O universo criado por H. P. Lovecraft continua rendendo boas adaptações nos videogames, mas poucas tentam capturar a essência da loucura cósmica em vez de apenas utilizar Cthulhu como elemento estético. Desenvolvido pela ACE Team e publicado pela Nacon, “The Mound: Omen of Cthulhu” aposta justamente nessa proposta. Em vez de colocar o jogador para enfrentar monstros gigantes, o jogo transforma a paranoia, a desconfiança e a perda da sanidade em suas principais mecânicas.

A ideia é excelente. A execução, porém, oscila entre momentos brilhantes e escolhas de design que acabam comprometendo a experiência.

Para esta análise, jogamos a versão de PlayStation 5, avaliando seu desempenho, mecânicas e atmosfera na plataforma da Sony.

A loucura é a verdadeira protagonista

The Mound Omen of Cthulhu foto 1
Crédito: Divulgação ACE Team

Em “The Mound: Omen of Cthulhu” , você integra uma expedição em busca de tesouros escondidos em uma floresta amaldiçoada inspirada no conto The Mound, de H. P. Lovecraft. A estrutura segue o gênero extraction: entrar na selva, encontrar artefatos, sobreviver às criaturas e conseguir voltar vivo ao navio.

Mas existe um diferencial. Quanto mais tempo você permanece explorando, maior é o efeito da insanidade. O cenário muda, sons aparecem de direções inexistentes, companheiros parecem inimigos e criaturas podem nem mesmo existir. E é nessa característica que o jogo encontra sua personalidade.

Ao contrário da maioria dos títulos cooperativos de horror, o medo não nasce apenas dos monstros, mas da incapacidade de confiar naquilo que você vê. Essa mecânica funciona muito bem, especialmente quando jogada com amigos utilizando o chat de proximidade, criando situações caóticas e extremamente divertidas.

Cooperação é praticamente obrigatória

Embora exista modo solo, fica evidente que “The Mound: Omen of Cthulhu” foi pensado para grupos. Assim, a comunicação entre os jogadores é parte fundamental da experiência. Dividir recursos, decidir quando continuar explorando e quando fugir transforma cada partida em uma pequena história de sobrevivência.

Quando tudo funciona, o resultado lembra uma mistura de Hunt: Showdown, Lethal Company e horror lovecraftiano. O problema aparece justamente quando não há um grupo organizado.

No modo solo, diversos sistemas deixam de fazer sentido, a dificuldade cresce artificialmente e algumas decisões de balanceamento tornam a progressão muito mais frustrante do que desafiadora.

Atmosfera impecável

The Mound Omen of Cthulhu foto 3
Crédito: Divulgação ACE Team

Em relação ao visual, “The Mound: Omen of Cthulhu” impressiona bastante. A Unreal Engine 5 entrega uma selva extremamente densa, úmida e sufocante. A iluminação contribui para criar tensão constante, enquanto o design das criaturas mistura elementos grotescos e cósmicos sem exagerar na exposição.

O destaque, porém, fica para o design de áudio. Ruídos distantes, sussurros, passos e sons ambientais trabalham constantemente para fazer o jogador duvidar do que está acontecendo. É um daqueles jogos em que usar fones de ouvido praticamente muda toda a experiência.

Combate pouco satisfatório

Infelizmente, nem tudo acompanha o excelente trabalho artístico. O combate é provavelmente o aspecto mais fraco do jogo.

As armas possuem uma proposta deliberadamente lenta, inspirada em armamentos antigos, mas muitas vezes passam uma sensação de falta de resposta. Atirar, recarregar e trocar equipamentos parece pesado além do necessário.

Em alguns momentos, essa lentidão aumenta a tensão. Em muitos outros, apenas gera frustração.

A interface também exige adaptação. Inventário limitado, gerenciamento de equipamentos e algumas decisões de usabilidade tornam ações simples desnecessariamente complicadas. A intenção claramente é aumentar a sensação de vulnerabilidade, mas nem sempre isso resulta em diversão.

The Mound Omen of Cthulhu foto 2
Crédito: Divulgação ACE Team

Desempenho no PlayStation 5

Durante nossos testes no PlayStation 5, o desempenho foi estável na maior parte do tempo.

A qualidade visual chama atenção pela riqueza dos cenários e dos efeitos de iluminação, embora pequenas quedas ocasionais de desempenho apareçam em momentos com muitos efeitos na tela. Também encontramos alguns pequenos bugs de colisão e animação, mas nada que comprometesse completamente a experiência.

Ainda assim, fica claro que o jogo ainda pode se beneficiar de futuras atualizações de otimização.

Vale a pena jogar “The Mound: Omen of Cthulhu”?

“The Mound: Omen of Cthulhu” não é um jogo para todos. Quem procura um shooter frenético provavelmente ficará decepcionado. Já quem aprecia horror psicológico, exploração e experiências cooperativas diferentes encontrará aqui ideias extremamente interessantes.

O grande mérito da ACE Team foi entender que o verdadeiro horror lovecraftiano não está apenas nos monstros gigantes, mas na dúvida constante sobre a própria realidade. Infelizmente, sistemas excessivamente burocráticos, um combate pouco refinado e uma progressão repetitiva impedem que o jogo alcance todo seu potencial.

Ainda assim, quando jogado com amigos, poucas experiências recentes conseguem gerar tanta tensão, paranoia e momentos inesperados quanto “The Mound: Omen of Cthulhu”.

Crédito da capa: Divulgação ACE Team

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