Um sentimento de nostalgia cinematográfica bate quando a gente joga certos tipos de jogos, como é o caso de Starship Troopers: Extermination. O título é totalmente inspirado no filme de 1997, mas não é uma adaptação direta, como muitos podem pensar.

Se você já sonhou em gritar “Quer viver para sempre?” enquanto descarrega um pente inteiro contra uma horda de aracnídeos, Starship Troopers: Extermination é o campo de batalha perfeito. Ele transforma o universo satírico do clássico de Paul Verhoeven em um shooter cooperativo intenso, agora expandido com a chegada ao PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC em sua versão 1.0.

Jogabilidade e interface

Minha primeira impressão foi positiva: a interface é clara e direta, com objetivos bem sinalizados e ferramentas de coordenação acessíveis. Construir defesas, chamar extrações ou organizar esquadrões flui naturalmente. O sistema de classes, que inclui Ranger, Médico e Demolidor, garante diversidade estratégica sem punir quem joga sozinho.

Cada classe cria dinâmicas diferentes nas missões. O Médico vira peça-chave quando os enxames ficam incontroláveis, enquanto o Demolidor é indispensável para abrir caminho em áreas infestadas. Essa variedade obriga o jogador a pensar além do gatilho, valorizando a sinergia da equipe. O elemento de construção é outro ponto alto: não tão complexo quanto um RTS, mas erguer barricadas, torres de defesa e pontos de respawn em meio à pressão do combate adiciona urgência e estratégia. Isso dá à jogabilidade um ritmo de “construir e sobreviver” que o diferencia de clones de Left 4 Dead.

Ainda assim, há momentos em que o jogo se torna massivo e exige paciência. É mais sobre resistir em grupo do que sair distribuindo tiros sem pensar. Pelo menos foi o que senti ao jogar por alguns dias seguidos.

Jogadores em ação – Crédito: Divulgação

O combate é caótico no melhor sentido da palavra. O movimento transmite peso, mas responde bem às situações, seja correndo por terrenos alienígenas ou mergulhando em trincheiras. A mira é precisa e, combinada com a possibilidade de erguer fortificações, cria uma camada tática que dá identidade ao jogo. A cooperação é fundamental, mas há espaço para decisões individuais brilharem. Nos níveis iniciais, porém, o equilíbrio entre jogadores e monstros pode parecer desigual.

Os personagens se movimentam como humanos reais, o que significa que nem sempre você terá reflexos sobre-humanos para escapar. Essa vulnerabilidade faz parte da proposta, agradando ou não!

Ambientação e identidade visual

Além do tiroteio, Extermination resgata a veia satírica do filme. Briefings com cara de propaganda, jargão militar exagerado e dublagens cheias de ironia mantêm o tom leve, mesmo diante de batalhas quase suicidas.

O novo planeta Boreas, um mundo gelado tomado por insetos mutados, oferece cenários verticais que elevam a tensão. É nele que surge pela primeira vez o temido Tanker Bug, inimigo clássico de 1997 recriado em toda sua brutalidade. Ao lado dele, variantes inéditas como os Drones e Warriors de gelo renovam o desafio.

Visualmente, o jogo não surpreende com inovação, mas entrega exatamente o que promete. Há uma estética que lembra clássicos do PS2, só que modernizada, o que paradoxalmente gera um charme nostálgico, talvez pelo DNA de efeitos especiais “datados” que o filme já carregava.

Realismo e sensação de combate

Apesar do clima satírico, o jogo acerta ao entregar realismo tático suficiente para envolver o jogador. Correr exige fôlego, recarregar em meio a um enxame é arriscado e a mira balança de forma convincente. O áudio é um show à parte: disparos metálicos, gritos de soldados e o estrondo visceral dos insetos explodindo sob fogo pesado criam uma imersão potente.

Não chega ao nível de simulações militares como Arma, mas transmite muito bem a sensação física do combate: vulnerabilidade, caos e a dependência do esquadrão.

Um dos vários vilões do jogo. Crédito: Divulgação

Vale a pena comprar o jogo?

Para fãs de Starship Troopers, é quase obrigatório tê-lo. Para quem busca um novo cooperativo para jogar com amigos, é uma das surpresas mais divertidas do ano.

Se nostalgia não fosse suficiente, o modo solo estrelado por Casper Van Dien reprisando Johnny Rico funciona como tutorial estendido, mas também como um presente para os fãs de longa data.

No Brasil, Starship Troopers: Extermination na STEAM está por R$ 89,99, um valor que pode parecer alto para quem olha apenas os gráficos ou o fato de ser um jogo voltado sobretudo para o multiplayer. No entanto, dentro do mercado atual, o preço é competitivo: fica bem abaixo de lançamentos AAA que passam de R$ 300 e entrega mais conteúdo e longevidade do que muitos shooters cooperativos vendidos por valores semelhantes. Faça suas contas se vale a pena pagar ou esperar alguma promoção.

Desde o lançamento, Starship Troopers: Extermination vem recebendo expansões frequentes. A mais recente, batizada de Critical Strike, marca a versão 1.6 e adiciona um novo sistema de surgimento de insetos, os perigosos Buracos de Insetos, a arma nuclear M-55 e o primeiro modo inédito desde 2024. Em “Critical Strike”, quatro esquadrões são lançados em zonas separadas para enfrentar enxames massivos e recuperar recursos estratégicos. É a prova de que a Offworld continua comprometida em manter o jogo vivo, desafiador e em constante evolução.

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