873 e 1874. No entanto, apesar de seu êxito como escritora, Narcisa Amália caiu no esquecimento pela comunidade literária e pelo público. 

Ela faleceu em 1924 após enfrentar vários problemas de saúde. Não tinha dinheiro e estava cega e com a mobilidade reduzida. Ela não teve filhos. Nos últimos anos seu legado foi resgatado e ela é reconhecida atualmente como uma das mais importantes vozes femininas do século XIX. Portanto, a inclusão de seu livro na lista da FUVEST é prova desse reconhecimento.

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