Sobreviver ao inverno é só o começo de uma aventura que pode consumir dezenas de horas.

Em Permafrost, cada expedição pode virar uma luta pela própria vida. Entre florestas cobertas de neve, construções abandonadas e regiões dominadas pelo gelo, é preciso administrar recursos, encontrar abrigo e decidir até onde se aventurar antes que o frio se torne uma ameaça irreversível.

Desenvolvido pela SpaceRocket Games, Permafrost é um jogo de sobrevivência em mundo aberto que combina exploração, construção de bases e gerenciamento de recursos. Depois de aproximadamente 30 horas jogando sozinho, fica claro que há uma proposta promissora: o mundo congelado desperta curiosidade, a progressão incentiva novas viagens e a construção de um lugar seguro dá propósito à coleta. No entanto, problemas técnicos e algumas mecânicas pouco flexíveis ainda impedem que a experiência alcance todo o seu potencial.

Sobrevivência: o frio dita o ritmo

Encontrar comida, conseguir água, manter a temperatura corporal e reunir materiais para construir um abrigo são tarefas constantes. O desafio está na combinação dessas necessidades: uma expedição aparentemente tranquila pode se complicar quando os suprimentos acabam ou uma ameaça surge no caminho.

A coleta de madeira e de outros materiais não é apenas uma forma de preencher o inventário. Esses recursos ajudam a estabelecer uma base, preparar fontes de calor e garantir melhores condições para continuar explorando. Com o tempo, o jogador aprende quais itens merecem espaço na mochila e quais podem ficar para trás.

O jogo oferece três modos: Story, Survival e Custom. O modo Story prioriza a exploração e o desenvolvimento da jornada; Survival aumenta a pressão sobre o gerenciamento de recursos e as condições ambientais; e Custom permite ajustar a experiência às preferências de cada jogador. Essa variedade torna Permafrost mais acessível para quem quer conhecer seu universo sem enfrentar de imediato todas as dificuldades.

Exploração e construção de bases

Percorrer o mapa e descobrir o que existe além da próxima região é uma das principais fontes de diversão. Durante as expedições, é preciso procurar suprimentos, identificar locais úteis e decidir o que vale a pena levar de volta à base.

No início, nem sempre fica claro qual objetivo seguir ou que caminho oferece as melhores oportunidades. Conforme o jogador ganha experiência, porém, as viagens passam a ter um propósito mais definido. A construção de bases funciona como ponto de apoio para essa rotina. Em vez de gastar os primeiros recursos tentando erguer uma estrutura enorme, é melhor começar com um abrigo funcional, organizar os materiais e garantir um lugar para recuperar as forças.

O sistema de criação de itens, as receitas desbloqueáveis e a progressão de habilidades reforçam a sensação de desenvolvimento. Novas possibilidades tornam-se disponíveis e algumas melhorias facilitam atividades que antes consumiam bastante tempo.

Uma mecânica de escalada mais elaborada também poderia enriquecer a exploração e aproveitar melhor o terreno. Uma abordagem inspirada em Cairn, por exemplo, acrescentaria variedade às travessias. Mesmo sem esse recurso, a vontade de descobrir novas áreas ajuda a manter o interesse ao longo de muitas horas.

Caça e gerenciamento de recursos

A caça oferece uma fonte importante de alimento e se encaixa bem na estratégia de sobrevivência. Encontrar animais durante uma expedição pode ser uma oportunidade valiosa, mas cada confronto exige avaliar os riscos.

O arco permite atacar à distância, embora animais maiores possam resistir a vários disparos. Já um rifle encontrado durante a exploração pode facilitar determinados encontros e tornar a caça menos trabalhosa. Depois, ainda é preciso aproveitar os recursos obtidos, recolher a carne e preparar uma refeição.

A atividade funciona porque tem uma utilidade prática: ajuda a manter o personagem e a prolongar as expedições, em vez de ser apenas uma opção secundária espalhada pelo mapa.

O sistema de sono precisa de ajustes

Nem todas as mecânicas funcionam tão bem. O sistema de sono oferece pouca flexibilidade para administrar o tempo. Durante minha experiência, o personagem acordava na manhã seguinte mesmo quando eu me deitava relativamente cedo.

