A segunda temporada de “Demolidor: Renascido” avança ao aprofundar o conflito moral de Matt Murdock, que tenta equilibrar sua busca por justiça com um senso cada vez mais complexo de empatia. Após os eventos iniciais, a narrativa mergulha em um cenário de alianças improváveis. Dentre elas, em especial envolvendo o Mercenário, que, mesmo sendo responsável pela morte de Foggy, passa a ocupar um espaço ambíguo.
Matt, então, confronta seus próprios limites éticos ao decidir salvá-lo repetidamente, contrariando seus instintos de vingança. Paralelamente, a série alterna presente e passado para expandir seus personagens, com flashbacks que desenvolvem não apenas a relação entre Matt e Foggy, mas também figuras como James Wesley e Buck. Além disso, fortalece o arco de Wilson Fisk e sua ligação com Vanessa.
O quinto episódio marca uma virada brutal com a morte de Vanessa, evento que redefine completamente Fisk e prepara seu retorno ainda mais sombrio, enquanto o mundo ao redor de Matt se fragmenta emocionalmente, contexto que desemboca em “Réquiem”, um episódio que, apesar do enorme potencial dramático e simbólico, especialmente ao tratar do luto e da transformação definitiva do Rei do Crime, se perde em decisões narrativas questionáveis, comportamentos inconsistentes e excesso de eventos mal desenvolvidos, resultando em um conjunto que levanta boas ideias, mas falha em executá-las com o impacto necessário, ainda que encontre algum fôlego no retorno pontual e carismático de Jessica Jones.
Episódio 2X07: “A Grande Escuridão”

O novo episodio de “Demolidor: Renascido” aprofunda o conflito moral de Matt Murdock ao colocá-lo de volta ao tribunal, um retorno que carrega tanto nostalgia quanto questionamentos. É ótimo ver o Matt advogado novamente, ainda que fique a sensação de que faltou mostrar melhor os bastidores desse reencontro. Especialmente com Kirsten, que passou todo esse tempo sem saber sequer se ele estava vivo. Ao mesmo tempo, a narrativa continua explorando alianças improváveis e decisões éticas complexas, como a escolha de Matt em poupar e até direcionar o Mercenário para “equilibrar” suas ações salvando uma vida, mesmo após tudo o que aconteceu com Foggy.
O episódio também mantém o uso de paralelismos dramáticos, algo que já vinha sendo bem trabalhado na temporada. A montagem final, intercalando Matt ferido e rezando em uma igreja, sendo “atendido” pela chegada de Jessica Jones com a execução brutal de Daniel Blake, é impactante e simbolicamente forte. A trajetória de Daniel, aliás, é um dos pontos mais bem construídos. Sua relação com BB, o conflito interno diante das atrocidades de Fisk e sua tentativa falha de agir diferente culminam em um desfecho trágico, coerente e humano. Ainda assim, nem tudo funciona com o mesmo peso, o retorno de Jessica, por exemplo, apesar de eficiente, teria sido mais impactante se tivesse sido preparado com mais antecedência.
Um episódio potente, mas irregular


“A Grande Escuridão” entrega momentos relevantes e algumas boas recompensas narrativas, mas acaba tropeçando na forma como organiza suas ideias. O cerco a Wilson Fisk continua sendo um dos pontos mais interessantes, principalmente com a ameaça contra a governadora e o acúmulo de tensões políticas. Ainda assim, certos detalhes enfraquecem o impacto, levantando dúvidas sobre a lógica de suas ações e o verdadeiro alcance de sua influência.
Ao mesmo tempo, algumas decisões de personagens soam estranhas ou pouco desenvolvidas. O comportamento de Karen em relação a Heather, por exemplo, parece forçado. A própria construção de Heather segue cada vez mais desalinhada com o tom da série, o que pode acarretar em consequências na terceira temporada.
Grandes acertos e a preparação para o final
Por outro lado, o episódio acerta ao resgatar elementos que funcionam bem. O retorno de Brett Mahoney adiciona um senso de continuidade com a fase da Netflix, agradando quem acompanha o universo há mais tempo. Além disso, a dinâmica entre Matt e Karen segue carregada de tensão emocional, mantendo o envolvimento do público.
O grande destaque fica para a decisão de Matt de se revelar no tribunal. Esse momento não apenas impacta a trama, mas também redefine o personagem, que passa a ocupar um papel mais amplo como figura pública, algo que pode ser tanto uma vantagem quanto um risco significativo.
No geral, o episódio equilibra boas ideias com uma execução irregular. Ele avança a história e prepara o terreno para o final da temporada, mas problemas de ritmo e coerência impedem que todo seu potencial dramático seja plenamente alcançado.
Por fim, “Demolidor: Renascido” está disponível no Disney +.
Crédito da capa: Divulgação Disney +
“Demolidor: Renascido” – 2X07: “A Grande Escuridão” (Daredevil: Born Again EUA, 2026)
Showrunner: Dario Scardapane
Direção: Aaron Moorhead, Justin Benson
Roteiro: Dario Scardapane
Elenco: Charlie Cox, Vincent D’Onofrio, Margarita Levieva, Arty Froushan, Nikki M. James, Ayelet Zurer, Michael Gandolfini, Zabryna Guevara, Clark Johnson, Deborah Ann Woll, Genneya Walton, Hamish Allan-Headley, Matthew Lillard, Ty Jones, Tony Dalton, John Benjamin Hickey, Thomas Cokenias, Yorgos Karamihos, Annie Parisse.
Duração: 48 min.

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