Romances, poesias e obras de não ficção estão entre os concorrentes à principal distinção do prêmio, que será entregue em 27 de outubro.
O Prêmio Jabuti 2026 já tem seus finalistas definidos. A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou, em 14 de outubro, os cinco selecionados de cada uma das 23 categorias da premiação. Entre os nomes estão escritores conhecidos, como Itamar Vieira Junior, Milton Hatoum, Aline Bei e Adélia Prado.
A cerimônia de premiação acontece em 27 de outubro, na Sala São Paulo, e também anunciará o Livro do Ano, principal reconhecimento da honraria. Diferentemente das demais categorias, essa distinção não possui uma lista exclusiva de cinco finalistas. A escolha considera as obras dos eixos Literatura e Não Ficção. Confira uma seleção com 12 livros finalistas de variadas categorias, incluindo alguns dos fortes favoritos ao prêmio de Livro do Ano.
Romances literários entre os finalistas

“Coração sem medo” de Itamar Vieira Junior
Publicado pela Todavia, o romance acompanha Rita Preta, uma operadora de caixa de supermercado que vive em Salvador e é mãe de três filhos. Sua rotina muda completamente quando Cid, um dos filhos, desaparece sem deixar pistas. Enquanto procura respostas, Rita enfrenta dificuldades financeiras, conflitos pessoais e ameaças à própria segurança. O livro encerra a chamada “Trilogia da Terra”, iniciada com “Torto arado” e continuada com “Salvar o Fogo”, e aborda questões como desigualdade social, maternidade e pertencimento.
“Dança de Enganos” de Milton Hatoum
Terceiro e último volume da trilogia “O Lugar Mais Sombrio”, o romance se passa no final dos anos 1960, durante a ditadura militar brasileira. Desta vez, a história é apresentada pela perspectiva de Lina, mãe de Martim, personagem central dos livros anteriores. Distante do filho, Lina decide escrever sobre suas lembranças e revisitar acontecimentos familiares. Ao recuperar experiências e relações do passado, a personagem apresenta uma nova perspectiva sobre a história já conhecida pelos leitores da trilogia.
“Meridiana” de Eliana Alves Cruz
O romance acompanha a trajetória de Aurora e Ernesto, um casal negro que deseja deixar a favela e conquistar uma vida de classe média. Ao alcançarem esse objetivo, os dois procuram oferecer aos filhos oportunidades diferentes daquelas que tiveram. A história é narrada pelos integrantes da família, que apresentam suas próprias experiências e interpretações sobre a ascensão social. A obra aborda desigualdade racial, relações familiares e os desafios enfrentados por diferentes gerações.
“Uma delicada coleção de ausências” de Aline Bei
Laura vive com a avó Margarida, que trabalha lendo mãos em uma feira de antiguidades para sustentar a família. A relação entre as duas muda quando Filipa, bisavó da menina e mãe de Margarida, passa a morar na mesma casa. A chegada da idosa modifica a rotina familiar e traz à tona ressentimentos antigos. Publicado pela Companhia das Letras, o romance acompanha três gerações de mulheres e explora temas como maternidade, abandono, envelhecimento e os efeitos dos conflitos familiares.
“Vez em quando, Billie Holiday” de Evandro Affonso Ferreira
A história acompanha Diadorino, um jovem que cresce em um ambiente de violência no sertão. Criado por um coronel que o agride por apresentar características consideradas femininas, ele sonha em se tornar Diadorina. A narrativa aborda identidade e transformação pessoal, enquanto incorpora referências a mulheres que marcaram diferentes períodos históricos. O romance também explora uma linguagem experimental, marcada pela musicalidade e por referências literárias.
Poesia, fantasia e outras narrativas

