Do primeiro jogo a “Find All 3: Travel”, procurar objetos escondidos e colorir cenários traz aquela satisfação gostosa de terminar uma página de palavras cruzadas e querer começar a próxima

Desenvolvido e publicado pela Very Very LITTLE Studio, o título que deu início à saga “Find All” é um jogo de objetos escondidos em que encontrar cada detalhe ajuda a transformar uma cidade em preto e branco numa paisagem colorida. A proposta é simples: observar o desenho, procurar os elementos espalhados por ele e acompanhar aquele cenário ganhando vida, um achado de cada vez.

Ele lembra aqueles livros infantis de procurar figuras, como “Onde Está Wally?”, misturados com as atividades de colorir que fazem sucesso entre crianças e adultos. Conforme a busca avança, o próprio desenho vai mostrando o resultado do seu esforço.

O cenário que ganha vida

Entre os elementos procurados estão animais (gatos, guaxinins, ratos, entre outros), plantas e objetos que se misturam aos traços do cenário. É possível escolher o que buscar, então dá para começar por aquilo que chama mais a atenção e deixar os detalhes mais complicados para depois.

O mais legal é que encontrar alguma coisa também muda a paisagem. Os elementos ganham cor e alguns começam a se movimentar: o carro anda, o balão voa, e aquela imagem que parecia parada vai ficando cheia de vida. Ver o desenho mudar torna cada descoberta gostosa de acompanhar. Também é uma pista de quando uma área está completa: se há algum trecho em branco é porque ainda há objetos a serem encontrados ali.

Mesmo com essa proposta tranquila, alguns objetos dão trabalho. Durante a partida, plantas e chaves foram os mais complicados de encontrar. São detalhes que acabam se perdendo no meio de uma paisagem toda branca, exigindo um pouco mais de paciência para separar uma forma da outra.

Você passa o olho por um canto e não percebe que ali tem um cachorro, uma carta ou uma ferradura. Quando as cores aparecem, fica mais fácil enxergar como tudo se encaixa no desenho. O contraste entre o começo e o final é uma das partes mais legais de “Find All”: aquela imagem que parecia confusa se revela cheia de pequenos detalhes.

  • Casas e rua de Find All ainda em preto e branco, com alguns personagens coloridos e o contador em 3 de 100.
  • Fachadas e personagens de Find All com a cena colorida.

Da primeira à segunda imagem: a cidade durante a busca e com o cenário colorido, em enquadramentos diferentes. Imagens: capturas da autora; a primeira foi extraída de sua gravação.

A satisfação de encontrar tudo

Um dos meus passatempos prediletos é fazer palavras cruzadas, e “Find All” me trouxe uma sensação bem parecida. A página começa vazia, você preenche uma palavra aqui, resolve outra ali e, aos poucos, vê o conjunto se formar. Às vezes uma dica dá trabalho e demora para sair, mas terminar aquela página é muito prazeroso.

Com o jogo, aconteceu algo parecido. Alguns elementos exigiram mais tempo de procura, e encontrar os últimos trouxe aquela satisfação de concluir a atividade. Ver a paisagem toda colorida foi a recompensa por ter parado para observar cada pedacinho dela.

A orquestra rege a busca

A trilha instrumental acompanha muito bem esse ritmo. O piano e o saxofone trazem uma música calma, daquelas que não atrapalham a concentração. É o tipo de som que deixa você num estado zen enquanto procura um passarinho que parece ter sumido no meio das linhas de um telhado.

Essa combinação entre música e procura funciona porque permite desacelerar. O cronômetro está ali, assim como as conquistas, mas o prazer da partida veio de observar a cena com calma.

Em meio a tantos jogos que estimulam a fazer alguma coisa o tempo todo, foi muito relaxante entrar numa dinâmica mais devagar. “Find All” pede atenção e paciência, e esse ritmo combina com a proposta de relaxar enquanto se ocupa com uma atividade simples.

O que muda em “Find All 3: Travel”

Já “Find All 3: Travel” traz três fases temáticas e dificuldades fácil, normal e difícil. A ideia de encontrar objetos e colorir o cenário continua, com algumas mudanças na maneira de explorar os desenhos.

  • Fachada de um edifício e bonde em Find All 3: Travel, com a maior parte do cenário em preto e branco.
  • Árvores e fonte coloridas ao lado de um edifício ainda em preto e branco em Find All 3: Travel.

Da primeira à segunda imagem: os objetos se misturam às linhas dos edifícios; a praça aparece parcialmente colorida conforme a busca avança. Imagens: capturas de tela da autora em Find All 3: Travel.

A trilha sonora ficou ainda mais suave. A música combina melhor com o restante da experiência, deixando a composição mais harmônica e mantendo aquele clima gostoso de procurar as coisas com calma. Além disso, percebi um timbre que lembra gaita na trilha sonora, o que casou muito bem com o piano.

Novas formas de explorar o cenário

Também aparecem novas interações. Em uma das fases, um trem permite alternar entre o lado de dentro e o de fora dos vagões para continuar a procura. Em outra, o mar está agitado e o desenho fica se mexendo. São mudanças que acrescentam movimento à busca e fazem você observar o cenário de outras maneiras.

  • Vagão de carga fechado e ainda branco diante do Café de Paris em Find All 3: Travel.
  • Interior de um vagão colorido com caixas, bicicleta, gramofone e instrumentos musicais em Find All 3: Travel.

Da primeira à segunda imagem: a visão externa e o interior do vagão em Find All 3: Travel. Imagens: capturas de tela da autora.

Entretanto, senti falta do zoom e da possibilidade de escolher o próximo item, recursos que usava no primeiro jogo. Às vezes você está passando o olho pela tela e encontra um objeto que poderia procurar em seguida. Só que o jogo escolhe outro por você, e aquela linha de raciocínio se perde. A busca fica mais guiada, com menos liberdade para aproveitar o que já chamou sua atenção.

As dificuldades também variam os tipos de objetos pedidos: há buscas por âncoras no fácil, casinhas de passarinho no normal e esquilos no normal ou difícil. Assim, mudar a dificuldade também traz outros elementos para procurar nos cenários.

Vale a pena jogar “Find All”?

O primeiro “Find All” é uma experiência bem curta. Depois de encontrar os elementos e completar o desenho, a partida acaba, então quem procura muitas horas de conteúdo precisa considerar essa duração. Para continuar a busca nele, o DLC Extra Level acrescenta uma nova fase e é vendido separadamente. Já “Find All 3: Travel” é outro jogo da série, com seus próprios cenários e dificuldades.

Para quem gosta de livros de colorir, jogos de encontrar objetos ou passatempos como palavras cruzadas, a proposta pode funcionar muito bem. A graça está em procurar com calma e acompanhar a paisagem ganhando cor e movimento.

No fim, “Find All” é muito gostosinho. Alguns detalhes fazem a gente quebrar um pouco a cabeça, mas completar a imagem traz uma satisfação que combina com o clima tranquilo da experiência. E essa vontade de procurar continua mesmo depois que o desenho fica pronto.

Assim como terminar um livro de palavras cruzadas me dá vontade de começar o próximo, com “Find All” aconteceu a mesma coisa. É definitivamente uma série que passarei a acompanhar.

“Find All” está disponível na Steam e está em promoção até 29 de outubro.

Find All e Find All 3: Travel foram recebidos para esta análise. O DLC do primeiro jogo foi comprado separadamente.

Créditos da capa: captura de tela da autora em Find All.