Uma boa trilha sonora, assim como a direção, também conta uma história

Um filme de terror, enquanto narrativa, encontra diversas formas de assustar e envolver sua audiência ao longo de sua duração. Dentre essas, a trilha sonora possui papel fundamental na construção da imersão, servindo para aumentar a tensão e construir o terror.  Por isso, algumas dessas trilhas ficam tão marcadas no imaginário popular, servindo como referência e inspiração.

Algumas vezes, essa construção proporcionada pela trilha sonora é tão marcante, que se sobressai mais que o próprio longa-metragem. E é justamente para falar das mais memoráveis e marcantes que separamos algumas dessas opções, bem como as produções onde elas foram eternizadas.

Tubarão de John Williams

É quase impossível falar sobre trilhas sonoras marcantes sem citar John Williams e seu trabalho excepcional em “Tubarão”. Enquanto a trama acompanha barqueiros que esbarram com uma monstruosidade marinha, a trilha ajuda a ocupar as lacunas que o mistério sobre o tubarão cria.

E assim, a trilha que começa lenta e com poucas notas, ganha força à medida que avança e uma tensão palpável. Algo que evoca um medo instintivo, mesmo sem informação o suficiente, o que combina justamente com o contexto do filme e exprime o brilhantismo de Williams.

O Exorcista, de Mike Oldfield

Um dos filmes que só de mencionar, muitos já tremem quando o assunto é terror clássico. O Exorcista é um desses marcos do gênero e sua trilha sonora não poderia ser diferente. Composta por Mike Oldfield, o tema só precisou surgir em algumas poucas cenas para marcar e ser amplamente lembrada no gênero do horror.

Algo que acontece pelo tom marcante da composição, que utiliza de temas clássicos e uma condução tensa para nos amedrontar. Similar a muitos exemplos nesta lista, a composição de Oldfield aposta na crescente do horror, mas também no mistério e no suspense. Fatores esses que mantém o tema tão memorável e nos faz entender como uma obra como essa se mantém tão intrigante até hoje.

A Profecia de Jerry Goldsmith

Um das trilhas sonoras mais lembradas no gênero e não é em vão: o uso de um coro cantando em latim torna tudo mais macabro. Algo que é obra de Jerry Goldsmith, sendo reconhecido com o Oscar pelo seu brilhante trabalho. Porém, mais do que apenas um coral, a trilha aqui serve como enunciado da escala que o pequeno e diabólico Damien representa.

E assim, o tema envolve e dá o tom apocalíptico digno do anticristo que, mais do que apenas uma criança, é uma ameaça monumental. Por isso, ao ouvirmos a melodia, somos lembrados de que a ameaça que a criança representa, é bem maior e mais sombria do que aparenta.

Suspiria, de Goblin

O terror do brilhante Dario Argento não poderia ficar de fora da nossa lista. Isso porque além de excelentes cenas de suspense, a trilha sonora é um dos maiores destaque deste clássico. Algo que é perceptível nas cenas mais tensas onde a trilha serve para envolver o horror e ampliar o suspense.

Tendo sua composição feita pela banda italiana Goblin, o tema principal ajuda a transmitir a desorientação que muitas cenas de Argento querem transmitir. Aliado ao uso incomum de cores, a parte sonora colore mais um aspecto da nossa percepção enquanto audiência. E, apesar de não ser recente, ainda vale uma visita mesmo nos dias de hoje.

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Halloween e John Carpenter

Halloween de 1978 é inegavelmente um clássico do terror e também de John Carpenter, que atua na direção e roteiro do filme. No entanto, a atuação de Carpenter também se estende a trilha sonora, sendo ele o responsável por compor o tema clássico que ouvimos no filme.

A música tema carrega em si uma tensão constante, similar a um batimento cardíaco e que serve para nos angustiar e deixar na ponta da cadeira. E essa façanha, resultado do pouco orçamento para o longa, foi feita em cerca de três dias, mas seu resultado está até hoje na memória dos fãs.


Clássicos mais recentes

Hereditário e Colin Stetson

Uma das produções recentes e de grande destaque no terror é Hereditário e além de não ser novidade, é algo que também engloba seu tema musical. Composto por Colin Stetson, a trilha é marcada por um tom grave e um conjunto de instrumentos ao longo de diversas faixas.

Devido a isso, esses temas ajudam a desenhar o horror sombrio, familiar e inevitável tão presente na obra e a mantendo no imaginário do público. Algo essencial para obras do gênero, mas que foi feito de modo tão brilhante aqui que quase parece simples.

Jogos Mortais e Charlie Clouser

Aqui, destacamos quase que toda uma franquia, isso porque Jogos Mortais marcou ao longo de seus filmes com muito horror, mas também com sua trilha. Marcada por uma tensão ritmada e agitada, a trilha sonora foi composta por Charlie Clouser e permanece na mente dos fãs da franquia.

Ao longo dos filmes, o tema do Jigsaw foi utilizado para marcar a presença do vilão, mas também para os momentos mais intensos dos longas. Algo que aumenta a tensão naturalmente elevada das sequências, que ficam ainda mais nervosas e com aquele ar de gastura que muitas cenas carregam. Por isso, o tema fica tão guardado na memória e traz ainda mais daquele prazer estranho ao ver os filmes dessa saga.

A partir desta lista, podemos compreender mais sobre as clássicas trilhas sonoras, mas isso vai além. O cinema de terror não se conta apenas com o que se vê em tela, mas também do que é transmitido através dos temas sonoros. Por isso, valorizar uma boa trilha é também valorizar o cinema.

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