“O jardim das oliveiras” de Adélia Prado
Após 12 anos sem publicar um livro inédito de poesia, Adélia Prado retornou em 2025 com uma coletânea de 105 poemas. A obra reúne reflexões sobre a fé, a passagem do tempo, os sentimentos humanos e a relação entre o cotidiano e a espiritualidade. Os versos também retomam questões presentes em outros trabalhos da escritora, como a dúvida religiosa e a busca por significado nas experiências comuns. O livro concorre na categoria Poesia.
“Diáspora não é lar” de Nina Rizzi
A coletânea poética apresenta reflexões sobre racismo, ancestralidade, identidade negra e pertencimento. Ao longo dos poemas, Nina Rizzi recupera experiências relacionadas à infância, à juventude e à vida adulta, abordando as consequências da discriminação racial. Publicada pela Pallas, a obra também explora diferentes formas de expressão da língua portuguesa, incluindo referências ao pretuguês, conceito associado à valorização das influências africanas na linguagem brasileira.
“Nego tudo: ficções súbitas” de Andréa del Fuego
Publicado originalmente em 2005, o livro ganhou uma nova edição em 2025, com textos revisados, reescritos e inéditos. A coletânea reúne histórias bastante curtas que exploram comportamentos humanos, contradições e situações inesperadas. Os minicontos abordam temas como desejo, traição e relações pessoais, utilizando humor e ironia. A obra concorre na categoria Conto e apresenta narrativas que procuram provocar diferentes interpretações com poucas palavras.
“Cartografia para caminhos incertos” de Ian Fraser
Na cidade fictícia de Redenção, localizada na Bahia, uma pedra encantada faz com que o município mude constantemente de lugar. É nesse cenário que vive Mané, um homem que sonha em se tornar poeta e impressionar seu namorado, Jeremias. Após uma tentativa de realizar o desejo do companheiro, Mané acaba perdendo o caminho de volta para casa. Sua busca por Redenção dá início a uma viagem repleta de personagens fantásticos e acontecimentos inesperados. O livro concorre na categoria Romance de Entretenimento.
“Horas azuis” de Bruna Dantas Lobato
O romance acompanha uma jovem brasileira que se muda para os Estados Unidos para estudar literatura em uma universidade de Vermont. Enquanto tenta se adaptar à nova rotina, ela mantém contato frequente com a mãe, que permaneceu no Rio Grande do Norte. As duas conversam diariamente pela internet, compartilhando experiências e dificuldades. A história aborda a distância familiar, a solidão e as transformações provocadas pela mudança de país. A obra disputa a categoria de Escritor Estreante – Romance.
Biografias e reportagens também estão na disputa

“Quem é essa mulher? Uma biografia de Zuzu Angel” de Virginia Siqueira Starling
A jornalista Virginia Siqueira Starling apresenta a trajetória de Zuzu Angel, estilista brasileira que ganhou reconhecimento internacional e se tornou um símbolo da resistência à ditadura militar. O livro acompanha sua carreira na moda, a vida familiar e a busca por informações sobre o assassinato de seu filho, Stuart Angel, durante a repressão política. A biografia reúne diferentes aspectos da trajetória de Zuzu, mostrando como sua atuação profissional e pessoal se relacionou com a história brasileira.
“Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio” de Ruy Castro
Ruy Castro investiga como a Segunda Guerra Mundial afetou o cotidiano do Rio de Janeiro, então capital federal do Brasil. O livro percorre o período entre 1935 e 1945, apresentando acontecimentos políticos, transformações sociais e histórias envolvendo espiões, diplomatas e refugiados. A obra também aborda o impacto da guerra sobre a cultura brasileira, incluindo o cinema, a música e o jornalismo. Entre os episódios apresentados estão o racionamento de produtos, os apagões e a participação brasileira no conflito.
Como funciona a escolha do Livro do Ano?
Criado em 1958, o Prêmio Jabuti reconhece diferentes áreas da produção editorial brasileira. Atualmente, a premiação reúne 23 categorias, distribuídas em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. No entanto, somente as obras dos eixos Literatura e Não Ficção são elegíveis ao “Livro do Ano”.
Isso inclui categorias como Romance Literário, Romance de Entretenimento, Poesia, Conto, Biografia e Reportagem, Artes, Educação e outras áreas do conhecimento. Segundo o regulamento, o “Livro do Ano” é concedido à obra com a maior nota atribuída pelo júri entre as categorias dos eixos Literatura e Não Ficção.
A edição de 2026 apresenta uma novidade. Pela primeira vez, os vencedores das categorias Escritor Estreante – Poesia e Escritor Estreante – Romance também poderão conquistar o “Livro do Ano”. O vencedor receberá a estatueta do Jabuti e R$ 70 mil, além da oportunidade de participar de uma feira internacional do livro com despesas custeadas pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Entre as quais estão Londres, Bolonha, Frankfurt e Guadalajara.
A cerimônia de 27 de outubro também anunciará os vencedores das demais categorias, que receberão R$ 5 mil cada. O evento será transmitido ao vivo pelo canal da CBL no YouTube.
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Lygia Bojunga será a Personalidade Literária do Jabuti 2026

Além da entrega dos prêmios, a noite contará com uma homenagem a um dos principais nomes da literatura infantojuvenil brasileira. A escritora Lygia Bojunga foi escolhida como Personalidade Literária da 68ª edição do Prêmio Jabuti. A homenagem reconhece sua contribuição para a literatura brasileira e sua trajetória de mais de cinco décadas como escritora.
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1932, Lygia é conhecida por obras como “A Bolsa Amarela”, “Os Colegas”, “A Casa da Madrinha” e “Corda Bamba”. Publicado em 1976, “A Bolsa Amarela” completa 50 anos em 2026. Seus livros abordam temas como identidade, liberdade, relações familiares e os desafios da infância.
A escritora também acumula importantes reconhecimentos internacionais. Em 1982, tornou-se a primeira brasileira a receber o Prêmio Hans Christian Andersen, uma das principais distinções da literatura infantil e juvenil. Já em 2004, conquistou o Astrid Lindgren Memorial Award, concedido na Suécia em reconhecimento à sua produção literária.
Crédito de capa: Divulgação
Estagiária sob supervisão de Anna Flávia Lopes
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