Isso reduz o controle sobre a duração do descanso e pode tornar a mecânica conveniente demais em algumas situações, enquanto limita as opções em outras. Em um jogo no qual temperatura, deslocamento e planejamento são tão importantes, seria melhor permitir que o jogador escolhesse por quanto tempo dormir.

Não é um problema que comprometa toda a experiência, mas é um exemplo de como ajustes pontuais poderiam tornar a sobrevivência mais consistente.

Um mundo congelado que impressiona

Visualmente, Permafrost cria cenários convincentes. Florestas nevadas, construções abandonadas e cidades congeladas ajudam a dar forma a um mundo transformado pelas condições climáticas. A ambientação reforça a sensação de isolamento e vulnerabilidade, além de tornar cada viagem mais envolvente.

Em uma configuração super ultrawide de 32:9, o campo de visão ampliado valoriza a escala dos ambientes. Ver a neve se estendendo pelo horizonte reforça a impressão de estar sozinho em uma região hostil.

O cenário não funciona apenas como pano de fundo: ele participa da experiência e ajuda a estabelecer o ritmo da aventura. Mesmo durante uma travessia em busca de materiais, a paisagem desperta vontade de continuar avançando.

Problemas técnicos ainda quebram a imersão

Apesar da qualidade visual, algumas falhas prejudicam a apresentação do mundo. Durante a exploração, encontrei uma divisão bastante evidente no terreno, como se partes da paisagem estivessem separadas. Também notei irregularidades em algumas regiões próximas à igreja.

Esses problemas chamam a atenção justamente por contrastarem com os cenários bem construídos. Em um jogo tão dependente da imersão, falhas visuais podem interromper a experiência e lembrar que Permafrost ainda está em desenvolvimento.

O desempenho geral pareceu satisfatório durante boa parte da jogatina, mas alguns defeitos merecem atenção — sobretudo porque lembram problemas que encontrei em uma versão experimentada cerca de dois anos atrás. O Acesso Antecipado envolve mudanças e correções, e acompanhar a evolução desses aspectos será importante.

A área da igreja também participa das missões e das trocas com personagens, oferecendo direção à exploração e alternativas à rotina de coletar recursos e construir. O potencial está presente, mas a parte técnica precisa acompanhar a qualidade da proposta.

Depois de 30 horas, ainda há muito a descobrir

Uma das características mais curiosas de Permafrost é a facilidade com que o tempo passa durante a exploração. Após aproximadamente 30 horas jogando sozinho, ainda sinto que há muito para conhecer.

Construí abrigos, produzi equipamentos, procurei alimentos, enfrentei animais e percorri diferentes regiões. Mesmo assim, não cheguei a um ponto em que pudesse afirmar que conheço tudo o que a versão atual oferece.

Em um jogo de sobrevivência em mundo aberto, parte da diversão está na continuidade das atividades e na liberdade para estabelecer objetivos próprios. Ainda quero descobrir até onde o conteúdo disponível pode me levar, entender melhor a progressão avançada e ver quais possibilidades surgem depois de tantas horas.

Apesar das limitações, o jogo continua despertando curiosidade.

Vale a pena jogar Permafrost?

Permafrost tem bons motivos para atrair fãs de jogos de sobrevivência. A exploração é envolvente, a construção de bases dá propósito à coleta de materiais e o gerenciamento de recursos mantém o jogador atento às condições do ambiente. Os modos disponíveis acomodam diferentes estilos de jogo, enquanto a ambientação congelada cria cenários marcantes.

A progressão e a criação de itens completam uma estrutura que demonstra potencial. Por outro lado, os problemas técnicos ainda precisam ser resolvidos, e mecânicas como o sistema de sono merecem ajustes. As falhas visuais são especialmente frustrantes porque interrompem a imersão em um mundo que, quando funciona corretamente, é bastante convincente.

Para quem gosta de explorar, construir e sobreviver em ambientes hostis, Permafrost já oferece uma experiência capaz de prender a atenção por muitas horas. Seu futuro, porém, depende de a SpaceRocket Games corrigir os problemas técnicos e refinar as mecânicas que ainda limitam a aventura.

Crédito da capa: Divulgação