Ambientado na Paris dos anos 1920, novo longa de Pierre Salvadori combina farsa, romance e ilusionismo em uma narrativa que marca uma nova fase do diretor
O cineasta francês Pierre Salvadori abre o Festival de Cannes de 2026 com La Vénus Électrique, escolhido para a sessão inaugural da 79ª edição do evento, realizada no Grand Théâtre Lumière. Exibido logo após a cerimônia de abertura e lançado simultaneamente nos cinemas da França, o longa chega cercado de expectativa ao apresentar uma proposta que mescla comédia sofisticada, ambientação de época e um olhar irônico sobre as relações humanas.
Conhecido por retratar personagens em situações afetivas delicadas com humor e leveza, Salvadori aposta, desta vez, em uma narrativa de época. Ao deslocar sua história para a Paris do fim da década de 1920, o diretor incorpora novos elementos visuais e dramáticos à sua filmografia.
Com isso, ele se aproxima de uma tradição de comédias elegantes que trabalham com jogos de aparência e verdade. Ainda assim, preserva sua marca autoral ao explorar fragilidades emocionais e encontros improváveis.
Sobre o que é ‘La Vénus Électrique’?
A trama acompanha um artista plástico em crise que, ao tentar se reconectar com a memória da esposa falecida, recorre a práticas espiritualistas. Nesse percurso, ele cruza o caminho de uma jovem envolvida em encenações fraudulentas que simulam contatos com o além.

A relação entre os dois se constrói, portanto, a partir de uma tensão constante entre ilusão e autenticidade. Enquanto os personagens encenam situações enganosas, sentimentos reais emergem, criando uma dinâmica que alterna humor e melancolia
O filme reúne nomes recorrentes no cinema francês contemporâneo, incluindo atores que já trabalharam com Salvadori em projetos anteriores. Essa continuidade contribui para a coesão do longa, ao mesmo tempo em que reforça a confiança em torno do resultado artístico.
Além disso, a produção mantém parcerias já consolidadas na carreira do diretor, o que tende a garantir unidade estética e narrativa ao projeto.
Um diálogo com o passado do cinema
Ao investir em uma história ambientada nos chamados anos loucos, ‘La Vénus Électrique’ também dialoga com um imaginário cinematográfico clássico. A obra evoca, assim, o espírito das comédias que exploram equívocos, disfarces e jogos de sedução.
No entanto, essa referência não se limita à homenagem. O filme parece reinterpretar esses elementos à luz de uma sensibilidade contemporânea, o que amplia seu alcance junto ao público atual.
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Cannes como vitrine e ponto de partida

Abrir o Festival de Cannes 2026 significa ocupar uma posição estratégica no calendário cinematográfico. Nesse sentido, a escolha de ‘La Vénus Électrique’ indica não apenas confiança na obra, mas também a intenção de estabelecer um diálogo imediato com público e crítica.
Ao mesmo tempo, o lançamento simultâneo nos cinemas franceses reforça uma tendência de aproximar o festival do circuito comercial, ampliando o impacto da estreia.
Diante desse cenário, o novo filme de Salvadori surge como uma obra que equilibra tradição e reinvenção. Resta acompanhar sua recepção ao longo do festival, embora sua presença na abertura já sinalize um lugar de destaque no cinema europeu contemporâneo.
Imagem de capa: Reprodução / Guy Ferrandis
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